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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Big Little Lies traz intrigante mistério com elenco estelar

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A HBO acertou a mão com suas minisséries recentes, a começar pela ótima The Night Of em 2016 e agora repete a dose com a já intrigante e promissora Big Little Lies. Apresentando mais um grande mistério, baseado no livro homônimo de Liane Moriarty e com criação do mestre David E. Kelley (Boston Legal), a série tem um elenco invejável numa história que mescla intrigas e muitos segredos.

Adotando uma narrativa fragmentada, o drama já nos atira de cara no meio de um caso de homicídio ao intercalar depoimentos atuais com longos flashbacks (e rápidos flashforwards) que nos colocam na perigosa interseção entre três famílias da abastada comunidade litorânea de Monterey, na Califórnia.

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Madeline Mackenzie (Reese Witherspoon), Celeste Wright (Nicole Kidman) e Renata Klein (Laura Dern) vivem vidas aparentemente perfeitas que escondem nas paredes de suas mansões casos de violência doméstica, ódio e, é claro, muitas mentiras. Mas foi um incidente no primeiro dia de aula envolvendo o filho da recém-chegada Jane Chapman (Shailane Woodley) que ajuda a colocar um holofote e mostrar coisas que estavam escondidas sob a superfície.

Ainda que exibindo uma trama claramente similar à de Desperate Housewives, esta Big Littles Lies se distancia da série da ABC pela sobriedade com que trata as situações são narradas e o peso que o tal homicídio – que coloca todos os membros das principais famílias na condição de imediatos suspeitos – coloca sobre toda a comunidade de Monterrey, motivando depoimentos de terceiros que muitas vezes se contrapõem com o que conhecemos de tais personagens até determinado momento.

Aqui o experiente roteirista David E. Kelley tem a oportunidade de escrever para um grupo de intérpretes talentosíssimos, que ainda inclui os ótimos Adam Scott (Parks and Recreation) e Alexander Skarsgård (True Blood), extraindo sistematicamente bons momentos de praticamente todos em tela. Eles precisarão, contudo, sustentar uma trama que corajosamente esconde quem morreu dos olhos curiosos do público (e não espere descobrir isso tão cedo) para focar nesse estudo de personagens.

Assim, em vez de adotar o já batido mistério do “quem matou?“, Big Little Lies foca no “quem morreu?“, o que demanda certa destreza dos realizadores – incluindo do diretor de todos os episódios Jean-Marc Valeé (Clube de Compras Dallas) -, que precisará utilizar de certos malabarismos para manter o público interessado e sem se frustrar.

Apesar de trazer um primeiro episódio eficiente e tecnicamente irrepreensível incluindo em termos de montagem, trilha-sonora e fotografia, Big Little Lies o faz com certa inconsistência e alguns momentos bem arrastados e desinteressantes, especialmente no terceiro ato, tal qual as vidas de Madeleine, Celeste e Renata, embora as sempre inspiradas atrizes imprimam um tom muito mais grandioso às suas personagens do que elas realmente são.

Big Little Lies tem todos os elementos para se tornar o grande mistério da temporada, mas isso depende dos próximos episódios focarem naquilo que uma trama deste gênero pede: o desenvolvimento contínuo e sistemático do caso, liberando peças para que montemos um quebra-cabeças que, mesmo subvertendo expectativas, faça sentido quando vier a derradeira revelação. Nesse primeiro episódio, o sentimento é que o objetivo foi cumprido.

Big Little Lies será exibida todos os domingos às 23h pela HBO, com primeiro episódio liberado para não-assinantes na HBO GO entre 20/02 a 21/03.

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