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Por: Allan Verissimo

Crítica | A decepcionante 3ª temporada de The Flash

Fotos: Divulgação/CW/Warner Channel

Ah, The Flash… O que aconteceu com você? A série estreou em 2014 com uma primeira temporada excelente: personagens carismáticos vividos por ótimos atores (e bem melhores do que o elenco de Arrow), tramas interessantes e um clima mais colorido, leve e otimista ao melhor estilo “Era de Prata” . Um contraponto muito bem-vindo em comparação à atmosfera mais dark e Nolan de Arrow.

Aí veio o segundo ano, expandindo a mitologia do Arrowverse ao introduzir o Multiverso, e os problemas começaram. Primeiro, porque a primeira metade daquela temporada parecia mais preocupada em preparar o terreno para Legends of Tomorrow do que em desenvolver a sua própria trama. Quando o spin-off finalmente estreou, a série ficou livre para focar em si mesma, mas os problemas persistiram. Zoom, que era um vilão excelente, demorou demais para ter a sua identidade revelada. Pior: quando isso finalmente ocorreu e as suas (fracas) motivações foram reveladas, a qualidade do vilão despencou imediatamente, empalidecendo diante do Flash Reverso do ano um e culminando numa conclusão bem sem graça. A temporada se encerrou com um amargurado Flash ignorando todas as lições que tinha aprendido com o Speed Force e voltando no tempo para impedir a morte da sua mãe, criando o Flashpoint. Se por um lado isso era decepcionante, pois criava a impressão de que Barry não amadureceu depois de tantas experiências, por outro lado as possibilidades narrativas que os roteiristas poderiam conceber em torno dessa trama eram inúmeras.

Ledo engano. Logo de cara, a terceira temporada já jogou um balde de água fria nos fãs: o tão aguardado Flashpoint, que foi divulgado pela CW durante meses, durou apenas um episódio. Nesse universo alternativo que vimos brevemente, Barry vive com seus pais, está flertando com Iris, Cisco é um milionário, Caitlin é oftalmologista, Wally é o Flash e Joe é um policial amargurado. Não sabemos o que ocorreu com o Dr. Wells, e muito menos com o Team Arrow. Tantas possibilidades fascinantes acabaram sendo cruelmente descartadas, provavelmente por causa dos futuros crossovers com as demais séries do Arrowverse. Sim, as consequências do Flashpoint ainda existem mesmo após Barry voltar para a sua linha temporal, mas são bem pequenas diante do que poderia ter sido, aumentando a sensação de que fomos enganados (e se for para comparar, Agents of Shield fez uma adaptação não-oficial de Flashpoint infinitamente melhor na sua excelente quarta temporada).

Logo depois, conhecemos o suposto vilão da temporada, Alquimia, cuja verdadeira identidade era tão óbvia desde o início que eu torcia para estar errado. Infelizmente, Alquimia era realmente Julian, e para piorar, foi revelado que ele era apenas uma marionete manipulada pelo verdadeiro vilão da trama, Savitar. Savitar foi disparado o pior vilão de The Flash até o momento: primeiro porque a essa altura do campeonato, já estamos fartos de vilões velocistas (por mais sem graça que o Alquimia fosse, ao menos o detalhe dele supostamente usar magia poderia ter rendido confrontos mais interessantes). Em todos os seus confrontos com Barry, ele não fez nada que o Flash Reverso e Zoom já não tivessem feito nos anos anteriores – e muito melhor, diga-se de passagem. Além disso, seu visual CGI a lá Transformers era horroroso e só o tornava ainda mais genérico (mais tarde, a produção da CW criou uma armadura real para o personagem, mas só tornou tudo pior).

Como se os problemas já não fossem poucos, os roteiristas ainda demonstraram que não aprenderam nada com os erros do passado: se na segunda temporada, eles levaram 15 episódios para revelar quem era o Zoom, aqui eles conseguiram enrolar a “chocante” revelação por inacreditáveis 20 episódios! E no decorrer dessa jornada, os roteiristas alimentaram os mistérios com recursos dignos de novela: em um episódio aparece um vilão que sabe quem é Savitar. Após o Flash ficar o episódio inteiro interrogando-o, o vilão vai embora… sem revelar quem é Savitar. No episódio seguinte, Barry viaja para o futuro (mesmo sabendo que foi justamente viajar no tempo que iniciou toda essa desgraça), acreditando que a sua versão futura sabe quem ele é. Nope. Ah, e no mesmo episódio, Savitar finalmente revela a sua identidade para Killer Frost. Agora nós descobrimos? Não, porque a câmera foca apenas na reação de Caitlin, e o episódio termina aí. A essa altura, chegava a parecer quase trollagem dos roteiristas, e é absurdo que eles não tenham percebido que 1) após 20 episódios, todos os espectadores ao menos já chutariam a possibilidade de que o Savitar seria o Barry do futuro, com tantas pistas óbvias e 2) os três episódios finais estariam muito longe de ser o suficiente para estabelecer o background e as motivações do vilão.

Diga-se passagem, oportunidades desperdiçadas foram o que mais teve nessa temporada. Tantos vilões que poderiam ter sido mais interessantes do que Savitar, como Shade, Grodd e Mirror Master, foram jogados ao papel de “vilão da semana”, sem qualquer motivação ou caracterização que os tornasse no mínimo interessante. O Harrison Wells da Terra-2 foi substituído pelo H.R, um pavoroso e desnecessário alívio cômico (como se o Cisco já não ocupasse essa função, e bem melhor). Os velocistas Jay Garrick e Jesse Quick apareciam e sumiam da trama dependendo da vontade dos roteiristas, e o mesmo pode ser dito sobre a coadjuvante Gypsy. Já Wally West continuou sendo um rapaz mimado e arrogante, que parecia querer ser herói mais por gostar dos holofotes da fama do que por altruísmo. Pior: após ter voltado da sua prisão no Speed Force, o personagem foi completamente jogado de escanteio por todo o resto da temporada, chegando a ausentar-se de um episódio com a pior explicação possível: “ele foi visitar a namorada na Terra-2”.

E se Cisco e Joe permaneceram ótimos como sempre, infelizmente acabaram sendo presos em dois plot românticos entediantes que só estavam ali para encher linguiça. Já Julian acabou sendo uma boa adição para o Team Flash, graças ao carisma de Tom Felton, e espero vê-lo promovido ao elenco fixo da quarta temporada. Em contrapartida, Iris e Caitlin só provaram como os roteiristas de Flash são muito problemáticos na hora de escrever personagens femininas: Iris, que sempre foi relegada ao papel de interesse amoroso de Barry desde o início da série, acabou sendo foco de um plot que já nasceu destinado ao fracasso: se Iris fosse salva após 23 episódios de construção do suspense, seria uma solução previsível e anti-climática. Por outro lado, se Iris morresse… Continuaria sendo previsível e anti-climático do mesmo jeito (e me assombra que os roteiristas tenham achado que esse plot teria fôlego para durar uma temporada inteira). O descaso dos roteiristas com qualquer outro elemento de Iris que não seja sua vida amorosa é tão grande que eles parecem esquecer que ela tem vida pessoal e é uma jornalista, pois só a vimos trabalhar uma única vez durante 23 episódios. Dito isso, parece que Iris tem ao menos um super-poder bastante eficiente: o poder de fazer discursos motivacionais no clímax de todos os episódios, que sempre farão Barry vencer a ameaça da semana.

Já a cientista Caitlin sempre foi presa ao papel de “mocinha sofrendo por um homem” nas temporadas anteriores (Ronnie na primeira, Zoom na segunda), o que eu considero muito machista (aparentemente, uma personagem feminina solteira é algo proibido na concepção dos roteiristas). Para piorar, na terceira temporada, além de criarem um TERCEIRO interesse amoroso diferente para Caitlin, eles ainda jogam a personagem num plot no qual ela se torna uma vilã por não poder controlar os seus novos poderes. Deixa eu ver se entendi: Barry, Wally, Cisco ganham poderes e viram heróis, mas já no caso da personagem feminina, ela não consegue controlar seus poderes e tem que inevitavelmente ser a vilã? O que é uma pena, pois Danielle Panabaker, que eu sempre achei carismática e simpática, me surpreendeu positivamente: ela entregou uma ótima atuação em todas as cenas da Killer Frost. Nesse momento da trama, confesso que estou mais interessado pelo plot de Caitlin do que pelo próprio Barry (se bem que os roteiristas poderiam simplesmente transferi-la para Legends of Tomorrow; a personagem e a atriz mereciam muito mais).

E já que citamos Barry: conforme disse anteriormente, o protagonista parece não ter aprendido absolutamente NADA após duas temporadas de eventos que supostamente deveriam ter lhe entregado experiência, maturidade e aprendizado. Agindo de uma maneira arrogante e antipática em vários momentos (cheguei a rir quando ele fala “Eu sei o que estou fazendo, sei como deter Savitar”, e aí no momento seguinte descobrimos que o seu plano se limitava a interrogar o vilão…), Barry chega a viajar no tempo deliberadamente não uma, mas DUAS vezes, mesmo com todos os avisos do Speed Force e dos amigos (e a segunda vez não fez o menor sentido: porque Barry não pediu a ajuda de Oliver para invadir a Argus ao invés do Snart?). Assim sendo, fica difícil sentir qualquer empatia por um personagem que não demonstra mais ser digno de se chamar um herói (e muito menos um mentor decente para Wally e Jesse).

O que nos leva ao season finale, que foi o prego que faltava no caixão dessa temporada: H.R. sacrificando a sua vida para salvar Iris era algo que os fãs já previam nas redes sociais há MESES, assim como Barry sendo condenado a ir para a prisão do Speed Force. Ou seja, H.R. foi introduzido na trama apenas porque os roteiristas, mais uma vez, demonstram não ter coragem para se livrar de um integrante do elenco fixo de uma maneira definitiva. Além disso, seu desfecho foi uma terrível trapaça dramática: deveríamos comemorar por ele ter morrido no lugar da Iris, que parece estar mais em conta com os roteiristas e o público? Por sinal, porque Savitar, após fracassar no seu atentado à Iris, demorou várias horas para ter a sua existência deletada, enquanto lá na primeira temporada, o Flash Reverso foi imediatamente apagado após o suicídio de seu antepassado Eddie? Os roteiristas ainda se importam com a lógica que eles mesmo criaram? E porque o Team Flash ainda insistia em revelar todos os seus planos para Barry, mesmo sabendo que Savitar compartilhava de suas memórias?

Já Barry se sacrificando no final… Sinceramente, alguém se emocionou com aquilo? É muita ingenuidade dos roteiristas acreditarem que nós vamos cair nessa de novo. Não ficarei surpreso se, assim como ocorreu com Flashpoint, esse gancho for resolvido no logo no primeiro episódio, com Barry voltando à Terra e tudo de volta ao que era antes. O que me incomoda é que mesmo se os roteiristas enrolarem com o retorno do protagonista por vários episódios, nós teremos que lidar com essa versão irritante do Wally liderando o Team Flash. Além aí está realmente empolgado com isso?

Até outubro chegar, o jeito é torcer para que a quarta temporada de The Flash redima a série. Mas de preferência, sem a necessidade de viagens no tempo ou vilões velocistas.

P.S: Confesso que gostei do episódio musical. Foi um respiro de humor bem-vindo em meio à tantos problemas.

13 respostas para “Crítica | A decepcionante 3ª temporada de The Flash”

  1. Otavio disse:

    Eu não costumo abandonar séries pela metade, mas depois dos primeiros 5 episódios eu simplesmente não consegui prosseguir, parei de ver mesmo. E pela crítica aqui tô vendo que foi a melhor decisão.

  2. Vinicius Tozato disse:

    Realmente, o melhor episódio foi o musical!!!

  3. coy disse:

    só li verdades. e tenho outros pontos: se ele foi no passado pegar o snart pra roubar a pedra lá, pq nao foi pro futuro pegar a arma c a cientista que fez? ou trazer ela pra fazer outra arma? e se era tao simples entrar na armadura do savitar e expulsar ele, pq nao o fez antes? se o predio da argus era à prova de meta-humanos, pq nao pos a Iris la pra ficar livre do Savitar? pq nao colocaram um colete nela à prova da garra do savitar?

    enfim, foi uma temporada desastrosa e pelo visto o vilão da quarta será o GodSpeed… mais um velocista =

  4. Leonardo Damaso disse:

    eu nem comecei kkkkkkkkkkkkk
    e nem vou começar kkkkkkkkkkkkkk
    nada deste canal
    nunca !!!!!!!!!!!!!
    CW AFFFFFFFFFFFFFFFFF…………..

  5. Ao meu ver, muito confusa… um vai e vem que você acaba se perdendo em que tempo o bendito esta!

  6. Anderson Lima disse:

    Já desisti de assistir há muito tempo.

  7. Thaty Nestlehner disse:

    Só li verdades. Meu Deus, que temporada frustrante. Cada episódio só fazia eu me questionar mais por ainda insistir na série. E esse final… chegou a ser uma falta de respeito com a nossa inteligência. Nem sei se vou ter paciência para a quarta temporada, mas torço para ser melhor que a terceira. Arriscaria dizer que pior não fica, mas vai saber.

  8. Adolfo Brás Sunderhus Filho disse:

    Ainda estou juntando coragem para retomar a terceira temporada de Flash… Confesso que nem lembro em qual episódio eu parei…

  9. mr_rune disse:

    Eu tava esperando a temporada acabar pra ver tudo de uma vez…. Parece que não compensa, se tá tão ruim assim. Nem vou perder tempo.

  10. Romulo Brenno disse:

    Amei o texto, foi tudo o que eu pensei dessa temporada.Foi dificil aguentar até o final.O jeito é torcer por uma quarte temporada melhor. E sim, o melhor episódio foi o musical

  11. Mateus Henrique disse:

    Terminei de ver a série toda aqui, TUDO QUE DISSE FOI VERDADE, e eu fiquei pensando aqui AONDE TÁ O FLASH REVERSO, ele disse que iam se ver de novo, por um momento pensei q Savitar era o flash reverso depois descartei essa teoria, fiquei MUITO MUITO MESMO decepcionado com esta 3 temp. nem devo assistir a 4ª.

  12. Ana Caroline disse:

    The Flash é uma série MARAVILHOSA não concordo com esta crítica,assisti e não me arrependo.Já quero a 4° Temporada.

  13. Rafaele Osellame disse:

    Pessoal me tirem uma duvida, se quem criou a prisão para o Savitar onde tem que ficar um velocista foi o Barry do futuro quando criou um resquício do tempo sofrendo pela morte da Iris. Quando ele salvou a Iris, o Futuro foi alterado e o Barry não criou um resquício e conseqüentemente seu eu futuro não criou a prisão Sendo assim pq ele teve que ocupar o lugar do velocista na força de aceleração. Por favor me expliquem.

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