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Por: Bruno Carvalho

Crítica | A alucinante viagem de The Leftovers 3×07

É por episódios assim que estamos em uma nova “Era de Ouro” da TV. Intitulado The Most Powerful Man in the World (And His Identical Twin Brother), o penúltimo episódio ever de The Leftovers foi uma das melhores horas que a televisão recente já foi capaz de nos proporcionar: alucinante, divertido, instigante e intenso.

Damon Lindelof aprendeu a abraçar o absurdo com uma pegada muito menos sisuda que David Lynch ou reverencial que Bryan Fuller. O resultado disso foi um capítulo que, embora marginalmente flerta com o ridículo das situações apresentadas, é capaz de surpreender pelos simbolismos e pela força narrativa que a série carrega desde o seu episódio piloto.

Assim, não importa muito a natureza do lugar para qual Kevin Garvey agora já frequentemente visita. Se é um plano espiritual, uma realidade alternativa, uma dimensão paralela… The Leftovers é assumidamente uma série sobre arquétipos e seus espectadores, agora mais maduros em termos de consumo televisivo (diferentemente daqueles de LOST), não anseiam uma resolução desses mistérios.

Desde o momento em que o “salvador da pátria” surge naquela praia, o que vimos foi uma sucessão de pequenos grandes momentos que trazem até mesmo um comentário político muito atual, ao colocar o Presidente dos EUA como o responsável pelo iminente fim do mundo. Mais do que isso, o episódio aprofundou – através das mais variadas representações (dos espelhos ao fato de Patti ser uma “Secretária de Defesa”) – na jornada de autodescoberta de Kevin, culminando no momento em que ele literalmente abre seu próprio coração, confronta a si mesmo e percebe o que fez com Nora.

Com isso, a série dá o tom para o seu series finale, imediatamente puxando aquele curioso flashforward que vimos no grandioso episódio de estreia da temporada, com Nora – décadas à frente – não querendo sequer saber de um “tal de” Kevin.

Lembremos que Nora e Matt saíram atrás daquela misteriosa organização que diz poder mandar os “leftovers” para onde quer que os 2% tenham ido e pelo visto todos os caminhos culminarão no mesmo ponto.

O mundo continuará a girar com ou sem nós nele. Esse, talvez, é o maior recado que The Leftovers vai nos dar. Falta só um agora.

7 respostas para “Crítica | A alucinante viagem de The Leftovers 3×07”

  1. Giovani disse:

    Que episódio senhores!!
    Foi ao mesmo tempo intenso e divertido.
    – A Patti cantando o tema de “The Patty Duke Show”.
    – O scanner de pênis.
    – Os Kevins soltando um “Foda-se”para a Patty. Se Kevin é Jesus, bendito seja a palavra do Senhor.
    – Quem é o personagem de Bill Camp? Se ele for o homem que morreu nas montanhas da Austrália, ele ajudou o Kevin assassino no episódio de International Assassin.
    Depois ele foi “Deus” em It’s a Matt, Matt, Matt, Matt World. Morreu no ataque o leão e “ajudou” o Kevin de novo. É brilhante pensar que essas histórias estão alinhadas.

  2. Victor Rodrigues disse:

    O tal “Deus”, é aquele cara que ajudou o Kevin duas vezes e morreu pelo leão, pelo menos eles se parecem muito. Acho que não seja coincidência:

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  3. Victor Rodrigues disse:

    https://uploads.disquscdn.com/images/63e712e8b6d4420862d6f8d9edb64b66e4ca57add8ceebaa39ae18ed1bcfde50.png O tal “Deus”, é aquele cara que ajudou o Kevin duas vezes e morreu pelo leão, pelo menos eles se parecem muito. Acho que não seja coincidência:

  4. Giovani disse:

    Lembra que possivelmente ele morreu nas montanhas da Austrália antes de renascer como “Deus”.

  5. Victor Rodrigues disse:

    É verdade

  6. Sim, é o mesmo ator.

  7. Guilherme Gonçalves disse:

    “The Leftovers é assumidamente uma série sobre arquétipos e seus espectadores, agora mais maduros em termos de consumo televisivo (diferentemente daqueles de LOST)”.

    Acho que dizer isso é jogar tudo nas costas do publico qnd devemos admitir que Carlton Cuse cresceu muito desde Lost tb; nao acho que ele tenha sido bem sucedido na ultima temporada de Lost, pelo menos nao chega nem perto do que realmente ta obtendo com The Leftovers nessas ultimas 2 temps.

    Só dá pra imaginar o quanto ele faria Lost ser uma serie ainda melhor se tivesse há 12 anos todo esse controle da narrativa e simbologia que tem hoje

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