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Por: Bruno Carvalho

Crítica | The Leftovers abraça a insanidade com 3×05: It’s a Matt, Matt Matt World

[contém spoilers] Demorei para escrever sobre o The Leftovers da semana passada, pois quis ver duas vezes para abraçar a insanidade e a loucura deste incrível episódio tal qual os roteiristas Damon Lindelof e Lila Byock fizeram. Em vez de simplesmente deslocar o restante do elenco que estava em Miracle de forma artificial e forçada como a maioria das produções fazem, a série da HBO decidiu trilhar o caminho mais tortuoso e bizarro possível, tornando este um dos exemplares mais excepcionais e interessantes até agora.

Iniciando com uma sequência no submarino que certamente fez os saudosos fãs de LOST suspirarem e remontarem o tempo de Desmond, Kelvin e Radzinsky na escotilha, o capítulo novamente centrado no sempre inspirado Matt Jamison de Christopher Eccleston se destacou como um dos melhores do ano da TV.

Através da especifíssima trama de uma seita de sexo no estilo De Olhos Bem Fechados no mar que cultua a verdadeira história de um leão de circo resgatado chamado Frasier, aprofundamos um pouco mais na vida e na cabeça desse pastor resignado por ver “milagres” acontecendo aos montes ao redor dele, mas nunca com ele. Pra piorar, sinais de que sua leucemia curada na infância tenha retornado o deixou ainda mais revoltado com a entidade superior: por que Deus está matando-o se o mundo está prestes a acabar?

Destinado a buscar elementos que não só corroboram, mas que justifiquem sua fé e sua crença em Kevin Garvey, ele se mostrou capaz de fazer absolutamente tudo (inclusive contar uma pesada piada) e utilizar qualquer tipo de subterfúgio pra provar que está certo: voar até a Austrália com seus outros dois “Reis Magos” enquanto o mundo está atônito e paralizado por uma tragédia nuclear, apenas para “resgatar” alguém que não precisa de seu resgate.

Matt Jamison é tão controverso, que ao mesmo tempo em que quer provar que o decatleta David Burton não é “Deus” como diz ser, ao mesmo tempo conforta-se com o que o sujeito tem a dizer apenas porque é o que precisa ouvir. E se ele fosse mesmo Deus, apenas para efeitos de um argumento, ele teria o direito de jogar aquele homem ao mar, certo? Curioso como ao redor do planeta, do Texas à Tazmania, falsos (?) profetas surgiram cada um ao seu modo. David Burton invariavelmente é o que Kevin Garvey seria se tivesse aceitado a alcunha de salvador.

It’s a Matt, Matt Matt World encerra aparentemente a jornada de sofrimento do personagem e o coloca em rota de colisão com o sétimo aniversário da Partida Repentina de forma totalmente renovada enquanto o cada um reage ao “iminente” fim dos tempos à sua maneira: seja adorando leões viris ou explodindo bombas. Se pensarmos bem, não estamos tão longe disso nos dias de hoje.

The Leftovers segue impecável em sua terceira e última temporada e provavelmente encerrará o ano como uma das melhores produções da TV (quem sabe até desta década).

Uma resposta para “Crítica | The Leftovers abraça a insanidade com 3×05: It’s a Matt, Matt Matt World”

  1. Junior disse:

    Esqueceram de mencionar, algo que li em outro site, que esse David Burton apareceu em outros episódios ou referências à ele.
    O sujeito que Kevin encontra na ponte no episódio International Assassin era ninguém menos que ele. Assim como uma carta que é encontrada que estava endereçada justamente a David Burton.

    Então minha pergunta é como podemos entender esse personagem?

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