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Por: Redação Ligado em Série

Crítica | Twin Peaks simplifica as coisas no episódio 3×07

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[com spoilers] Mesmo para quem já viu a série clássica e o filme Fire Walk With Me, esta nova temporada de Twin Peaks tem sido um tanto confusa. Mas em um raro momento de autoconsciência (ou de pressão da emissora), o episódio exibido no último domingo parece ter vindo como uma resposta a grande parte das dúvidas, pois foi o mais explicativo até agora.

O primeiro momento nesse estilo foi quando o xerife Frank Truman está conversando com Hawk e confirma que as páginas encontradas eram mesmo do diário de Laura Palmer, lendo posteriormente aquela que fala sobre um sonho com Annie e Cooper. Nos diálogos a seguir, Frost e Lynch praticamente desenham para os espectadores como essas páginas foram parar no banheiro da delegacia (confirmando uma das principais teorias que circulam nos fóruns online: a de que foram escondidas por Leland, provavelmente quando esteve lá para depor sobre o assassinato de Jacques Renault), como Laura poderia saber sobre Cooper se ele só chega à cidade depois de sua morte e, o mais importante, a conclusão de que não foi o verdadeiro agente que saiu do Black Lodge.

Após, em uma conversa instrutiva com o Dr. Hayward (interpretado por Warren Frost, que faleceu em fevereiro deste ano), o xerife ganha respostas para alguns fios soltos entre série clássica, filme e revival, incluindo o destino de Audrey Horne após a explosão no banco. O doutor ainda reforça que Cooper estava agindo estranho após sair do Black Lodge e que não parecia ele mesmo, e esse comportamento peculiar também foi percebido por Diane, que finalmente foi convencida por Gordon e Albert a visitá-lo na prisão. A personagem apareceu com destaque neste episódio e aproveito o gancho para dizer que mostrar a Diane, especialmente esta Diane, talvez não tenha sido uma boa decisão (imagino que muitos outros fãs de Twin Peaks irão discordar de mim, mas preciso ser sincera). Apesar de considerar um mérito que tenham invertido nossas expectativas em relação a ela (aposto que ninguém imaginava uma personalidade assim), a soma da interpretação de Laura Dern com um direcionamento hiperbólico resultou em uma personagem menos autêntica e mais exagerada do que o tipo que sempre funcionou na série. Bom, mas o que importa é que agora todos as pessoas envolvidas com Cooper já perceberam que ele segue desaparecido e a busca finalmente pode começar.

Lynch também demonstrou didaticamente através do seu próprio personagem que sabe que o homem preso não é o verdadeiro Cooper por ter dito uma palavra ao contrário (yrev em vez de very, como sinalizado anteriormente aqui). Foi o episódio mais informativo que tivemos até agora, provavelmente porque em breve nos deixarão mais confusos com os novos acontecimentos pela frente. Um indício foi a sequência que se passa em Buckhorne e que aumenta o mistério em torno do Major Briggs, já que as digitais do corpo encontrado são dele, mas a idade não bate. E como o doppelgänger conseguiu escapar da prisão, sabemos que isso terá muitas consequências nos próximos episódios.

Outras observações:

– Uma das coisas que eu mais estou gostando neste revival é o cruzamento entre o rústico universo de Twin Peaks com as tecnologias atuais, como na conversa entre o xerife e Dr. Hayward via Skype.

– Quem é aquele homem de cabelo comprido que já apareceu duas vezes na delegacia de Buckhorne?

– Aposto que você nunca viu uma cena tão longa de um ambiente sendo varrido.

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