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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Baby Driver: Em Ritmo de Fuga é o melhor filme do ano até agora

Fotos: Divulgação/Sony Pictures

Sim, parece um hipérbole. Mas do momento em que entrei na sala de screening para assistir a essa obra-prima de Edgard Wright, Baby Driver (Em Ritmo de Fuga) me levou numa jornada mista de emoções. Do riso aos sustos de medo. Do choque à catarse. É um poderoso filme de ação, um grande romance e até mesmo uma espécie de musical onde as balas ou as derrapadas dos carros compõem uma bela melodia.

Repleto de atores de séries para meu deleite – estão lá Kevin Spacey (House of Cards), Jon Hamm (Mad Men), Lily James (Downton Abbey), Jon Bernthal (Demolidor) – o filme nos apresenta a Baby, um jovem com problemas de audição vivido com um misto de intensidade e quietude pelo talentosíssimo Ansel Egort, e que acabou virando um piloto de fuga de grandes assaltos pra pagar uma dívida com o poderoso líder de uma organização criminosa. Mas quando cruza o caminho da garçonete Debora (James), ele decide fugir com ela e largar uma vida que é muito difícil de ser largada sem consequências.

Escrito, decupado, dirigido e montado de forma meticulosa, o longa desenvolve uma trama ágil, sempre guiada para frente e com muito, mas muito vigor. Baby Driver apresenta um ensemble riquíssimo de personagens, cada um com características e motivações muito bem definidas – do bad boy inconsequente vivido pelo brilhante Jamie Foxx ao chefão simpático, mas impiedoso do sempre seguro Kevin Spacey – e que ganham momentos próprios para brilhar sob a condução de um maestro atento a todas as classes de instrumentos.

Parcialmente deficiente auditivo por conta de um acidente que sofrera na infância e matou seus pais (daí sua fixação com carros e música), Baby aprendeu a ouvir o mundo pelos olhos e a comunicar-se com muito pouco. Com Debora, ele forma um casal ideal numa situação impossível e que faz o público torcer por eles logo de cara, mesmo quando trocam apenas algumas palavras.

Da mesma maneira, o filme conta sua história através de músicas que oscilam entre o incidental e o diegético, não raras vezes fazendo o público confundir forma, conteúdo e estilo. São nossos ouvidos ou os de Baby que estão zunindo quando ele tira os fones? Edgar Wright nos transporta pra dentro do filme apenas com som e cortes precisos. Até mesmo quando usa clichês, o ele mostra que sabe o que faz. Sua direção pode até mesmo ser sentida como um personagem no decorrer da fluida narrativa, tal qual ocorre nos filmes de Quentin Tarantino.

Repleto de sequências de ação incríveis e que possuem sempre um propósito claro e objetivo, Baby Driver te joga pra fora do cinema fazendo você querer voltar e assistir tudo de novo e de novo, de tão cool e descolado que é até nas reviravoltas (desde às óbvias até aquelas que realmente não esperaríamos).

Se Edgar Wright já havia despertado minha curiosidade com Todo Mundo Quase MortoScott Pilgrim, agora ele realmente tem a minha total atenção. É o melhor filme do ano até agora e com a facilidade com que Baby faz uma balisa.


3 respostas para “Crítica | Baby Driver: Em Ritmo de Fuga é o melhor filme do ano até agora”

  1. Dilson Neto disse:

    Fico triste de não ter saído do cinema com a mesma sensação que você. Algumas coisas do filme me incomodaram bastante.
    É muito interessante, de fato, a forma como ele brinca com os clichês – a exemplo da piada que certo personagem faz após escrever numa lousa. Também achei incríveis o desenho de som e a montagem do filme, que lhe conferem um ritmo ágil e criam música a partir das imagens.
    Infelizmente, o que me incomodou foi o desenvolvimento de alguns personagens. Debora é absolutamente unidimensional e acredito que a torcida pelo casal se dá mais pela posição narrativa do que pelo fato de eles serem interessantes. O filme apresenta momentos em que parece que vai haver conflito entre os dois, mas nada de fato acontece. Debora é apenas uma mulher idealizada que não parece ter personalidade própria.
    Além disso, há outro personagem que apresenta uma virada totalmente incoerente com a sua trajetória. O roteiro usa uma justificativa banal (“eu já me apaixonei uma vez”) e cria apenas uma sensação de Deus ex machina.
    Apesar dessas falhas, o filme não é ruim e chega a ser divertido em alguns pontos (eu gosto bastante das reviravoltas inesperadas que você bem apontou). Porém, acho exagerado falar que é o melhor filme do ano até agora.

  2. varaslyryh disse:

    Recomendado para você, VEJA C0M H’D4K, VISITE >> CINEMAX-32.BLOGSPOT.FR

  3. Julia Brazolim disse:

    Eu assisti recentemente o filme e também não achei essa perfeição toda que vejo o pessoal falando. Infelizmente hoje, não gostar de um filme que TODO mundo gosta, significa que você NÃO ENTENDEU O FILME ou “não entende nada”. Pois bem, não sou crítica mas sempre amei filmes de todos os tipos. Fui ver Baby Driver com a expectativa alta devido a inúmeras recomendações (eu adoro esse diretor) e esperava algo incrível. O que eu vi foi um filme que empolga pela fotografia e trilha sonora combinadas com as cenas, bem ao estilo do diretor. E o filme ganha o telespectador pelo uso do “encaixe sonoro” (nem sei se é um termo correto). O mesmo que escuto em trailers como o do Esquadrão Suicida e do Justiceiro – apesar que o Edgar já usa esse recurso desde Shaun of The Dead. O que quero dizer é que eu fui assistir Baby Driver pela história do filme e não pelas suas cenas de ação e trilha sonora bem elaboradas (motivo que o hype do pessoal ta alto). Assisti depois novamente – vai que eu não entendi, não é mesmo? – e nada. Continuo achando uma história fraca com excelentes cenas bem montadas que prendem o telespectador…

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