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Por: Allan Verissimo

Crítica | Game of Thrones avança em passos largos com 7×03: The Queen’s Justice

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[com spoilers do episódio 7×03] Mais uma vez provando que os showrunners não estavam mentindo quando afirmaram que Game of Thrones adotaria um ritmo mais urgente na sua reta final, esse terceiro capítulo da sétima temporada já se iniciou quebrando as expectativas. Se outras séries cogitariam em guardar a sua cena mais esperada pelo público para o clímax do episódio, David Benioff e D.B. Weiss optaram por já mostrar o tão esperado encontro entre Jon Snow e Daenerys Targaryen logo no início. A reunião dos dois personagens mais importantes da trama (e também os únicos Targaryens vivos) foi um momento esperado pelos fãs da séries há seis anos (e pelos fãs dos livros desde 1996), e não decepcionou.

“The Queen’s Justice”, episódio escrito por D&D e dirigido por Mark Mylod, foi um episódio que se preocupou mais no diálogos do que na ação, o que acaba sendo uma decisão acertada, considerando o quanto a trama avançou. Os primeiros 20 minutos foram gastos no encontro entre o Rei do Norte e a Mãe dos Dragões, o que acabou não sendo tão amigável quanto os fãs esperavam. Além de todo o histórico envolvendo os seus pais, era óbvio que Daenerys não acreditaria na história de Jon sobre os White Walkers, assim como Jon não aceitará ajoelhar-se e entregar sua coroa para Daenerys, sabendo que 1) isso pode prejudicar sua reputação com os mesmos lordes nortenhos que o elegeram rei e 2) ser forçado a ajudar Daenerys na sua campanha contra Cersei seria um desperdício gigantesco e infeliz de tempo, vidas e recursos que beneficiariam apenas ao Rei da Noite.

É realmente uma sorte para ambos que tanto Tyrion quanto Davos se encontrem ali para cumprirem suas funções de mediadores – com belo destaque para Tyrion e Jon lembrando-se de quando conheceram na primeira temporada, em uma época distante na qual Snow era ainda mais ingênuo do que já é e o Lannister muito mais cínico e sem um grande propósito na vida. É estranho como Jon parece determinado a não revelar para ninguém sobre sua morte e ressurreição, considerando que essa é a única desculpa que ele teria para justificar sua deserção da Patrulha da Noite e ascensão no Norte.

Muito mais preocupante é o aconteceu em Porto Real. O ator Pilou Asbaek parece estar realmente disposto a fazer de tudo para devorar o cenário nas suas cenas, e por enquanto, está fazendo isso muito bem: Euron Greyjoy está se revelando tão cruel quanto Joffrey ou Ramsay, mas muito mais carismático. Enquanto isso, Lena Headey continua provando ser uma das melhores atrizes do elenco, destilando veneno, ódio e um prazer sádico a cada sílaba na cena em que humilha e pune as Sand.

Embora o núcleo de Dorne tenha sido um desastre e ninguém sentirá falta, ao menos Indira Varma e Rosabell Laurenti Selles se saíram bem em retratar o pavor ao constatarem o que Cersei estava planejando para as persomagens. Mesmo o fato da Rainha de Westeros já nem se importar mais em esconder o relacionamento incestuoso com o irmão demonstra o quanto ela está desequilibrada. E por falar em Jaime, este continua sendo uma decepção: todo o aprendizado do personagem para se afastar da influência tóxica da irmã foi jogado no lixo nas duas últimas temporadas e o problema agora ficou mais evidente.

Já em Winterfell Bran está de volta à sua casa, mas o reencontro com a irmã não foi nem de longe tão emocionante quanto o reencontro de Jon e Sansa na temporada passada, e isso com certeza foi intencionale. Bran agora é o Corvo de Três Olhos, uma pessoa fria e sem emoções, que parece ter se esquecido de como se deve comportar com os demais seres humanos. Isso fica claro não só no fato dele não esboçar qualquer tipo de reação durante o seu retorno, como também no momento em que ele cita os eventos da noite em que Sansa foi violentada por Ramsay como se fosse algo de menor importância, chegando até a destacar como ela estava bonita na cerimônia de casamento. Não é a toa que Sansa fica justificadamente perturbada.

Isso nos leva ao clímax do episódio, no qual o ambicioso plano de Tyrion para tomar Rochedo Casterly e causar uma forte derrota moral nos irmãos acabou fracassando de uma maneira desastrosa. Por um lado, deve-se reconhecer que não seria muito empolgante, do ponto de vista dramático, se Daenerys vencesse todas as batalhas contra seus inimigos e conquistasse Westeros com facilidade no início da temporada.

Por outro, as derrotas humilhantes que ela está sofrendo em apenas três episódios já estão perigosamente correndo o risco de trazer algum tipo de reviravolta mal planejada pelo roteiro. Primeiro, porque emburrece Tyrion, que até então era um gênio político e estratégico, algo que seus irmãos nunca demonstraram ser (ao menos, não no nível dele). Além disso, essa série de vitórias consecutivas é muito repentina, considerando que os episódios anteriores tinham estabelecido o quanto os Lannisters precisavam desesperadamente de aliados e recursos (e é melhor nem comentar a questão da frota de Euron, que viaja na velocidade da luz).

Ao menos, acabamos tendo a chance de ver bons momentos de ação nas sequências de Rochedo Casterly e Jardim de Cima, e Olena Tyrell se despediu dignamente como se podia esperar da personagem. É uma pena saber que não escutaremos mais as alfinetadas sarcásticas e sinceras da matriarca vivida por Diana Rigg, mas Game of Thrones parece disposta a se livrar de todos os núcleos que já não são mais essenciais para a trama. Também foi acertada a decisão de não mostrar a personagem morrendo na tela: seu último ataque verbal contra Jaime, confessando o assassinato de Joffrey, foi um momento catártico e apoteótico para encerrar o episódio da maneira certa.

Resta agora saber como Daenerys irá reagir a esse novo golpe na sua campanha, agora que só tem os seus três filhos e cavaleiros Dothraki. Considerando que o último conselho de Olenna foi o de “tornar-se um dragão”, receio que a resposta não será boa para ninguém. Em contrapartida, com o fim dos Greyjoys, Martells e Tyrells, isso poderia deixar a Mãe dos Dragões a considerar melhor as propostas de Snow.

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O episódio ainda encontrou tempo para interações interessantes: vimos Melisandre se despedindo temporariamente de Westeros, mas prometendo não só retornar como até mesmo morrer nessa terra estrangeira, assim como Varys Também vimos Theon ser resgatado e, ao que tudo indica, continuar a cumprir sua função como o saco de pancadas da história, considerando a maneira fria como foi recebido pelos seus próprios soldados. Também tivemos o retorno de Mark Gatiss (Sherlock) como Tycho Nestoris, o representante do Banco de Ferro, numa trama que parecia ter sido esquecida desde a quinta temporada e que finalmente foi resgatada pelo roteiro. Tenho minhas duvidas se o Banco continuará apoiando os Lannisters, mesmo com todas as promessas de Cersei.

Na Cidadela, a situação de Jorah não só se encerrou de uma maneira anti-climática (era “só” esfolar a pele contaminada e passar um unguento?) como não disse a que veio. Caso os personagem se reencontrem no futuro, tomara que Sam entregue a sua espada de aço valiriano para o sobrevivente da doença.

Tirando os prós e contras, The Queen’s Justice foi mais um ótimo episódio e com um ritmo mais apressado, que ainda encontra tempo para vários personagens. A guerra está avançando e um ponto sem volta está próximo.

16 respostas para “Crítica | Game of Thrones avança em passos largos com 7×03: The Queen’s Justice”

  1. Rafael disse:

    “Tenho minhas duvidas se o Banco continuará apoiando os Lannisters, mesmo com todas as promessas de Cersei.” A batalha contra os Tyrell tinha como objetivo se apossar dos grãos e das minas de ouro, para poder alimentar as tropas Lannisters(alem de cortar suprimentos dos inimigos) e pagar a divida com o Banco de Ferro, além é claro, de eliminar os últimos aliados de Daenerys, ja q os Greyjoys e Dornianos ja foram derrotados.

  2. Leo disse:

    Mas Dorne ta inteirinha la… isso que acho estranho, matam as serpentes e a Ellaria, e tratam como se nao tivessem mais exercitos dornenses. Quem ta no poder la agora? E quem essa pessoa vai apoiar? Acho um baita furo se nao abordarem isso. Lembrando q Dorne nao participou de nenhuma batalha ainda, assim como os Arryn, ou seja, tem um dos exercitos que mais podem fazer a diferenca!

  3. Raphael Pinheiro disse:

    O exército dornês estava a serviço de Daenerys, e até onde entendi foi escurraçado junto com os Greyjoys no capítulo anterior. Ou pelo menos bastante reduzido. Acho difícil que a essa altura os showrunners ainda queiram introduzir novos personagens a título de “novo comandante de tal região”, já que a conclusão é iminente.

    Quanto ao exército dos Arryn – cavaleiros do Vale – foram fundamentais para a vitória na Batalha dos Bastardos, lembra? Estão em Winterfell.

  4. Gleysson Paulo Oliveira disse:

    Concordo sobre o exército Arryn, mas, acho que o ataque aos Greyjoy e consequente captura/morte das Serpentes, aconteceu antes dos barcos chegarem a Dorne… já que a Elara fala que qdo chegarem irá oferecer um vinho melhor.

    Além disto, outro caso não citado no texto, mas, que parece fazer sentido, e’a profecia que diz que a Daenerys iria sofrer 3 traições… Como o próprio texto diz, os gêmeos Lannister’s nunca foram geniais como Tyrion e o plano dele realmente era muito bom. É bastante estranho eles estarem tão preparados assim a ponto de imporem derrotas acachapantes e enfraquecerem tanto a Daenerys. Parece que alguém andou dando com a língua nos dentes.

    Por exemplo, além de atacar, de que outra maneira, os Greyjoys (do lado do Euron) saberiam exatamente quem procurar no barco pra levar de presente pra Cersei?

  5. Raphael Pinheiro disse:

    A minha teoria anterior baseou-se na brigada que atravessou o Mar Estreito para Westeros, mostrada no season finale anterior: havia bandeiras Greyjoy, Tyrell e Martell. Na minha cabeça, o volume de navios e as representações ilustravam já a aliança das 3 casas. Mas seu raciocínio faz sentido e GoT não é isenta de furos, então nem sei se dá pra dizer que uma teoria é mais certa que a outra!

    A traição interna no time Daenerys realmente é uma possibilidade, mas de onde viria? Acho que o Varys foi sincero em sua defesa e não vejo Tyrion ou Missandei como possíveis vazadores de planos. Sobre o ataque de Euron no barco, a impressão que tenho é que existem muito poucos segredos em Westeros, e se ele (que foi um personagem recluso a série toda) sabe que Cersei e Jaime são um casal, provavelmente com alguma pesquisa saberia que a filha da rainha morreu por atentado na saída de Dorne. Afinal ele buscava uma barganha com ela, dava pra correr atrás. Mas como falei antes: não acho que a série vá perder tempo querendo justificar coisas assim com detalhes.

  6. Gleysson Paulo Oliveira disse:

    Então… tbm não sei de onde poderia vir, mas, não vejo outra explicação. Aparentemente todo mundo sabe que eles são um casal e ele, estava procurando o “presente” da Cersei, mas, os homens dele, chegarem ao barco, sabendo quem elas eram e capiturar as 2. A Elaria falou na cara, pra matarem as 2 e ficou claro que eles sabiam quem elas eram. Minha questão é…

    Elas teoricamente tinham acabado de sair de Dragonstone no barco, como o Euron e seus comandados poderiam saber que elas estavam naquele barco. Mesmo a preparação em Castlery Rock e a “emboscada” posterior aos barcos que levaram os unsulied, parece muito bem premetidato. Como se conhecessem o plano.

  7. Ana Maria Ballardin disse:

    SOBRE EURON ATACAR O BARCO COM AS DUAS…ERA A NAVE CAPITÂNEA…E CONVENHAMOS…EURON CONHECIA MUITO BEM A FROTA…OU NÃO???

  8. Ana Maria Ballardin disse:

    SOBRE CERSEI E SEU IRMÃO…BEM…EURON PARECE QUERER MUITO UM LUGAR QUENTINHO NA CAMA DELA…ISSO JUSTIFICA???

  9. Ana Maria Ballardin disse:

    SOBRE JORAH E A PELE ESFOLADA…SIMPLES…TEM TERIA A TENACIDADE…VIGOR…E DISPOSIÇÃO PARA AGUENTAR AQUELE SOFRIMENTO??? OUTRA COISA…ALGUÉM SABE O QUE FOI COLOCADO A MAIS NO UNGUENTO??? KKKK…AGUENTEMOS…

  10. Gleysson Paulo Oliveira disse:

    Concordo que ele conhecia bem a nave capitânea, mas, tive a impressão que os homens dele tinha ordens claras pra capturar as 2 e não matá-las. Sem informação interna, não havia como saber que as serpentes estariam lá.

  11. Ana Maria Ballardin disse:

    CERTO, SÓ QUE AGORA ESTÁ TUDO CORRENDO MUITOOOO DEPRESSAAA E PODE COMEÇAR A PERDER O SENTIDO… AFINAL…OS ESPIÕES DEPENDEM DE CORVOS E PÁSSAROS PARA ENVIAR AS MENSAGENS E CONVENHAMOS…TUDO É MUITO LONGE…ENFIM…SÃO HIPÓTESES…

  12. Leonardo Damaso disse:

    Esse lance do barco. Comentei no ep 2. O povo falando q viajou na velocidade da luz, pior foi acerta o barco (principal).

  13. Anderson dos Santos Lima disse:

    A cura da escamagris foi ridícula… uma doença praticamente incurável, foi curada em 1 noite? kkk

  14. Bruno Xavier disse:

    Esse problema de noção de tempo sempre esteve presente em GoT, concordo que Euron embora interessante, vem incomodando com essas aparições mágicas e estratégicas, mesmo que já tenham justificado na série como ele sendo o melhor navegador e tals, mas enfim, entendo como um recurso dado a agilidade com que as coisas estão acontecendo.

    Com relação a Jon e Dany realmente não mediram esforços e foram direto ao ponto, me surpreendeu, mas foi o certo mediante o ritmo dessa temporada sem enrolações pra quê guardar o encontro sendo que ainda teríamos um grande desfecho ao final do episódio. O ship Jonerys me pareceu mas vivo que nunca, pobre Jorah.

    Sobre o Jorah é um tanto caído que tenha sido resolvido de uma maneira tão fácil a temível escamagris, mas faz sentido na urgência de resoluções da série, além do mais, como já fora mencionado creio que pelo Sam que há muito conhecimento na cidadela no entanto sem por em prática, o que é totalmente aceitável como argumento, é bastante plausível que vários daqueles senhores apenas detenham o conhecimento pra sí, sem por a teoria de fato em prática, deve-se considerar que o Sam também estava arriscando a própria vida numa experiencia fundamentada em teoria e com poucos resultados efetivos, então não foi apenas ler um livro, o Sam foi humilde. Se fosse assim todos poderiam abrir um restaurante Gourmet, você tem que ter o entendimento do que está fazendo para o fazer bem feito.

    Já Cersei com o Banco, ela conseguiu assegura-lós com a conquista de Jardim de Cima (Já que os Lannisters estavam falidos, logo os Tyrell se tornaram a família mais rica de Westeros) e a boa campanha de guerra vem lhe dando mérito. Enquanto a estratégias políticas é bom lembrar que a Cersei já está no jogo a um bom tempo -Por mais que seus filhos tenham estado no poder ela sempre tomará as rédeas mediando várias situações-, então eu diria que ela está no mesmo nível de Tyrion. Tanto que ela previu a estrategia do irmão na tomada de Rochedo Casterly junto com Jaime a quem provavelmente lhe cabe o mérito. Fora que ela estava estocando fogovivo muito antes que o próprio irmão pensasse na existência de tal elemento como defesa de combate.

  15. Raphael Pinheiro disse:

    Faltam 10 episódios pra série acabar. É muito fato importante para ficar perdendo tempo com trajetória de corvo, navio singrando trazendo gente pra lá e pra cá, tratamento médico sendo acompanhado ao longo de episódios. Acho que o pessoal deveria se acostumar e curtir o que está rolando.

  16. Ana Maria Ballardin disse:

    É ESTRANHO NÉ???!!! O TEMPO ESTÁ CORRENDO MUITO RÁPIDO NA SÉRIE…MAS NÃO É ASSIM…É CLARO…MAS ESQUISITICES IRÃO ACONTECER….

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