FOTO: NBC/UNIVERSAL

Por: Bruno Carvalho

Crítica | The Good Place é a melhor série no ar hoje!

Não, eu não estou dizendo que The Good Place é a apenas a melhor comédia no ar (também é), mas sim a melhor série no ar. E quem assiste sabe que dizer isso não é um exagero. Criada por Mike Schur (Parks and Recreation), a sitcom de câmera única da NBC estrelada por Kristen Bell (Veronica Mars) e Ted Danson (Becker) inicialmente começa despretensiosa, contando a história de uma jovem chamada Eleanor. A moça levou uma vida inconsequente e desregrada, sem qualquer compaixão com aqueles à sua volta e, ao morrer, acabou indo parar no Paraíso, aqui chamado de “Lugar Bom”, devido à uma falha no sistema meritocrático desenvolvido pelo comandante do local, Michael. Esse intrincado sistema indica quem merece de fato estar ali fazendo uma soma/subtração de todas as ações boas e más de cada indivíduo.

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Assim, a primeira temporada da série, inteira disponível no Brasil pela Netflix, mostra a adaptação de Eleanor no céu, cheio de regalias e desejos atendidos imediatamente pela assistente Janet, uma espécie de Siri do além que também detém todo o conhecimento disponível no universo.

É no “Lugar Bom” que Eleanor também encontra o professor de ética Chidi, a filantropa Tahani e o monge Jianyu, que passam a ser suas companhias nessa nova jornada. Dotada de um humor rápido, ácido, crítico e que não perdoa absolutamente ninguém, The Good Place teve uma primeira temporada magistral, com direito a uma reviravolta antecipada por quase ninguém e que a colocou imediatamente no topo da lista de séries de 2016.

[A partir daqui abordarei a reviravolta do episódio final da primeira temporada. Se você ainda não passou por ele, pare o texto, assista e volte aqui. Me agradecerá depois]

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Mas algo não estava exatamente certo no tal “Lugar Bom“…

Desde que chegou no céu, Eleanor apenas enfrentou problemas, seja com o fato de ter que esconder sua identidade, seja com seus pares (incluindo Jianyu, cujo nome era Jason e se encontrava na mesma situação que a moça e, especialmente, com a insuportável Tahani). Para o espectador, tais conflitos são naturais e o que move qualquer narrativa. Não existe drama ou comédia sem isso e é talvez por esta razão jamais suspeitamos a enorme virada que a série estava planejando desde o momento em que o primeiro crédito subiu.

Além de inteligentemente trazer cliffhangers em todos os capítulos (um feito que muitos roteiristas dramáticos não conseguem fazer com tamanha frequência), Schur e o time de roteiristas trabalharam em um dos maiores “long cons” (plano ardiloso de longa duração) da TV recente. [novamente, se ainda não assistiu, pare aqui.]

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Eleanor, Chidi, Tahani e Jason na verdade estavam todo o tempo no inferno ou, como preferirem, no “Lugar Ruim”. Tudo fazia parte da decisão do “demônio” Michael de encontrar uma nova forma de punir os humanos, utilizando a tortura psicológica. Michael é de uma corrente minoritária no “Lugar Ruim” que entende que tais dano são muito mais eficazes.

Assim, ele criou um “simulacro” do Paraíso e construiu uma realidade que, embora aparentemente boa, foi desenhada com o único propósito de infligir dor mental. The Good Place poderia muito se perder em sua segunda temporada, já que a virada foi feita, mas a série está sabendo – a cada episódio – aprofundar ainda mais em discussões éticas e morais.

É uma verdadeira aula de filosofia, com direito a dilemas teóricos, práticos, e até mesmo discussões que misturam Kant com Katy Perry. Tudo isso, claro, sem perder o humor afiado e uma absurda quantidade de referências e pequenas rimas narrativas extremamente bem construídas. É uma série planejada e executada em diversas camadas, com personagens complexos devido ao seu estado emocional ou à sua origem (Michael é um demônio, Janet é uma espécie de sfotware e por aí vai).

FOTO: NBC/UNIVERSAL

Certo é que na 2ª temporada estamos mais atentos e, após mais de 800 tentativas de fazer seu plano dar certo – afinal Eleanor (e às vezes até Jason) acaba descobrindo a verdade -, Michael é confrontado pelos outros “demônios” e decide abrir o jogo para seus “torturados” e troca de lado. Mas será que tudo isso não é uma fachada? Estaríamos diante de uma nova reviravolta? É possível que sim, é possível que não (afinal a série já indicou no episódio 2×05 que Michael pode estar fazendo jogo duplo).

Independente do que seja, essa é uma sitcom deliciosa de assistir, independente de cliffhangers, reviravoltas ou o que for. Kristen Bell, Ted Danson, Jaeela Jamil, D’Arcy Carden e Manny Jacinto foram um elenco absolutamente em sintonia, como há muitos anos não vemos acontecer na TV

The Good Place é a prova incontestável de que uma excelente comédia não precisa ser idiota, rasa ou superficial. Não há hoje drama mais inteligente ou comédia mais engraçada na TV. Afinal, você pode gargalhar ao mesmo tempo em que questiona, por exemplo, como nossas atitudes podem influenciar a vida dos outros e até mesmo a moralidade de nossos atos no dia a dia.


8 respostas para “Crítica | The Good Place é a melhor série no ar hoje!”

  1. Magnosama disse:

    Incluir Manny Jacinto como ponto forte da série já joga todo o texto no descrédito.

    Um dos piores atores de todos os tempos. Sempre que entra em cena derruba a série.

  2. Rafael Mattos disse:

    “Não há hoje drama mais inteligente ou comédia mais engraçada na TV. Afinal, você pode gargalhar ao mesmo tempo em que questiona, por exemplo, como nossas atitudes podem influenciar a vida dos outros e até mesmo a moralidade de nossos atos no dia a dia.”

    Você quis dizer: BoJack Horseman.

  3. Claus by the Wind disse:

    exagero, ele pode ser ruim em outros papéis, mas o que é exigido do Jason ele encaixa perfeitamente.

  4. Tiago Melchior disse:

    “A melhor série no ar” é um tanto quanto forçado. Mas até que é boa.

  5. Kim Potter disse:

    Não acho q é a melhor série no ar, mas é realmente mto mto boa! Sempre indico pra todo mundo.

  6. ralves58 disse:

    Concordo com os que disseram que nao chega a ser a melhor série no ar, mas que é mesmo muito boa… Mas o que eu quero comentar é que eu sempre fico um pouco estupefacto quando um critico pega uma serie que meramente leva a trama com bom humor e chama isso de “melhor sitcom”.

    Po, IMHO melhor sitcom tem que me fazer gargalhar a cada 2 ou 3 minutos *no maximo*, como ocorre atualmente com Mom (e ocorria antigamente nos primeiros anos de The Big Bang Theory, ou em Frasier, Seinfeld, Friends e The Nanny, para citar algumas outras que eram uma metralhadora giratoria de piadas). Series como The Good Place no maximo provocam um leve sorriso, nada de gargalhadas… E nem os produtores parecem querer levar a coisa para o lado da comedia, porque quando voce assiste aos episodios extendidos, percebe que o que eles mais cortaram no episodio finalizado — para caber nos 22 minutos do formato — foram exatamente as piadas).

    (mas humor é mesmo algo muito pessoal, claro…)
    .

  7. Thiago Freitas disse:

    Não acompanhei a carreira do cara, mas acho que ele mandou muito bem como Jason, só de olhar pra cara dele tenho vontade de rir!

  8. RAY GAMES disse:

    kkkkkkkkkkkkk isso e brincadeira melhor serie ? kkkkkkkkkkkkk cara teve ter bebido bastante ou ganhado muito por isso!

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