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Por: Bruno Carvalho

Jessica Jones, me ajuda a te ajudar

[contém spoilers] A primeira temporada de Jessica Jones é, pra mim, a melhor das séries da Marvel/Netflix. Ela nos apresenta a uma personagem forte e possui uma temática relevante, falando de empoderamento feminino e abuso, notadamente através das ações – muitas vezes com micromachismos – do vilão Kilgrave.

A 2ª temporada, que estreia longos três anos após o debute da heroína na TV, até começa bem indicando que focará sua narrativa por meio da descoberta de Jessica acerca de seu passado e como adquiriu seus poderes. Os cinco primeiros episódios (curiosamente os únicos que a Netflix mandou com antecedência à imprensa) também dão destaque e oportunidade de crescimento aos personagens Malcom e Trish, e sabiamente descarta aquele pesado filtro roxo.

Mas após o primeiro ato, a série sai completamente dos trilhos e não volta. A partir do sexto episódio o que temos é uma sucessão de absurdos do roteiro que, querendo estabelecer a mãe de Jessica, Alisa (fazendo um anagrama sem sentido com ‘Alias’), como a grande vilã da temporada, acaba criando uma trama que jamais se sustenta e, pior, faz com que diversas personagens já estabelecidas (Jeri, Trish, Malcom e a própria Jessica) tomem decisões que não fazem o menor sentido lógico.

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Assim, em vez de focar no passado de Jessica, o texto de Brian Michael Bendis e equipe foca todas as suas atenções na “vilã”, ignora a história de origem da heroína e passa a estabelecer um vai-e-vém de motivações torpes nas personagens, apenas para preencher tempo nos inchados 50-60 minutos de cada um dos 13 episódios, número exagerado.

Jessica Jones, assim como todas as demais séries de heroi da Marvel, se beneficiariam muito mais de uma encomenda de capítulos menor – entre 6 e 8, no máximo – evitando que os realizadores precisem dar tanta volta pra chegar a lugar algum no final, quando ninguém mais dá conta de continuar assistindo.

Lá pro nono ou décimo capítulo, já não sabia mais quem estava de qual lado, se Trish virou má, se Malcom traiu Jessica, além de não entender nada acerca daquele arco imbecil com Jeri e sua doença, que não acaba em lugar algum. Isso sem contar na própria Alisa, que conseguiu o feito de ser a pior vilã das séries do gênero, logo depois de termos o melhor deles, Kilgrave.

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Aliás, a decisão de retornar com David Tennant no elenco só evidencia o quão desesperados os roteiristas estavam, pois suas aparições – através da memória de Jessica – não servem absolutamente pra nada além de encher linguiça, pois da mesma forma com que ele aparece, ele some.

Jessica Jones tem muito crédito depois da excelente primeira temporada, mas este segundo ano foi desastroso em todos os sentidos. A única coisa que sustenta a série é a excelente Krysten Ritter, que continua construindo uma heroína complexa e interessante, mesmo quando o roteiro não a ajuda.

Foi quase tão penoso quanto assistir a Punho de Ferro, confesso. Jessica merecia mais.

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