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Por: Redação Ligado em Série

“Robbin’ Season” reafirma a identidade e a genialidade de Atlanta

A grandeza de Atlanta mora nos detalhes. Já tínhamos essa noção considerando a primeira temporada da série, que trouxe episódios especiais como B.A.N e alguns easter eggs espalhados por aí. Os irmãos Donald e Stephen Glover construíram de uma atração que fala sobre diversos temas, mas ainda assim nada exclusivamente. Tudo está lá: a comédia, o drama, a crítica racial e social, o real e o surreal de mãos dadas. Atlanta consegue dizer muito não só através do roteiro, mas também por sua estética e, óbvio, a trilha sonora.

Na primeira temporada tivemos uma dose dessa genialidade e agora, dois anos depois de sua estreia, não é arriscado dizer que a série conseguiu lapidar ainda mais sua arte. O título da temporada, Robbin’ Season (algo pouco usual e utilizado recentemente apenas por Westworld), é a época que precede o Natal na cidade de Atlanta em que o número de roubos aumenta consideravelmente. A cidade fica com um clima pesado e de desespero, e em apenas três episódios da nova temporada isso fica bem evidente.

Tudo agora pode acontecer e tais situações de tensão, roubos e violência se tornam o fio condutor da grande história que a temporada está desenvolvendo, ao mesmo tempo em que acompanha a evolução da carreira do novato rapper Paper Boi.

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Enquanto sua identidade crítica se reafirma ainda mais, Atlanta também continua com seu jeito único de referenciar a cultura pop e o cenário do rap norte-americano. De certa forma, todas as situações são inspiradas em momentos vivenciados por Donald Glover – como ficou claro no segundo episódio, quando Earn é visto no escritório de uma empresa de streaming não identificada, da mesma forma que aconteceu há quatro anos com o próprio ator em uma visita ao Spotify.

Seja por sua própria experiência ou apenas pela sua excelente interpretação, a mente por trás da série é fiel ao universo que quer expor e apresenta isso com muita criatividade. Se determinado fato ganhou um mínimo de holofote dentro da indústria do rap, de alguma forma ela estará representada em Atlanta. Em 2016, por exemplo, uma mãe cristã sentou horrorizada na frente de uma webcam para ler cada palavra da música “Norf Norf”, de Vince Staples, o que é replicado na dramédia tornando Paper Boi mais famoso – tal qual aconteceu com Vince. Por essa pequena inserção ao início do episódio Money Bag Shawty, utilizando uma representação da função Stories do Instagram, podemos reconhecer mais uma vez a maestria de Atlanta não só para adaptar determinadas situações reais, como também para introduzir o mundo digital na narrativa.

E não é só isso. Glover faz referências a Chance the Rapper de forma cômica, trazendo assinaturas do visual do cantor como o macacão jeans e o boné em um de seus novos personagens, e também faz piada com os covers acústicos feitos por mulheres brancas no YouTube, além de usar lendas urbanas e memes como o Florida Man – que é um termo recorrente em notícias de situações bizarras que acontecem naquele estado. Isso sem contar a trilha sonora que tem grande papel na apresentação da trama como um todo. Cada pequeno aspecto que vemos na produção impacta positivamente no excelente resultado que é entregue.

Atlanta sem dúvidas conhece seu quadrado e sabe como quer explorá-lo neste segundo ano: sempre nos mínimos detalhes, de maneira sútil como o carro invisível do primeiro ano, fazendo sentido para o grande contexto em que está inserida.

A temporada de Atlanta Robbin’ Season estreia no Brasil em 30 de março no FOX Premium. A primeira temporada está disponível na Netflix.

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