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Por: Bruno Carvalho

Bom Dia, Verônica é uma série angustiante, relevante e absolutamente imperdível!

A função da arte se torna muito mais completa quando, além de entreter, ela fornece meios para que importantes discussões e reflexões sobre o momento em que a obra é produzida aconteçam. Esse é justamente o caso de Bom Dia, Verônica, nova série nacional da Netflix estrelada por Tainá Müller, Camila Morgado e Du Moscovis.

De forma simples, a trama segue os passos de Verônica (Müller) uma escrivã da delegacia da Polícia Civil de São Paulo que inadvertidamente se vê no meio de um caso que envolve um suicídio de uma mulher bem na sua frente e, ao investigar, descobre que por trás há um sujeito que dopa e rouba mulheres que ele encontra em um aplicativo de relacionamentos, sempre sob um pseudônimo. Isso a leva a outro caso, o de Janete (Morgado), que aparentemente vive um casamento pacato com Brandão (Moscovis), e que logo descobrimos que não é nada disso.

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Porém, mais do que a trama de thriller policial, a série produzida e escrita por Raphael Montes e Ilana Casoy com base no livro homônimo, serve para pintar um retrato acurado sobre os diversos tipos de violência que mulheres no mundo inteiro sofrem todos os dias, seja por meio das microagressões do dia a dia em relacionamentos ou no ambiente de trabalho, sejam as mais severas, que envolvem abuso moral, gaslighting, abuso físico, estupro e até mesmo a morte.

É nesse contexto que a escrivã se vê ao conhecer mais sobre Janete (interpretada de forma brilhante por Camila Morgado, com todas as nuances de uma mulher que sofre constante abuso), que é vítima de seu marido policial e psicopata (vivido de forma igualmente excepcional por Du Moscovis, que aqui tem o difícil trabalho de interpretar um vilão absolutamente asqueroso, mas sem jamais soar exagerado ou caricato).

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Bom Dia, Verônica mostra, ainda, não só o desenvolvimento destes dois casos policiais, como também a transformação visceral que a personagem-título percorre ao longo da fenomenal primeira temporada, à medida em que mergulha mais no submundo do machismo estrutural velado e descarado, que envolvem ainda até mesmo crimes de tráfego sexual de menores dentro da corporação em que dedica sua vida. Nesse sentido, ainda, é importante destacar o casting brilhante de Tainá Müller, uma atriz talentosíssima que vai de uma pacata escrivã até uma mulher decidida a fazer de tudo (mesmo) para impedir que tais crimes aconteçam.

Tecnicamente, ainda, o drama é irrepreensível, montado à perfeição, com imagens belíssimas de drones que captam a plural cidade de São Paulo, e também com câmeras “na mão” que sempre retratam a urgência e (muitas vezes, com uso da câmera subjetiva), o desespero de algumas das situações apresentadas que, ressalto, valem o aviso de gatilho e a discrição do espectador, tudo consubstanciado graças ao roteiro extremamente bem amarrado, coerente e com direito a reviravoltas impressionantes.

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Bom Dia, Verônica já estreia como a melhor série nacional já produzida pela Netflix e uma das melhores que nossa rica produção audiovisual já colocou ao público, não só por sua temática e função social, como também pela história que é instigante, viciante, revoltante e imperdível.

Quero a segunda temporada na minha mesa já, dona Netflix!

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