FOTO: MARVEL STUDIOS

Por: Bruno Carvalho

Shang-Chi e a Lenda dos Dez Aneis é um espetáculo sem precedentes da Marvel

Sabe aquela sensação indescritível que tivemos ao assistir ao primeiro Homem-Aranha (2003), Homem de Ferro ou Guardiões da Galáxia? Foi exatamente assim que deixei a sala de cinema após Shang-Chi e a Lenda dos Dez Aneis, novo longa da Marvel Studios que, este sim, coloca a fase 4 do MCU no trilho certo (ao contrário do enfadonho e decepcionante Viúva Negra).

O longa caprichosamente dirigido por Destin Daniel Creton (Luta por Justiça) conta a história do jovem chinês Shang-Chi (Shimu Liu, com um carisma nato), criado por seu pai Xu Wenwu (Tony Leung) em reclusão no interior da China continental e treinado, desde criança, em artes marciais junto de sua irmã, a negligenciada Zialing (Meng’er Zhang, impecável). Quando ele tem a chance de entrar em contato com o resto do mundo, ele acaba percebendo que seu pai não é o humanitário que dizia ser, vendo-se obrigado a se rebelar e, no processo, descobrir mais sobre o trágico legado de sua família.

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Já a lenda dos Dez Anéis diz respeito aos artefatos criados por uma raça alienígena Makluans, que foram descobertos por Wenwu nos destroços de uma espaçonave milhares de anos atrás e, desde então, ele os usa de forma discreta para garantir o poder e o controle de sua própria “dinastia” ao longo dos anos e criar um exército oculto próprio, que remonta até mesmo a certos eventos de Homem de Ferro 3. Em cada anel foi preso um guerreiro cósmico diferente e cada um confere com poderes únicos a quem os detém.

Ainda que seja uma história de origem, Shang-Chi já começa com uma cena de luta e perseguição em um ônibus impressionante, e a trama desenrola-se de forma não-linear (utilizando-se de flashbacks e flashforwards) que evitam deixar o filme esquemático e enfadonho, mantendo um ritmo invejável até mesmo para outros exemplares do mesmo universo.

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Abarrotado de sequências de artes marciais inventivas e marcantes, executadas à perfeição e que permitem ao espectador sempre compreender a geografia das cenas, o filme também é estruturado de forma que o público vá descobrindo, junto do protagonista e de sua divertida sidekick Katy (a sempre divertida Awkwafina), mais sobre os eventos que o levam ao inevitável confronto com seu pai.

Aliás, ponto alto de Shang-Chi, além de personagens muito bem delimitados, são as motivações tanto de herois e antagonistas, que jamais soam artificiais ou voluptuárias como a maioria dos vilões da Marvel, intensificando a conexão com o público e o investimento emocional na história, ainda que – diretamente – ela não tenha quase nada a ver com o que ocorreu até hoje no universo Marvel (o que mudará bastante daqui pra frente).

Provido de um design de produção espetacular, que foge de todos os padrões já estabelecidos por Kevin Feige (o multitalentoso Zé Boné), em especial nos longas “pasteurizados” como Homem-Formiga e a Vespa, trazendo junto uma homenagem maravilhosa à cultura chinesa e criando um mundo à parte, único e consistente. Melhor ainda, o “poder” de Shang-Chi não está limitado ao uso dos Dez Aneis (tanto que em boa parte da projeção ele não é utilizado por um motivo específico que optarei não revelar), mas que quando estão em cena trazem uma engenhosidade e elevam à “décima” potência as capacidades de seu portador.

Shang-Chi é um filme memorável e que entra para o rol dos melhores exemplares produzidos pelo estúdio Marvel desde o estabelecimento de seu universo compartilhado.

Nota: existem duas cenas extras, uma durante os créditos e uma ao final, ambas importantes para o que está por vir.

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