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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Succession retorna ainda mais brutal e imperdível em sua 3ª temporada

[Texto Sem Spoilers] Após dois longos anos, Succession retorna esta noite (17/10) às 22h para sua aguardadíssima 3ª temporada na HBO e HBO Max continuando a história da pitoresca família Roy e a briga pelo controle da holding familiar multibiolionária dona da Waystar | Royco, um dos maiores conglomerados de entretenimento do planeta. Os novos episódios (assisti a 7 de 9) retomam a narrativa no exato momento em que Kendall Roy (Jeremy Strong, cada vez mais à vontade no personagem) deixa a coletiva em que expõe os malfeitos do pai e agora rival Logan Roy (Brian Cox), iniciando uma batalha extrajudicial midiática e desgastante para todos os envolvidos.

Não que exista uma lado “inocente” ou “bom” em Succession. Absolutamente todos os personagens desta série são figuras maniqueístas, egocêntricas, covardes e egoístas – desde os centrais como Kendall, Logan, Shiv (Sarah Snook), Roman (Kieran Culkin), Tom (Matthew Macfayden, divertidíssimo) e Connor (Alan Ruck) até os coadjuvantes Greg (Nicholas Braun, em seu melhor momento no personagem), Gerri (J. Smith-Cameron) e Frank (Peter Friedman) -, o que torna este drama único, já que todos são antagonistas de todos o tempo todo.

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Como pivô de grande parte da trama está Kendall e sua falta de uma estratégia consistente (e genuína) para derrubar o pai: o herdeiro é uma figura que acha que está fazendo o bem com sua cruzada, mas está tão ou mais perdido que seus outros irmãos e agregados, todos sempre disputando a atenção de um Logan cada vez mais disperso e errático. Isso, por si, já é o suficiente para embalar momentos absolutamente lendários deste ano em Succession, em especial aqueles em que os quatro filhos estão juntos em num quarto cheio de brinquedos e, mais adiante, numa festa de aniversário remete à verdadeira dinâmica desta família disfuncional (e que é muito bem retratada na abertura): são quatro irmãos mimados com bens, dinheiro e luxo, mas que jamais tiveram o carinho do próprio pai.

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Os novos episódios trazem ainda passagens brutais que retratam o quão sórdido é esse universo, muitos envolvendo desdobramentos do ocorrido na divisão de cruzeiros (incluindo a designação da empresa para o que consideram “pessoas não-reais”) e outros por deixarem claro que a única lealdade dos Roy é com a manutenção de poder e status, algo que fica evidenciado em um emblemático episódio em que a família se junta para, num jantar de gala, escolher o próximo presidente dos EUA,como se estivessem o cavalo mais apto a ganhar a corrida pra eles, independente de visão política ou propostas de governo (e não duvido nada que na prática seja assim).

Fato é que Succession estabeleceu-se em duas temporadas como a melhor série no ar e este terceiro ano certamente a mantém neste posto, reorganizando alianças (algumas bastante inusitadas) e sem tornar-se refém de seu sucesso, pois apresenta, em cada episódio, novas e interessantes facetas desses personagens – com uma menção de destaque para o sempre imprevisível primo Greg – que amamos odiar ou odiamos amar.

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