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Por: Bruno Carvalho

Michael C. Hall sobre o fim de Dexter: “enfurecedor e insatisfatório, mas New Blood corrigirá isso”

Hoje é a noite e vai acontecer de novo e de novo pelas próximas oito semanas. Após um hiato de quase uma década e um indefensável final, Dexter retorna hoje com uma temporada inédita no Paramount+ e o serviço de streaming me proporcionou a honra de conversar com o ator, do qual sou fã desde que o conheci na excelente Six Feet Under da HBO. A série foi enorme numa época em que as redes sociais estavam começando a pautar a cultura pop e eu, aficcionado que sou, até dei um pulo na casa do personagem em Miami, quando estava por lá de férias nos idos de 2010 (!!!):

Em New Blood, reencontramos Dexter Morgan no mesmo lugar onde a série o deixou: no gelado interior do norte do Estado de Nova York, na fictícia cidade de Iron Lake.

Dexter está em uma nova vida, longe de matanças e vivendo discretamente, mas numa sequência de eventos inesperados, seu passado sombrio vem à tona e é aí que os novos episódios retomam esta história. É claro que não dá pra começar uma entrevista sobre a série sem mencionar seu controverso final e, para minha surpresa, Hall aborda o assunto com bastante franqueza:

O final [de Dexter] foi confuso, enfurecedor e profundamente insatisfatório para as pessoas. A gente não ouviu o Dexter falar no final e nós estávamos muito acostumados a ouvir ele. Ele não fez nada e não contou o que diabos estava acontecendo com ele. Simplesmente desapareceu, deixou crescer a barba e começou a derrubar árvores. E eu acho que isso é que foi bastante insatisfatório para as pessoas, especialmente quando boa parte das séries possuem um final de alguma forma conclusivo ou satisfatório. Foi isso que eu ouvi das pessoas e eu entendo [a frustração].

Mas não obstante a consciência do ator e produtor executivo da série sobre o desfecho anterior, Michael disse que New Blood vem num momento certo para “consertar” isso:

Embora a série tenha acabado daquela forma, ela acabou permitindo e preparando o terreno para esse retorno, e eu acho que desta vez nós poderemos, talvez, responder de forma mais contundente e definitiva à pergunta do que realmente aconteceu ou acontecerá com Dexter.

Era inevitável e até mesmo esperado que, diante do megasucesso que foi a série original, os executivos do canal Showtime e produtores da atração deixassem um final aberto para um reboot, que por anos foi cogitado e ventilado. Ainda que motivado primordialmente por razões financeiras, o retorno de Dexter parece que realmente corrigirá alguns dos problemas não apenas do “desfecho”, mas também das experimentações mal-sucedidas das quatro últimas temporadas que, para dizer de forma branda, estão bem aquém da qualidade das quatro primeiras.

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New Blood tem como seu maior trunfo, além, claro, do próprio personagem e a interpretação impecável de C. Hall, o fato de agora termos não apenas o personagem-título mais amadurecido, como também uma ambientação em um mundo mais consciente e transformado pelos intensos eventos da última década. Isso permite que a série explore novas possibilidades, sem que fiquemos com aquela sensação de que estão repetindo tramas com leves variações. Foi por isso, inclusive, que perguntei ao ator como foi retornar ao papel que o alçou ao estrelato global e o que ele fez para reencarnar o personagem:

Toda a preparação que fiz e todo o tempo que passei interpretando o personagem durante a série propriamente dita foi uma parte da preparação para esse retorno. Acho que desde o final, eu sabia que havia ao menos a possibilidade de voltar [a interpretá-lo]. Então, acho que em algum lugar dentro de mim, ele ainda estivesse ali ‘cozinhando’. Eu acabei envolvido no desenvolvimento dos [novos] roteiros, então a outra parte da preparação veio enquanto eu investia nessa nova história que estamos contando. Mas, no final das contas, eu tive que aparecer no set e pular de volta [em Dexter Morgan]. E quando isso aconteceu, eu descobri que ele não parecia um estranho para mim. Depois de todo esse tempo eu ainda tinha uma sensação intuitiva de quem e como ele era e é uma loucura considerar todo o tempo que passou. Foi um salto divertido e criativo de se dar.

Uma das novas e interessantes dinâmicas de New Blood, como já antecipado pelos trailers, é a chegada de Harrison. Na última vez em que o vimos, ele havia se mudado para a Argentina com a madrasta, mas de forma misteriosa surge em Iron Lake atrás do pai, o que garante certo ineditismo, como Michael comenta:

Foi bom ter demorado este tempo para o retorno [da série], pois isso permitiu vermos Harrison após ter crescido em abstinência do pai, e agora veremos como Dexter vai lidar com o fato de que seu filho não é mais uma criança, e sim um adulto que ele pode conversar de igual para igual.

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Por fim, Michael C. Hall deu a sua visão sobre a ética do personagem e como foi trazer ele de volta nesse novo contexto social:

Eu nunca nunca imaginei Dexter como uma série que defendia o estilo de vida de um serial killer. Ela certamente retratava alguém que estava assumindo a responsabilidade sindical em seu senso de ética totalmente perturbado pelos impulsos mais sombrios. Mas, sabe, acho que uma das coisas que Dexter está descobrindo quando nos reunimos com ele é que você não pode fugir do seu passado. E, de uma forma ou de outra, você o enfrentará. E acho que o encontramos em um momento em que ele está sendo forçado a encará-lo e acho que seu apetite por ter uma experiência humana mais autêntica da vida será bom [pra ele]. Mas isso não é algo que realmente anda de mãos dadas com a morte de pessoas. Eu acho que ele passou a entender isso no final da série original, e está, de certa forma, se penalizando de forma prolongada, depois que tantas pessoas próximas a ele morressem na mesma proporção em que ele estava matando bandidos. Então, pra mim a discussão sobre a ética da série é parte do que torna a experiência de assistir e considerar o personagem interessante.

Dexter: New Blood também tem no elenco Jennifer Carpenter (O Exorcismo de Emily Rose), Julia Jones (The Mandalorian), Alano Miller (Sylvie’s Love), Johnny Sequoyah (Believe), Jack Alcott (The Good Lord Bird), bem como John Lithgow e Clancy Brown (The Crown). A série é produzida pelo Showtime e conta com produção executiva de Clyde Phillips, Michael C. Hall, John Goldwyn, Sara Colleton, Marcos Siega, Bill Carraro e Scott Reynolds e estreia nesta segunda, 8 de novembro, no serviço de streaming Paramount+, que exibirá um episódio por semana. Assista à prévia abaixo:

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