The Batman é… Um filme do Batman
The Batman é… Um filme do Batman

The Batman é… Um filme do Batman

Avaliação: 3 de 5.

Digo logo de cara: The Batman não é um filme ruim, mas também não é nada excepcional, ainda mais para um trabalho em desenvolvimento por quase uma década e que por muito tempo só tinha o “The” de seu título como algo concreto. Ambientado (aparentemente) bem longe do universo recente e fantasioso do DCEU e mais próximo daquele visto em Coringa, o longa de Matt Reeves (Cloverfield) ancora esta iteração de Bruce Wayne (Robert Pattinson, Crepúsculo) dois anos após o início do “Projeto Gotham”, em que o bilionário decide incorporar a persona do homem-morcego (aqui, O “Vingança”) para fazer justiça com as próprias mãos numa cidade tomada pela corrupção e criminalidade.

Os pontos fortes: a narrativa de Reeves com seu colega Peter Craig (Bad Boys Para Sempre) adota um interessante tom noir dos filmes de máfia dos anos 20 e uma boa (porém desnecessária) narração em off de Pattinson, que cria uma versão bem realista do heroi. Assim, não temos o Batman estilizado das versões de Tim Burton e nem aqueles espetaculosos ou grandiosos de Nolan e Snyder (eu ignoro a era Schumacher de propósito aqui, pois aquilo é um delírio).

The Batman
WarnerMedia

O homem-morcego de Reeves é recluso, discreto, sorrateiro e possui armas e equipamentos quase rudimientares se comparados àqueles de suas versões pregressas e até uma distância emocional do seu fiel escudeiro Alfred (Andy Serkis). A escala do filme também é modesta, como se fosse uma espécie de “missão” menor vista nos ótimos games da franquia, já que a principal ameaça vem de um serial killer de importantes figuras na cidade, que adota a alcunha de Charada (Paul Dano), fazendo com que Batman precise navegar pelo sórdido mundo da politicagem podre de Gotham. Isso o faz ter interações com outros personagens clássicos como a Mulher Gato (Zöe Kravitz), o Pinguim (Colin Farrel, indistinguível), Carmine Falcone (John Turturro, competente) e, é claro, com seu parceiro na polícia, o sempre justo James Gordon (Jeffrey Wright).

Outro grande trunfo de The Batman é que, pela primeira vez em muito tempo em um filme próprio do heroi, não perdemos tempo precioso revivendo sua história de origem e a já batida cena do assassinato de seus pais. Uma pena, porém que mesmo com essa “economia” o filme é bastante inchado, com mais de 3 horas de duração, sem a menor necessidade. É aí que entram os pontos fracos.

The Batman
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The Batman demora demasiadamente para “engatar”, criando caminhos desnecessários e tramas que não levam absolutamente a lugar algum durante a caçada ao Charada. Além disso, é inquietante a quantidade absurda de diálogos terrivelmente expositivos, contrariando a regra básica do cinema (mostre em vez de falar), o que contribui para um filme em grande parte maçante e sem ritmo algum. Não gosto, também, da certa falta de identidade visual do longa. O design de produção é, sim, competente, principalmente e recriar uma Gotham mais gótica do que aquela vista nos longas de Nolan, mas jamais conseguem criar algo verdadeiramente memorável. Não há uma sequência de ação que seja marcante (não necessariamente numa grande escala). Ainda que mais contudo, um momento genuíno que possa distinguir The Batman simplesmente não existe e todas as principais cenas de destaque estão no trailer quase completas.

The Batman
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Por fim, e não menos importante, preciso falar dos vilões, que são todos decepcionantes. Colin Farrell, embora caracterizado à perfeição, faz do Pinguim um mero coadjuvante do burocrático Falcone de Torturo, até chegar no nada ameaçador Charada, que na verdade acaba sendo uma espécie de justiceiro mais “violento” que o Batman, já que ele faz mais pra ajudar limpar Gotham da podridão do que o próprio heroi do título. Com pouquíssimo tempo de tela, tanto Dano quanto Kravitz têm poucas oportunidades de compor suas personagens.

The Batman é um filme OK e mais intimista do Batman, e não há nenhum problema nisso. Poderia ser bem melhor? Claro, ainda mais considerando que este é claramente o primeiro capítulo de uma nova trilogia, graças ao seu interminável terceiro ato, que serve para estabelecer um teaser do que vem por aí. É um reboot da franquia que pode dar muito certo, mas precisarão mexer em muita coisa aí.