quarta-feira, abril 10 2024

Descendo as escadas da sala de cinema da pré-estreia de Invasão Secreta, pude ouvir tímidos comentários de alguns convidados que, como eu, passaram a última hora ali para conferir a nova empreitada de Kevin Feige e cia: “É, gostei do episódio…” “Parece que vai ficar nessa linha mais investigativa, né?“. Quisera eu que a Marvel tivesse tanta boa vontade no desenvolvimento de suas atrações quanto seu público tem ao assistí-las e tentar extrair algo de bom delas.

Mas nem a maior legião de boa vontade salva esse pavoroso primeiro episódio. Pode até ser que esta venha a ser uma incrível minissérie do MCU e eu tenha que admitir, mas não graças a esses 50 minutos iniciais. Bizarramente ambientada na Rússia dos “dias atuais”, Invasão Secreta – que estreia nesta quarta 21 no Disney+, traz Nick Fury (Samuel L. Jackson) descobrindo uma invasão (não tão) clandestina da Terra por uma facção de metamorfos Skrulls. Fury é acompanhado por seus aliados, incluindo Everett Ross (Martin Freeman), Maria Hill (Cobie Smulders) e o Skrull Talos (Ben Mendelsohn), que montaram sua vida na Terra. Juntos, eles correm contra o tempo para impedir uma invasão Skrull iminente e salvar a humanidade.

Numa narrativa permeada por seres que podem se transformar em qualquer um (heróis e vilões) e, assim, tudo pode acontecer, (quase) nada acontece. Pior, a série usa personagens que representam a xepa do universo Marvel e com os quais ninguém se importa, ainda que em meio a nomes de peso do entretenimento global como Olivia Colman (é até estranho ouvir a rainha de The Crown falando de Thanos e ‘blip’), Emilia Clarke (outra rainha aí) e um desperdiçado e esquecido Don Cheadle (como um mero aspone político), além, claro, do ótimo Samuel L. Jackson.

Não consegui identificar absolutamente nada em quase uma hora que fosse capaz de cativar até o mais entusiasta fã do selo ávido por novidades: a ação é mixuruca e limitada a meia dúzia de socos mal dados e a única tentativa de fazer humor fica numa rala piada sobre Fury e uma menção aos Vingadores. A desculpa é a de ser uma série “mais sombria” e “real”, mas de sombrio mesmo só a paleta de cores desnaturadas e o design de produção sem inventividade e com ar genérico. Ao longo de uma década e meia, já vimos que a Marvel pode surpreender e maravilhar, como no recente Guardiões da Galáxia vol. 3 e em ótimas aventuras televisivas como Loki e WandaVision, ou simplesmente decepcionar, como no horrível Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania.

Em Invasão Secreta, infelizmente, o skrull da Marvel mostra que está numa péssima fase e se apresenta em sua pior forma.