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Por: Bruno Carvalho

Dexter: Every Silver Lining

Em novo episódio, Dexter descobre mais sobre suas origens

dextersilverlinings Se no episódio anterior estava esperançoso de que a presença da psicóloga Evelyn Vogel podia representar uma boa virada de jogo para a série, neste Every Silver Lining veio o receio de que, mais uma vez, Dexter vai enterrar uma trama promissora embaixo das camadas de roteiro formulaico e repetitivo que tomou conta da produção na segunda metade de sua jornada. Embora tenha iniciado com uma excelente e inédita aparição de Harry no vídeo da doutora quando, ainda vivo, buscou a ajuda da especialista para entender o filho, o capítulo deixou transparecer que a influência da “co-criadora” do código moral de Dexter pode ser perigosa. Isso, como disse, repete uma das recorrentes fórmulas da série: a introdução de uma personagem amigável e que compreende o serial killer para, mais à frente, tornar-se uma ameaça que deve ser eliminada ou contida. Vimos isso acontecer com Lila West, Miguel Prado, Lumen Pierce e, recentemente, Hannah McKay. E mesmo sabendo fatos novos sobre sua infância e suas origens (ainda que isso tenha sido jamais ventilado em sete anos, o que é espaço para outra dissertação), Dexter Morgan apresenta-se cada vez mais unifacetado, distanciando-se da figura complexa que conhecemos nas temporadas iniciais.

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Prejudicada pela já terrivelmente expositiva narração – que não hesita em comentar os mais óbvios acontecimentos – a série segue pecando tanto no desenvolvimento de suas personagens, que nem a radical transformação de Deb, embora possível se fosse melhor trabalhada, soa crível. Além disso, os personagens secundários como Quinn, Batista, Masuka e cia. viraram verdadeiros figurantes de luxo, não trazendo consigo nenhuma trama relevante. Por fim, o “assassino da temporada”, que representa uma ameaça somente a uma personagem recém-introduzida e mal apresentada (Vogel), indica o quanto os roteiristas tornaram-se esquemáticos e presos a uma cartilha. Tem que ter e pronto. Caberia espaço para uma reviravolta se o malfeitor (ou malfeitora) da vez fosse um rosto conhecido, mas o ano com Travis/Gellar provou o quão ruim pode ser aguardar por uma revelação na série. Após um breve suspiro no bom capítulo de estreia, Dexter infelizmente voltou a ser o drama irregular que já nos acostumamos. Espero que o restante da temporada me prove errado.

2star

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