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Por: André Costa

Homeland: The Yoga Play

Quinto episódio da temporada continua levando a série para o buraco

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[Com spoilers do episódio 3×05] Estamos nos aproximando da metade da temporada e Homeland continua sendo uma bela campanha de como dar com os burros n’água. O quinto episódio, The Yoga Play, já começou errando ao não colocar os inexplicáveis devaneios do episódio anterior como sendo só um sonho ou fazendo as personagens voltarem no tempo para mudá-los. Mas piorou a situação ainda mais ao trazer para as tramas – mais uma vez – soluções fáceis cujas “reviravoltas” podem ser previstas apenas pela sinopse do episódio, levando o público a questionar seriamente a sanidade de todos os envolvidos com a realização da série.
Para não dizer que foi tudo um desastre, as cenas envolvendo Saul, ainda que desdenhando daquela coisa superficial chamada “fazer sentido”, tiveram alguns diálogos bem escritos e até inspirados em alguns momentos (“talvez eu devesse ter trazido a cabeça deles em uma estaca“). O que não justifica, claro, colocarem o senador Andrew subitamente como diretor da CIA só para agora Saul ter mais um obstáculo em seu caminho. Aliás, a impressão geral desta terceira temporada é a de que a produção vai jogando uns quebra-molas para a série não acelerar muito e terminar rápido – as tramas surgem, criam problemas e depois vão embora, jamais deixando um resquício na trama ou nas personagens.
Isso fica bem claro no momento em que Dana vê o noticiário no posto (noticiário que magicamente fala sobre ela e Leo nos 20 segundos que ela fica lá dentro) e de uma hora para outra para de gostar do rapaz por quem era apaixonada: a trama surgiu, enrolou por uns episódios e, quando não sabiam mais o que fazer com ela, resolveram de qualquer jeito, o que levou à tradicional cena de Dana chegando em casa fazendo biquinho e sendo julgada (cena essa que está a uma repetição de ganhar um disco de platina). É tudo muito fácil, muito preguiçoso (e, se vocês lembrarem, foi exatamente isso o que aconteceu com aquela história do atropelamento em que a pimpolha se envolveu).
The Yoga Play ainda entregou o obrigatório diálogo “Carrie, você não está bem, não está pensando direito“, porque aparentemente se não tiver uma variação disso a cada episódio o mundo acaba, e ainda fez a protagonista tomar a inexplicável decisão de ir atrás de dois adolescentes, mesmo arriscando comprometer uma operação em nível mundial – algo que vai contra tudo que sabemos sobre a Carrie. Não, Homeland, não dá para continuar escrevendo esses roteiros após uma overdose de tranquilizante para cavalos. E não adianta de nada tentar criar uma urgência com a câmera na mão e a montagem frenética se o conteúdo se limita a repetir as mesmas cartas marcadas que já vimos uma dúzia de vezes.1star

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