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Por: André Costa

Brooklyn Nine-Nine: Sal’s Pizza

Série continua acertando no alvo e mantendo a diversão lá em cima

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Não saiu um prato tão ao ponto quanto Old School, mas Sal’s Pizza, nono episódio desta temporada vitoriosa que Brooklyn Nine-Nine vem fazendo, mostra que a receita continua dando certo: não só consegue explorar situações casuais a ponto de torna-lás épicas ao extremo como abusa sem piedade da excelente química entre o seu elenco, construindo momentos de diversão insana e ótimas piadas ao longo dos vinte e dois minutos de duração. Pena que a trama envolvendo Santiago e Rosa poderia ser descartada e jogada na mesma lata de reciclagem onde largam seringas usadas e roteiros de filmes do Adam Sandler, mas não chega a estragar o gosto.

Jake Peralta continua em chamas e novamente é o destaque do episódio – o seu “encontro mais barato do mundo” é de uma neandertalzice tão brilhante que certamente entra para a lista de melhores encontros das séries. Além disso, sua dinâmica com Boyle está cada vez mais certeira, e a frequência constante com que alternam piadas confere um ritmo ágil à série (um bom exemplo disso é na cena em que Jake interroga Gino enquanto Boyle prova a pizza). Aliás, Brooklyn Nine-Nine parece ter pulado à frente de todos os adolescentes do mundo e encontrado seu caminho, utilizando os cortes rápidos da montagem para dar mais graças às piadas (inclusive os flashbacks, que, apesar de curtos, surgem de forma orgânica e inesperada no meio da balbúrdia). É a velocidade trabalhando em prol do humor.

Sal’s Pizza ainda brinda a galera com os costumeiros diálogos de sempre (“por que você daria doces a um bebê? Eles não conseguem escovar os dentes!“) – e como é bom ver roteiristas tentando tirar o máximo possível das piadas, ao invés de largar uma referência pop ali e ir jogar Candy Crush – e as já citadas boas atuações (algo que se torna um belo diferencial na pouco imaginativa trama envolvendo Terry e Gina, já que o contraste – não exagerado – entre a loirinha durona e um sujeito halterofilista histérico é o que deixa a situação engraçada). Ainda assim, aquela mistura de relaxante muscular com morfina estrelada por Rosa e Santiago é de uma presença inexplicável, uma vez que a trama está tão longe de qualquer tipo de inspiração que dá até a impressão de falta de ar. Não chega a comprometer o resultado final, mas, para uma série que mesmo quando não é engraçada consegue ser divertida, certamente é um tiro no pé.

4star

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