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Por: André Costa

Homeland: A Red Wheelbarrow

Poucos acertos e muita enrolação marcam o oitavo episódio da temporada

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A Red Wheelbarrow, a oitava empreitada de Homeland nesse caminhar trôpego que estão chamando de “temporada”, é a versão televisiva de uma prova com questões discursivas: há um ponto a ser abordado ali, mas ele não dura os cinquenta minutos necessários – assim, é necessário enrolar pelo que parecem ser oito séculos para preencher o tempo, fazendo com que o episódio se torne um amontoado de histórias irrelevantes escondendo a única trama realmente legal ali.

A vaca já arruma suas malas e se muda para o brejo logo no início, quando vemos Saul e Mira tentando retomar o relacionamento, mas sendo interrompidos porque ele dá muita atenção ao trabalho (algo que já vimos no primeiro episódio. Da primeira temporada). Até poderia ser algo pertinente, tirando o fato de que ninguém se importa com a Mira porque ela ficou menos tempo na televisão do que Are you There, Chelsea?. É uma relação que já soava batida e datada, com conflitos batidos e datados, quando ficava só de pano de fundo – agora que assumiu uma importância maior, soa forçado e irremediavelmente chato.

Da mesma forma, o tempo de Fara em cena é tão inexplicável que ela parece uma daquelas visitas que chega na casa dos amigos e já vai tomando conta. Certo, a relutância dela com as atitudes de Saul e Carrie no episódio passado foi importante para fortalecer a capacidade manipulativa de Javadi, mas OK, não precisava de mais. Ninguém jamais disse sequer um “bom dia” para a moça e de repente ela já surge com conflitos, problemas etc. O envolvimento do espectador na história é raso demais, superficial demais para que exista alguma identificação ali, ainda mais com essa versão ufanista de Romeu e Julieta (ela é de uma cultura, trabalha em outra, mas não pode, porque a cultura antiga isso, a cultura nova aquilo, bla bla bla).

Ao menos o ritmo de A Red Wheelbarrow é ágil, pulando de histórias rapidamente para que ninguém tenha muito tempo de odiar alguma coisa. Além disso, a narrativa principal, aquele de descer o sarrafo no cara que detonou a bomba e botar um McDonalds no Irã, é realmente envolvente: os agentes manipulam a situação, criam estratégias eficientes, realmente pensam à frente dos adversários e botam em prática planos bem desenvolvidos, que não são aquela coisa de “somos da CIA, então podemos fazer tudo” que se vê em alguns filmes de ação  – inclusive, muitas vezes nem tudo corre conforme o planejado e os caras precisam se virar, incluindo aí uma situação envolvendo um tiro que eu nunca achei que seria disparado. A trama política também flui bem, deixando o espectador curioso sobre a tal Ffase 2 e levando o episódio a um excelente gancho no final. Parece que Homeland começou a acertar em cheio nessa parte. Só precisava de menos Carrie grávida e coisa do gênero para deixar a receita no ponto.

2star

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