FOTO: REPRODUçãO

Por: Redação Ligado em Série

American Horror Story: Head

coven

Depois de patinar durante boa parte desta temporada com um roteiro que, ocasionalmente, apresentava furos e histórias desinteressantes, finalmente American Horror Story presenteou seus fãs com um episódio de encher os olhos. E não, não estou usando a conhecida força de expressão aqui. Chega a representar um curioso contraste o fato de que, em sua temporada mais fraca, a série entregue exibir um de seus melhores episódios, simplesmente porque resolveu abandonar por um momento os clichês que tanto preza, conseguindo ser tão tocante numa cena em que ao mesmo tempo foi chocante. E se por um lado a aliança assumida entre as duas forças representadas por Marie Leveau e Fiona Goode já era esperada por muitos, por outro ninguém imaginava nem remotamente as circunstâncias que levariam as duas a se unirem.

A cadeia de eventos que culminou na chacina das “bruxas negras” de Marie Leveau foi perfeitamente orquestrada; e nesse ponto, há que se parabenizar a montagem primorosa, bem como a decupagem eficaz do roteiro, que mantiveram um clima constante de tensão, como um prenúncio de que alguma desgraça estava por vir, como na cena em que Hank vai à mansão buscar seus pertences e nitidamente tenta se decidir entre matar a mulher que evidentemente ama ou enfrentar a ira da Rainha Vodu (mais tarde, descobrimos que ele criou uma terceira opção).

Hank, aliás, se mostrou um personagem bastante interessante (e transformar a profissão de caçadores de bruxas em uma empresa milionária bancada pelo governo foi uma ótima sacada do roteiro). Fica claro o fato de que ele se sente intimidado perante o pai, tentando agradá-lo a todo custo, recorrendo a improvisos no plano concebido por ambos para mostrar o seu valor. A cena que abre o episódio dá uma dimensão exata sobre pai e filho: enquanto este faz o que faz apenas porque se vê obrigado por um pai opressor, aquele tenta transforma-lo no filho que ele queria ter. Vale ressaltar também o modo eficaz como os sentimentos envolvidos na cena em que Hank e o pai dialogam na sede da empresa são retratados de modo a evitar diálogos expositivos: basta ver como o filho parece se encolher, suando profusamente quando conversa com o pai, olhando para a cicatriz que ele carrega; não precisamos que sua culpa seja evidenciada por meio de palavras.

Falando nisso, é interessante notar como a série vem se utilizando desse tipo de recurso não-verbal para explicitar o estado de espírito dos personagens. Se a mãe repressora de Luke parece ficar temporariamente relaxada ao descobrir em Nam um modo de se comunicar com o filho em estado comatoso no hospital, é notório como a mesma se torna apreensiva, aferrando-se à Bíblia que costuma carregar, quando percebe que o filho está descobrindo coisas sobre seu passado que ela preferia manter escondidas.

Mas foi mesmo a cena que fechou o episódio a melhor coisa da temporada até aqui. Disposto a se sacrificar ao entrar no território de Marie Leveau, Hank promoveu uma carnificina que deixou até mesmo a própria dona do lugar completamente estupefata. Como se a cena em si já não fosse marcante, a direção acertadamente utilizou uma câmera lenta que obedecia o compasso da trilha sonora magistralmente escolhida para a ocasião. “Oh, Freedom!” é a música que ilustra de modo perfeito a situação vivida por Hank, livre enfim do domínio da Rainha Vodu e Luke, que mesmo assassinado, finalmente se livra da vida de repressão em que sempre viveu. Paradoxalmente, torna Marie Leveau e Fiona Goode, ao menos temporariamente, presas uma a outra.

5star

Deixe uma resposta

ss