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Por: André Costa

Brooklyn Nine-Nine: Pontiac Bandid

pontiac bandid

Após salvar o Natal de todas as pessoas que receberam meias (ou DVDs de The Big Bang Theory) de presente com o excelente episódio Christmas, Brooklyn Nine-Nine entrou no tradicional hiato de fim de ano, retornando agora com este Pontiac Bandid – entretanto, provavelmente de ressaca das festas, a série acabou apostando em tramas pouco imaginativas e gags físicas pouco inspiradas. Assim, ainda que Pontiac Bandid abra a porta e deixe a diversão entrar em diversos momentos, fica aquém de outros episódios e do que essa equipe nonsense de policiais é capaz.

O principal momento onde Pontiac Bandid tira a cartinha “revés” do Banco Imobiliário é na trama que acompanha Boyle: apesar de ser legal ver que as consequências de um episódio não simplesmente desaparecem, a história se limita a ficar repetindo o quanto o sujeito é inconveniente ou nojento. Ou seja, logo a previsibilidade se torna a principal característica das cenas, tornando a trama nada mais do que um inconveniente a ser superado para chegar ao final do episódio – e mesmo a ideia de todos se esconderem na sala de evidências resulta em situações preguiçosas, sem nada que acione a particularidade das personagens (todas reagem mais ou menos da mesma forma às atitudes de Boyle).

Já a trama que acompanha Peralta e Rosa se mostra bem mais em forma e bem menos resultado de duas garrafas de champanhe no réveillon. Apesar do desfecho ser óbvio para qualquer pessoa que já assistiu a qualquer coisa remotamente policial, a participação especial de Craig Robinson (fãs de The Office, todos de pé) cria uma dinâmica meio estranha mas interessante com os dois policiais. Os galanteios dele para cima de Rosa com frequência surgem inesperados (como a reação à ameaça de ser atacado por um taser ou o momento onde diz “por favor tenha filhos comigo”), assim como a identificação juvenil e imatura com Peralta (que acaba resultando em uma encenação bastante épica de Fievel Goes West), oferecendo a Pontiac Bandid o ritmo ágil e a troca incessante de diálogos que a série faz tão bem (embora aqui a utilização da montagem não seja tão eficiente quanto em episódios anteriores). E é interessante notar que, mesmo tratando-se de uma comédia, há uma preocupação em tornar as situações mais críveis e plausíveis – logo no início da história, por exemplo, Doug já é apresentado como um ladrão de identidades, o que fecha muito bem com tudo que virá a seguir.

Ganhando pontos também pelo grande carisma do elenco, que – como de praxe – contracena com naturalidade e ajuda na imersão do espectador naquela realidade meio sem sentido nenhum, Pontiac Bandid por vezes cria cenas vitoriosas que fazem jus ao humor afiado da série (“o medo é afrodisíaco”, “só preciso de remédio porque a minha felicidade está fechando a minha garganta”, “1.000… são muitos flexões, nunca vou chegar a esse número”). Mas o resultado final acaba comprometido pelo andamento modorrento de algumas sequências. Sendo Brooklyn Nine-Nine uma série geralmente divertida e de humor envolvente, resta torcer para que essa ressaca de virada de ano não dure muito.

3star

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