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Por: Davi Garcia

Novo episódio de Sherlock equilibra mistério, emoção e muito humor

Sherlock 302

[com spoilers do ep. 3×02] Considerando o tom de Sherlock em suas duas primeiras temporadas (e, em menor escala, até mesmo o do capítulo que abriu o terceiro ano), esse “Sign of Three” foi sem dúvida o episódio que mais se distanciou do conceito que  conhecíamos até então da série. Sim, ele teve lá sua dose de mistério a ser desvendado, mas foi, na essência, um tratado (muito) bem humorado e até emocionante sobre o bromance entre Sherlock e Watson que sustenta a série desde o início.

Escrito pelo trio Gatiss, Moffat e Steve Thompson, o episódio investiu numa narrativa quebrada e intercalada por flashbacks, que se por um lado provoca estranheza num primeiro momento pelo ritmo e pela quantidade de informação que explora, por outro amarra tudo com singular eficiência graças às muitas e ótimas piadas (quero um spinoff com Sherlock e Watson bêbados já!) e à boa dose de emoção refletida no discurso trôpego do protagonista que homenageia o amigo à medida em que nos leva pelas histórias que cobrem o período passado entre o retorno de Sherlock e o casamento de Watson com Mary.

Sherlock 302 (1)

Aliás, dadas as muitas referências, talvez fosse prudente escrever sobre esse divertido “The Sign of Three” só depois de revê-lo para não deixar nada para trás, mas mesmo correndo o risco de fazer uma análise prematura e incompleta, dá para dizer de cara que, diferente dos episódios intermediários (que empalideciam frente o primeiro e o terceiro) nas duas temporadas iniciais, esse capítulo, mais que uma tentativa ousada de humanizar Sherlock Holmes através do importante evento na vida de Watson, foi também um lembrete de que antes de tudo, Sherlock é muito mais uma série sobre a relação desses dois caras do que sobre os mistérios que investigam.

Sendo assim, o grande acerto deste episódio foi imprimir um certo tom de intriga nas tramas que vão sendo reveladas pelos flashbacks, ao mesmo tempo em que aposta no humor – com piadas bobas, como a que envolve Lestrad nos primeiros minutos e mais elaboradas como aquela envolvendo Sherlock, já bêbado, fazendo uma investigação -, como base para evidenciar como a amizade de Watson fez Sherlock deixar de ser apenas o “sociopata hiperativo” (como ele mesmo se define)  para abraçar um lado mais humano que talvez negasse existir.

Sherlock 302 (3)

Levando em conta essa mistura, o episódio diverte e emociona ao explorar, pela interpretação mais uma vez inspirada de Cumberbatch, as nuances dessa mudança (e em igual medida a própria evolução da série que, ao que tudo indica, vai fugir da tentação de se acomodar numa fórmula) ao passo em que ele chega ao final deixando o protagonista vislumbrando – através da revelação de que Watson terá de fato uma família – o colapso daquele mundo pelo qual já estava acostumado e que representava um certo porto seguro para ele.

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E com esse quadro em mente, o momento em que Sherlock faz seus votos para John e Mary antes de abandonar a festa rumo à solidão daquele exterior, apontam também para a real possibilidade de um final de temporada bem mais sombrio e com um quê de ameaça (daquele personagem misterioso que surgiu brevemente no final de “The Empty Hearse“) e dúvida (Mary seria mesmo essa figura benevolente que vimos nesses dois capítulos?) que fatalmente devem tomar o lugar dos muitos risos fáceis proporcionados por este ótimo “The Sign of Three.”

5star

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