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Por: André Costa

Brooklyn Nine-Nine fica no mais do mesmo em The Apartment

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The Apartment é mais um daqueles epiódios de Brooklyn Nine-Nine que parecem produzidos por uma repartição pública: ainda que as premissas sejam interessantes em si, o desenvolvimento parece feito por pessoas que queriam acabar logo para olhar fotos de gatinhos no Facebook. Tudo bem, uma ou outra piada teimosa quebra a barreira da chatice e dá as caras, mas o resultado geral é tão sem sal que, quando dei por mim, estava jogando pimenta na tela para tentar melhorar as coisas.

A trama principal, que acompanha Jake e uma Gina inexplicavelmente sensata indo atrás de uma enorme quantidade de dinheiro (quem nunca?), se resume a basicamente mostrar como Jake é imaturo, desorganizado e inconsequente (quem nunca?) – e, mesmo que alguns exageros consigam surpreender (a banheira de correspondência), no geral o humor é comédiaromânticamente previsível (a cena do empréstimo no banco é uma evidência de que a imaginação foi assassinada). É a famosa trama de uma piada só, repetida ad infinitum porque água mole em pedra dura tanto bate até que fura.

Já a parte na delegacia, tendo mais personagens, consegue abrir espaço até para os (saudosos) diálogos épicos (“quero socar a boca dele tão forte que ele vai morder o próprio coração”) e momentos de humor realmente alucinado (Scully sob pressão). Mas sofre com as marteladas na questão da grande falha de Amy – e, ao contrário de Jake, as interações dela com Holt não costumam ser engraçadas – e na bizarra obsessão gastronômica de Boyle com as partes comestíveis do porco (mais um pouco e vira um argumento pró-vegetarianismo). Ao menos as cenas do detetive com Rosa são divertidas, aproveitando-se da dinâmica entre os dois para tirar The Apartment da modorrice total e injetar uma comédia mais eficiente, inclusive subvertendo a câmera lenta e o travelling de aproximação para criar uma cena hilária envolvendo barba e o famoso grito de “não!”.

O grande problema aqui é que o desfecho tanto dessa trama quanto a do apartamento são convencionais a ponto de vestirem a camisa pra dentro da calça: na primeira, a “vingança” das personagens é abortada ao descobrirem a vida trágica da vítima, obrigando a cena onde Boyle e Rosa precisam desfazer a armadilha que criaram (algo nunca antes visto na história da televisão); na segunda, Jake briga com Gina apenas para perceber que está brabo consigo mesmo e aceitar a solução dela ao final (o que podemos chamar de Conflito Dramático Pires: pequeno e raso). Já havia chamado a atenção para esses desfechos piegas e politicamente corretos quando escrevi sobre o episódio anterior, Full Boyle, mas The Apartment solidifica essa tendência – e pior, indica um vácuo de ambição por parte dos realizadores, que mantém a série estagnada apostando em ideias batidas e convencionais. Resta ver até quando o humor pontual e o ótimo elenco vão ter munição para manter as coisas divertidas.

2star

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