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Por: André Costa

Brooklyn Nine-Nine: The Party

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Assim como aconteceu com o episódio anterior, Operation: Broken Feather, este The Party coloca as personagens da série com suas características mais salientes (e seu modus operandi) em uma situação casual – e, como aconteceu com o episódio anterior, destila diversão ao construir momentos genuinamente engraçados e alternar entre eles com um ritmo dinâmico, em uma montagem que só pode ser definida como laureada. Infelizmente, também acaba caindo em um final ligeiramente previsível, ainda que não chegue a incomodar tanto por utilizar uma pista-recompensa pertinente para a solução de um mistério.

The Party não é um CTRL+C e CTRL+V de Operation: Broken Feather, no entanto. Aliás, longe disso: se no episódio anterior as características eram usadas para manipular divertidamente um sistema, aqui elas funcionam como um contraste ao ambiente no qual a policialzada se encontra. Por exemplo, frente à cambada de literatos e doutores e pessoas aparentemente presas em seus paletós, a reação de Jake e cia. é realizar uma reunião emergencial para designar tarefas a cada um e gritar sussurrando um brilhante “seja apropriado” ao final.

A partir daí, The Party fica pulando de trama em trama, sempre garantindo que o contraste entre o ambiente sisudo e o comportamento ensandecido dos policiais tenha resultados engraçados – uma abordagem que não é nova, certo, mas que tem bons resultados quando bem feita. Assim, se o flerte culinário de Boyle pode soar um pouco batido, logo as atuações elevam o nível de absurdo da situação a um ponto em que é impossível não rir, além de trazer momentos inesperados e de pura inspiração (“E eu sinto como se tivesse 40 anos de novo“). O episódio, inclusive, distribui diálogos vitoriosos como o telemarketing distribui ligações inconvenientes, criando pérolas como “Vocês não são gazelas!” e “Provavelmente é só um cubo branco e vazio com uma entrada USB para ele plugar seu dedo quando entra em modo de sono“. Brooklyn Nine-Nine e boas sacadas, uma das relações mais duradouras do showbiz.

Outro mérito de The Party é que consegue dar um senso de progressão à história, fazendo com que o comportamento fique cada vez mais maluco até o clímax envolvendo um sargento, dois detetives e um cachorro – o episódio consegue claramente mostrar que a situação vai crescendo até ali. Isso tudo dilui um pouco a solução meio preguiçosa e a jato do final, que amarra as pontas de uma forma um tanto “não to nem aí, sei lá, filma qualquer coisa”. Apesar disso, o “caso” resolvido por Jake se mostra muito bem amarrado, utilizando a já citada pista-recompensa com propriedade (percebam como as pistas são exibidas com importância o suficiente para o espectador se lembrar delas, mas sem destoar do resto para entregar sua função) para que a revelação seja interessante e, de quebra, dando um sermão corajoso na polícia de NY (de qualquer cidade, na real). O desfecho da festa ficou a desejar, mas, até ali, a diversão deu o tom ideal.

4star

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