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Por: André Costa

Brooklyn Nine-Nine: ‘Tactical Village’ recupera a diversão total da série

tactical village

Após errar feio o alvo com o mediano The Apartment, Brooklyn Nine-Nine jogou água na cara, acordou e decidiu fazer a coisa direito: Tactical Village, décimo-nono episódio da primeira temporada, é um esquadrão de piadas inspiradas e gags físicas de alto calibre, uma sequência dinâmica de nonsense bem desenvolvido para extrair o máximo de humor das cenas. Alguns momentos pontuais relacionados aos “conflitos dramáticos” são extremamente convencionais, é verdade, mas eles acabam obliterados pela diversão ensandecida que a equipe policial favorita do Globo de Ouro conseguiu fazer.

A grande sacada de Tactical Village foi colocar as personagens em um ambiente novo e repleto de ação, onde Jake pode mostrar todo o seu entusiasmo juvenil (“é como estar em um filme de ação!“) e as interações são sempre com um tom emergencial – lembrando que um dos grandes trunfos do humor de Brooklyn Nine-Nine são os cortes rápidos logo após as piadas, enfatizando as mesmas como uma “punchline”. Assim, temos o trem descarrilado de momentos engraçados na cena mostrando como se envolvem no treinamento (câmera lenta bem utilizada é sempre épica) e também diálogos como a genial orientação do sargento Terry para Scully (“Scully, quero que você não faça nada, só fique ao meu lado e diga ‘sim, sargento’“, “Ok, sargento“). Na verdade, os diálogos estão especialmente inspirados, desde os trocadilhos com as STDs até piadas que surpreendem por surgirem logo após uma piada aparentemente já finalizada (após Jake falar “Serra“, Boyle continua “Qual é o problema? A serra é a formação geológica mais sexy. Não, espere! Trincheira submarina“. Manja das coisas).

E surpreender é algo que Brooklyn Nine-Nine consegue fazer em Tactical Village. Até mesmo a trama envolvendo o Capitão Holt e Gina, que parecia só uma grande e desinteressante encheção de linguiça, consegue criar ótimos momentos com a forma controlada dele de tratar as coisas (o que torna ver o capitão falando “Kwazy cupcakes” automaticamente engraçado) ou um brilhante flashback envolvendo uma fila de suspeitos e uma obsessão videogamística. Assim o episódio mantém sempre um nível dinâmico e empolgado, construindo cenas divertidas em suas diversas tramas – o conflito entre Rosa e Boyle, por exemplo, tinha tudo para ser murrinha, mas acabou tendo cenas divertidíssimas (como ele sofrendo de dor e falando “posso sentir o gosto dos meus pensamentos” ou Rosa dizendo “Vou lidar com isso no meu leito de morte, para cair morta e ter a última palavra“).

O resultado final é extremamente coeso, usando bem inclusive o elemento que faz Rosa mudar de ideia quanto à conversa com Boyle (a rápida percepção de que ela não necessariamente ia poder falar no leito de morte) ou uma pista-recompensa que começa com uma gag hilária de Scully e termina resolvendo o treinamento. Como supracitado, as resoluções dos momentos mais “sérios” (Jake e Amy, Rosa e Boyle) são extremamente convencionais e fáceis, mas Tactical Village manteve a coisa tão alucinada o tempo todo que não chegou a incomodar. É bom ver Brooklyn Nine-Nine sacando suas melhores armas mais uma vez.

5star

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