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Por: Redação Ligado em Série

Crítica | The Strain 1×02: The Box

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Lembro bem quando há alguns anos comecei a ler Noturno, de Chuck Hogan e Guillermo Del Toro, e já no primeiro capítulo fui fisgada. Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi como toda a sequência do avião “morto” no aeroporto JFK, em Nova York, era descrita de forma bastante dinâmica e cinematográfica. Foi logo ali que me dei conta como aquela história estava pronta para virar um filme – o que não era nada muito inesperado considerando que um dos escritores tinha uma carreira de sucesso no cinema.

Mas The Strain acabou virando uma série de TV produzida pelo FX, e por um lado fiquei ainda mais feliz pelo fato de terem a plataforma certa para desdobrar esta ótima saga em algumas temporadas, e não apenas em algumas horas. Fiquei bem ansiosa com a estreia, e o piloto não me decepcionou. Manteve toda a tensão esperada para a sequência inicial, apresentou bem os personagens principais e alguns de seus conflitos e motivações, o elenco funcionou bem, os primeiros vilões apareceram e o mistério ficou pairando no ar, tudo com um ótimo ritmo (leia a crítica do editor Bruno Carvalho sobre a estreia da série).

No segundo episódio a série não perdeu o fôlego e já começou apresentando um novo e importante personagem: Vasiliy Fet (Kevin Durand, de LOST), o exterminador que trabalha no controle de pestes da cidade. Foi uma sequência eficiente para despertar curiosidade sobre esta nova figura com sotaque do leste europeu (tivemos apenas algumas pistas sobre seu trabalho), posteriormente complementada por outra que mostrou efetivamente seu tipo de atuação e um traço fundamental da sua personalidade: sua integridade.

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O episódio também se aprofundou um pouco mais nos problemas pessoais de Goodweather, principalmente envolvendo a guarda de seu filho, mas o ponto positivo é que isso não está sendo explorado de forma melodramática, apenas o suficiente para que se compreenda em que estado emocional se encontra o protagonista e que implicações isso tem ou pode ter no seu problema de alcoolismo (apresentado neste episódio), já que são questões pertinentes para o seu desempenho futuro, motivações e evolução enquanto personagem.

Por ser o segundo episódio, ele ainda segue em muitos trechos nessa linha de contextualização, como aconteceu com o núcleo de Gus Elizalde, seu irmão e sua mãe e com os jogos políticos envolvendo o CDC, que impossibilitam o correto andamento do trabalho de Goodweather. A cena entre o professor (e agora dono de uma loja de penhores) Abraham Setrakian e Thomas Eichorst na prisão foi bastante importante para compreendermos o longo histórico entre todos esses personagens (e não apenas entre Setrakian e o Mestre), e ressalto aqui o bom trabalho dos atores David Bradley (que também é o infame Walder Frey de Game of Thrones) e Richard Sammel por manterem o diálogo no tom certo, pois seria muito fácil cair na canastrice.

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No quesito maquiagem, efeitos especiais e pós-produção, ainda tenho alguns problemas, como tive com o piloto. Por mais que compreenda a dificuldade de acertar a mão na criação desse personagem ancestral, poderoso e inumano, ainda rodeado de uma aura de mistério, acho um tanto estranha a forma como o Mestre foi apresentado até agora, especialmente como ele se movimenta. Por outro lado, neste episódio ouvimos ele falar, e achei de acordo tanto a sua voz quanto os efeitos vocais e o seu modo de se expressar. E a cena em que Goodweather e Nora examinam um dos vermes sanguíneos, apesar de digna de filme trash, foi bem feita, assim como o apêndice que se projeta do maxilar das criaturas (grotesco no nível ideal).

The Box teve ainda um ótimo clímax nos seus últimos minutos com o encontro de Eldritch Palmer com o Mestre e logo após com a descoberta feita por Goodweather e Nora de que os corpos recuperados do avião desapareceram. O encerramento foi com uma bela e tensa cena com a menina na banheira e seu pai. Crua, mortal e sem piedade, ela mostra o tipo de perigo que já se infiltrou na cidade e tende a se espalhar, já que os corpos sumiram. Como também já vimos alguns dos efeitos da contaminação vampiresca no corpo dos quatro sobreviventes originais, introduzidos tanto de formas mais sutis (sangue no copo de água de Joan, menções aos zumbidos) como bem mais tensas (quando o rockstar Bolivar lambe o sangue do chão, os vermes que se mexem sob a pele do piloto), tudo indica, aos juntarmos todas essas peças, que a luta entre humanidade e vampiros está para começar.

4star

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