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Por: André Costa

Crítica | Gotham 1×06: Spirit of the Goat

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[Com spoilers do episódio 1×06] E lá vai Gotham se empanturrar novamente de soluções fáceis, roteiros furados e personagens banhadas em irrelevância. Spirit of the Goat mantém as mesmas características dos episódios anteriores, como se a série simplesmente tivesse engatado o piloto automático e saído para beber alguma coisa, e é cada vez mais difícil acreditar que vão conseguir fazer vinte e dois episódios disso (recém estamos no sexto e a impressão é de que todas as ideias já se esgotaram).

Talvez a crítica soe repetitiva, mas infelizmente é porque a série continua repetindo as mesmas bobagens. O maior problema é simples de identificar: não há nenhuma personagem remotamente interessante. Ninguém tem conflitos, ninguém mostrou ser realmente inteligente, realmente engraçado, realmente sedutor, nada. São apenas módulos de suporte para expor a história. E isso se dá em grande parte prque os episódios pulam as cenas de desenvolvimento para mostrar só os momentos-chave – aqui, por exemplo, vemos Gordon e Barbara se reconciliando e jamais nos importamos com isso, pois não presenciamos os desentendimentos, o estranhamento, o convívio, as diferenças. Apenas vimos uma discussão que surgiu sem propósito nenhum e Gotham conta isso como uma etapa, achando que pode seguir em frente a partir daí. A impressão é a de que o roteiro é um grande lista de compras de supermercado, “Eles brigaram? Ok, agora podemos passar para o corredor da reconciliação. Se reconciliaram? Ok, agora podemos ir buscar uma dificuldade para eles ali na parte das verduras”.

E a verdade é que desde o piloto tudo parece apressado, não há nenhum suspense ou drama porque as coisas acontecem de forma muito fácil. Por exemplo, Gordon e Bullock praticamente não precisam se esforçar para resolver crimes – algo escancarado por este Spirit of the Goat, já que a primeira pista deles (das empresas que trabalham com zeladores e etc) é a correta, deixando tempo para gastar em situações desnecessárias (a mãe do Pinguim e o ex-parceiro de Bullock, por exemplo, que deveriam oferecer algum momento dramático mas falham miseravelmente). Sem contar que, claro, o assassino é estúpido suficiente para armar seu esconderijo exatamente no mesmo lugar que seu predecessor. É sério. Não precisava nem ter investigação. Tudo que precisava era o bom senso de revisitar o lugar dos assassinatos anteriores só por descargo de consciência.

O que não é nada perto dos investigadores que, aparentemente brotando de alguma página do roteiro, imediatamente acham um mendigo de binóculo que viu todo o lance entre Gordon e Pinguim e confessa aos meganhas. Ok, a conversa dá a entender que eles estavam investigando a área por um tempo, mas só dizer não é o suficiente, é preciso mostrar. Quando Bullock diz à hipnotizadora “andei lendo sobre isso” e dispara uma explicação que resolve tudo, o roteiro está passando a perna no espectador: está inserindo um elemento vago que soluciona o problema, mas que não pôde ser assimilado pelo público, o que enfraquece o mérito do detetive e torna a trama mais estéril (se eu não vi ele lutar por algo, a conquista se torna menor). E cada episódio da série é recheado com esse tipo de decisão.

Mas fica bem claro que Gotham nada mais é do que um chaveiro do Batman disponível para as pessoas comprarem (conforme escrevi na crítica passada) quando, em uma cena envolvendo uma conversa que dura cerca de dois minutos, são utilizados nada menos do que onze enquadramentos diferentes. A velha tática de ir botando cortes na esperança de que o espectador não fique entediado, o que bota a série como resultado do processo industrial hollywoodiano, e não como uma obra buscando utilizar uma linguagem para criar algum efeito próprio, construir uma identidade para o seu universo.

Filmes e séries da Marvel e da DC miram um público bastante cativo e consumidor, os fãs. Entretanto, me ocorreu que Gotham não é uma série para fãs. Um fã poderia suspeitar que uma personagem recorrente e estranha chamada “Edward” talvez tenha a ver com o Charada. Uma pessoa com um pouco menos de conhecimento já saberia com certeza ao descobrir que o sobrenome dele é “Nygma”. Agora, uma série que coloca uma personagem recorrente, estranha, chamada Edward Nygma, que apenas em Spirit of the Goat tem sua relação com charadas citadas quatro vezes (sendo que em uma delas alguém literalmente fala “(…) vir aqui com suas charadas? Meu Deus, suas charadas idiotas“) e que toma café em uma caneca com um ponto de interrogação não é uma série para fãs. É uma série que duvida e muito da inteligência de quem está assistindo.

1star

8 respostas para “Crítica | Gotham 1×06: Spirit of the Goat”

  1. Christian Pinheiro disse:

    Eu estava observando e das pessoas que eu conheço, os realmente acha a série boa são geralmente aquelas pessoas que entram naquelas discussões sobre quem ganharia uma luta, que dizem que o Batman ganharia de qualquer herói…
    Eu só continuo vendo por causa do (jamais pensei que fosse dizer isso) Pinguim que dá show de como ser um filho da puta, porque aquela Mulher-Gato e o Charada me doem na alma…

  2. Fabiano disse:

    Acho que abandonei…

  3. rebeca disse:

    abandonei no episódio 3, tava insuportável. Pior que eu tinha tantas expectativas pra essa série =(

  4. Rapha-El disse:

    Esse episódio foi foda, uma pegada bem ao estilo Gotham Central, melhor até que o episodio Arkham. A história principal tá bem desenvolvida, não fica naquele lance focado só em caso da semana até quase metade da temporada, que eu particularmente odeio.

  5. Dylan disse:

    Até queria estar vendo essa maravilha que você está vendo. Mas…

  6. Thaís Fernanda disse:

    Vcs que colocaram expectativa demais p esse seriado, eu to adorando, talvez justamente por não criar expectativas exageradas que com toda certeza vcs fizeram, pq ne

  7. Ramirez disse:

    A´serie ainda ta se achando, é um terreno novo. Gosto da interpretação exagerada do maroni, o Bruce é rico, viu os pais morrerem, é esperto e não tem mais nada pra fazer além de ficar lendo aqueles monte de arquivos e descobrindo que tem jeito pra coisa. Odeio o E. Nygma, por mim ele nem tava alí, a Selyna é linda e uma hora arranjam algo pra ela fazer. É massa ver o Jim Gordon com aquela cara de medo, cara de novato. Pinguim também é caricato, mas uma pessoa com uma mãe daquela não podia ser normal mesmo, o veio caricato dele se justifica pelo fato dele não ser normal, Harvey ta começando a me ganhar, a Coroa lá tem hora que viaja que ta no teatro, mas tem as partes boas dela. Vou dar tempo ao tempo, sempre tem um detalhe que me agrada nos episódios. Bora ver se a galera acerta a mão.

  8. Anderson Lima disse:

    uaehuahehaeuahe Crítica bem bolada. Essa série precisa engrenar rapidamente.

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