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Por: Redação Ligado em Série

Crítica | Homeland 4×03: Shalwar Kameez

Episode 403

[com spoilers do episódio 4×03] Ao contrário de The Drone Queen e Trylon and Perisphere, que pisaram fundo no pedal da intensidade (seja na ação ou nos conflitos dramáticos), este Shalwar Kameez é mais cadenciado, arrumando as peças diante das novas circunstâncias que se apresentam. E o faz bem durante a maior parte do tempo, mas bate o joelho na quina da mesa algumas vezes e acaba ficando um pouco atrás de seus compatriotas de quarta temporada.

O episódio bebe o doce mel do sucesso enquanto acompanha Carrie chegando na embaixada e organizando suas equipes: é o início de uma operação e Homeland envolve o público na história ao mostrar a agente tendo que lidar com situações políticas (o bloqueio da embaixada) e operacionais (o seu time independente). A suspeita de que Sandy fofocava com terroristas parece ser a narrativa que vai guiar este início de temporada, mas Shalwar Kameez não se atira vorazmente na trama, se preocupando em dar credibilidade ao universo através de toda essa organização inicial – e a nada amistosa interação de Sandy com os habitantes locais gravita a história de forma natural, sem precisar de uma grande sequência para chamar a atenção.

Mais interessante ainda é o conflito de Quinn, que na maior parte das cenas soa genuinamente esgotado e perdido, sem saber o que fazer além de sentar no sofá e emular Charlie Sheen. Homeland mostra a dor do sujeito de forma sensível através da direção de arte (roupão, casa desarrumada) e da atuação contida de Rupert Friend, além de mantê-lo sempre, bem, não estando nem aí para a CIA. E Shalwar Kameez ainda tem espaço para ótimos momentos como a conversa entre Saul (que sutilmente mostra o quanto sente falta da espionagem ao adivinhar os passos de Carrie) e Carrie (que não consegue segurar um sorriso ao perceber que havia impressionado seu mentor) e a preparação de Fara para tentar arrecadar Aayan,  inclusive com a bipolar agente da CIA falando à jornalista que o plano envolve sedução (e reparem como, mais tarde, o encontro entre Carrie e o jovem é fotografado em planos muito mais fechados do que a reunião dele com Fara, conferindo uma atmosfera mais íntima, mais propícia ao contato).

Só que o episódio não consegue manter o nível e chama na derrota aqui e ali, principalmente quando, após apresentar os obstáculos políticos e operacionais que as personagens precisam enfrentar, acaba reduzindo as relações a intempéries amorosas (Saul com a embaixadora, Quinn com Carrie), como se de repente os roteiristas de Malhação tivessem invadido a sala e tomado a série de refém. Também incomoda que de novo estejamos assistindo ao espetáculo “Carrie contra o mundo”, uma vez que ela arranja inimigos no novo trabalho antes que alguém consiga dizer “dose de lítio” e fica meio repetitivo e forçado quando há quatro temporadas a principal consequência dos atos dela é irritar pessoas.

O pior, no entanto, é ter a sensação de que Shalwar Kameez funcionou como uma transição para deixar os (interessantes) conflitos para trás e engatar em um ritmo focado apenas em conflitos que podem terminar com explosões: o bebê de Carrie não é mencionado nenhuma vez e a pista que Quinn encontrou meio que alivia o seu remorso – não à toa ele aceita ir para a lua-de-mel com a protagonista no Paquistão no final das contas.  Vamos torcer para que não, mas o episódio indica que Homeland pode já estar descartando esses dramas levianamente para arranjar outros mais para a frente, exatamente como fazia naqueles negros dias onde a Dana participava da narrativa – e qualquer coisa relacionada à Dana nunca é bom sinal.

3star

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