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Por: André Costa

Crítica | Gotham 1×10: Lovecraft

gotham lovecraft

[com spoilers do episódio 1×10] Vamos analisar alguns fatos deste Lovecraft: uma testemunha é realocada por um detetive para ser protegida. Na mansão de um garoto. Cujos pais foram assassinados no que o detetive pensa ser uma conspiração – o mesmo assassinato que a garota testemunhou. A mansão não recebe nenhum tipo de proteção extra, e por que deveria?, já que ela só está abrigando duas testemunhas-chave do crime que horrorizou a cidade. Então, três assassinos profissionais descobrem que a garota está lá através de alguma mágica e invadem casa, mas Bruce e Selina conseguem fugir porque os três são incapazes de passar pelo Alfred. Três assassinos profissionais. Um mordomo.

Um dos principais problemas de Gotham é que ela mapeia pontos-chave da trama (uma invasão, um interrogatório, etc) e não se importa nem um pouco em como as coisas chegam naquele ponto – o que resulta em centenas de momentos embaraçosos, como o abraço de Bruce em Gordon em Penguin’s Umbrella (a relação entre ambos nunca foi construída). Pois Lovecraft mantém a mesma lógica demente, investindo em situações completamente absurdas como as descritas no primeiro parágrafo. Pior: os mesmos assassinos que comeram o pão que o diabo amassou contra Alfred facilmente descem o sarrafo em Gordon, um policial treinado (apenas um deles é desarmado porque passa ao lado do detetive achando que ele não ia reagir. Começo a questionar o “profissionais”). As coisas simplesmente acontecem da forma que o roteiro precisa que aconteçam para tocar o plot para a frente, sem se preocupar com qualquer lógica ou antecipação.

Na ausência dessa linha que une os eventos e os torna sólidos, o que sobra são cenas aleatórias sem força nenhuma. Ora, que perigo oferecem assassinos cujo grande feito foi matar um jardineiro (e se o jardineiro tivesse suspeitado das coisas, provavelmente teria moído os três a pazadas)? Que credibilidade passa um detetive que, sem motivo nenhum, coloca uma testemunha junto ao garoto com quem (supostamente) tem uma conexão emocional? E por que o “suicídio” de Lovecraft é importante o suficiente para afastar Gordon? Como é que a mansão Wayne não tem um mísero segurança? Aliás, fico surpreso que ela não tenha sido roubada milhares de vezes, já que o planejamento para tal feito envolveria simplesmente entrar na casa. Por que a mulher não matou Bruce? Ele literalmente viu ela tentar assassinar pelo menos duas pessoas e pode realmente complicar a vida da moça se quiser. Gotham nunca cria motivações para os acontecimentos, preferindo investir em um ou outro diálogo (“sua segurança continua ruim“, “ele era um dos pilares da comunidade“, “você não está no contrato“) para tentar justificar as circunstâncias (ou para explicar de novo as coisas, como naquela conversa desnecessária entre o Pinguim e outra personagem que nem sei quem é porque não tenho certeza se já havia aparecido antes).

Entra na dança também um elenco viciado, que no geral se apoia em uma característica como muleta dramática (Bullock berra, Gordon cerra os dentes, Fish Mooney faz cara de arrogante, Selina faz pose de esperta) sem conseguir ser realmente carismático ou interessante (o roteiro não facilita, também). Além disso, as sequências de ação são incrivelmente mal coreografadas e decupadas, jamais soando verdadeiramente tensas ou sequer passando a ideia de que há um mínimo de violência envolvida – e a sequência na fábrica, então, é o zênite da falta de sentido: o episódio simplesmente esquece a geografia do lugar ou onde as personagens estão (Alfred apenas vai andando na direção das balas e de repente está lá dentro, sem problemas, sem precisar derrubar os caras que atiravam nele e sumiram, com a facilidade de um ladrão invadindo a mansão Wayne), e esse clima de “dane-se a física, tudo pode acontecer” fica ainda pior quando alguém decide atirar uma trilha emocionante no abraço entre Bruce e o mordomo.

Para ser justo, a cena da janta com Falcone é apropriadamente tensa. John Doman tem uma postura imponente, não desperdiça gestos e torna o mafioso ameaçador justamente por transmitir a ideia de que atirar na cabeça de alguém na frente de uma tigela de macarrão é algo que ele está acostumado a fazer. Al Sapienza também aumenta um pouco a credibilidade ao tornar o desespero de Dick Lovecraft crível, construindo o empresário com um tom de pânico e leve histeria que o torna mais vulnerável. Infelizmente, são dois grãos de areia em uma praia repleta de grãos de areia previsíveis, piegas, preguiçosos e expositivos. Gotham chega a um hiato após esses dez primeiros episódios, mas as perspectivas do futuro não são nada boas. Ou os realizadores param de se preocupar mais com pontas desnecessárias de vilões (a presença da Hera Venenosa e do Edward Nygma em Lovecraft são inexplicáveis) ou os fãs de Batman vão começar a sentir saudades de Joel Schumacher.

1star

8 respostas para “Crítica | Gotham 1×10: Lovecraft”

  1. Zeca disse:

    Perfeito!!

  2. Zeca disse:

    A série é fraca.

  3. Antonio disse:

    Vamos lá, se enchessem a casa de proteção extra seria dzr obviamente que tem alguma coisa lá, sendo que o ponto da Selina está lá é para ficar escondida, então seria idiotice e sem sentido encher a casa de seguranças, ainda mais na cidade mais corrupta do planeta que não se pode confiar em ngm, não é? Depois, pra alguem chamar o Alfred de um simples mordomo nunca leu um quadrinho do Batman na vida, tirando que ele só ficou brigando com o ultimo assassino né. Enfim, a crítica é extremamente vazia, não toca nos temas realmente relevantes da série, parece querer mais analisar se o jeito do Gordon pegar na arma é certo ou não, o Alfred ser bom de porrada é válido ou não (se o considera apenas um mordomo, sugiro ler os quadrinhos), enfim, analisar coisas banais, jaja vão analisar os erros de continuidade da série. Não é a melhor série do ano kkkkkk mas foi boa, os primeiros episodios foram realmente fracos, mas depois que a série encontrou seu cerne melhorou bastante.

  4. Guilherme Leão disse:

    Só se esqueceu de que o Alfred foi membro das Forças Especias Britanicas, “fio”. Falou uma enorme besteira.

  5. Carlos Prado disse:

    Só esquece o detalhe de que o Alfred é o Alfred, não é qualquer um.

  6. Danilo Souza disse:

    É uma mansão, cara… Qualquer mansão tem um mínimo de segurança. Se você passar numa mansão e ver um segurança vai pensar: “Ih, tão escondendo alguma coisa…”? Não né… Idiotice proteger uma vítima de conspiração? Tá serto, campeão. O argumento da cidade corrupta é válido pra manter a segurança enxuta, e não pra não ter NENHUMA. Numa cidade corrupta e mergulhada em criminalidade deixar um casarão daqueles desprotegido é que é idiota e sem sentido.

    Mas o Alfred realmente é muito mais que o mordomo. Falha da crítica, mas ele obviamente não sente gosto em ver a série, então esperar boa vontade pra entender isso é complicado.

  7. Eduardo Gorgone disse:

    Cara, o Alfred é pai do Chuck Norris, porra! O cara é foda!

  8. Rodrigo Machado disse:

    O pior de tudo, é que quase (eu disse QUASE) eu levo essa resenha a sério.
    Ainda bem que demonstrando falta TOTAL de conhecimento, o responsável pela “avaliação”, desdenhou das habilidades do Mordomo Alfred.

    Recomendo que vcs leiam um pouco mais a história, adquiram mais conhecimento sobre, para só depois, escrever alguma besteira aqui.

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