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Por: André Costa

Crítica | The Newsroom 3×04: Contempt

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[com spoilers do episódio 3×04] Apenas seis episódios na temporada e The Newsroom ainda me desperdiça tempo com essa bagunça que é Contempt, um dominó de situações truncadas e mal construídas – e que empalidece ainda mais frente ao episódio anterior, o sensacional Main Justice. Claro, os diálogos de Sorkin continuam atraentes e o elenco continua em chamas, mas Contempt, embora tenha alguns momentos de real vitória, oferece pouco peso dramático para tudo que apresenta.

Na verdade, parece que havia alguém chicoteando o episódio para ele ir mais rápido, porque momentos-chave simplesmente passam de qualquer jeito. Assim, a boa discussão entre Jim e Halley em Main Justice aqui vira uma inimizade que trai as características das personagens para terminar o relacionamento. Afinal, Halley é uma menina séria e as ações tomadas por ela simplesmente destoam de tudo que foi apresentado sobre a personagem até aqui. O mesmo com Jim, que, embora tenha uma tendência à arrogância e teimosia, sempre foi gentil e jamais provocaria alguém por quem tem sentimentos com uma declaração tipo aquela da Penthouse. A impressão é a de que The Newsroom foi subitamente acometida por uma forte crise de Gotham.

O mesmo com Maggie e o Professor Ética, que não apenas “acidentalmente” joga sal nos ferimentos do relacionamento entre Jim e Halley (em uma cena tão forçada que Contempt poderia ser acusado de arrombamento) como é um Jedi e tem poder sobre as mentes mais fracas, porque só isso explica ele do nada concluindo que Maggie ainda está afim de Jim. O que resulta em uma briga (que não vemos) e, vejam só, Maggie e Jim solteiros novamente a dois episódios do fim. O que será que vai acontecer?

Além disso, as discussões são quase unilaterais. Sabemos que Jim está certo e que Charlie está certo. Não há dúvidas disso, já que seus interlocutores (Pruit e Halley) forçam tanto o lado sensacionalista que poderiam ser confundidos com aquela cena envolvendo Jim, Halley e o Professor Ética. Não há debate, só a pregação do lado das pessoas do bem, e o fato de identificarmos tão facilmente quem está certo diminui o esforço e a inteligência das personagens. Para terminar, a divertidíssima história entre Don, Sloan e o sujeito do RH tem um desfecho claramente insano e a montagem do casamento acaba pecando pelo excesso de tempo e por uma opção musical que só pode ser definida como “ugh”.

Ao menos a trama envolvendo Will (que deveria ser a principal, mas acaba relegada a segundo plano) é interessante e dinâmica, sempre prendendo a atenção do espectador ao combinar com sucesso a expectativa de eventos importantes e diálogos imprevisíveis (“não me interessa se estamos na sua merda de banheira“). E Contempt ganha vida quando chama no jornalismo e foca na reportagem que tentam publicar, aproveitando a ótima dinâmica do elenco (a cena do “Hallellujah” é sensacional) e despachando um pouco mais de carga dramática para o episódio (sabemos o que está em jogo, então é dolorido ver que a reportagem bateu as botas). Infelizmente, não é o suficiente para tornar Contempt mais relevante ou envolvente, e a verdade é que esta uma hora ficou devendo bastante. É bom que os próximos dois episódios atinjam níveis ionosféricos de qualidade, Sorkin.

2star

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