Crítica | Unbreakable Kimmy Schmidt, a nova série de Tina Fey
Crítica | Unbreakable Kimmy Schmidt, a nova série de Tina Fey

Crítica | Unbreakable Kimmy Schmidt, a nova série de Tina Fey

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Após 15 anos confinada em um bunker, afastada da sociedade e vítima de um fundamentalista religioso num culto apocalíptico, a vivaz Kimmy Schmidt (Ellie Kemper, de The Office) ressurge no mundo moderno e decide retomar sua vida na cidade de Nova York. Esta é a premissa de Unbreakable Kimmy Schmidt, série criada por Tina Fey (e rejeitada pela NBC) que estreia nesta sexta em todos os territórios da Netflix.

Com apenas com as roupas do corpo e um dinheiro da indenização, a ingênua, mas resistente jovem precisa adaptar-se à realidade enquanto luta com seu déficit de socializar-se por ter passado tanto tempo presa. De cara a grande virtude da série é a escalação da talentosa Kemper para o papel de protagonista. A simpática comediante é capaz de imprimir credibilidade e confiabilidade enquanto lida com situações esdrúxulas e irreais – características do texto de Fey -, especialmente quando passa a trabalhar de babá/ajudante na casa da maluca e excêntrica Jaqueline Vorhees (Jane Krakowski, 30 Rock).

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Aliás, esta peculiar composição da personagem de Kemper é justamente o trunfo maior da produção, assemelhando-se muito à persona vivida por Tina Fey em sua memorável 30 Rock. A atriz possui uma energia cativante e sabe fazer humor involuntário e autodepreciativo como poucos, causando momentos divertidíssimas em vista do contraste entre os anos 80/90 (da qual ela se lembra) para 2015. Assim, ela preenche boa parte dos episódios com referências datadas, por certo, masque trazem à tona uma gostosa nostalgia para quem cresceu nestes anos: “Um dia você vai cantar no Grammy ao lado de grandes cantores como Michael Jackson e Whitney Huoston“, exclama em determinado momento.

Já Krakowski, por outro lado, limita-se a interpretar a mesma Jenna Maroney que conhecemos na sitcom ambientada na NBC, sem tirar nem por (o que é uma pena), embora ela seja sempre competente. O elenco ainda conta com bons personagens secundários que servem para estabelecer o “mundo louco” em que hoje vivemos, desde o colega de quarto de Kimmy, Titus (Tituss Burgess, excepcional), à irritante enteada de Vorhees, que curiosamente se chama Xanthippe “Lannister” Vorhees.

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É óbvio que as boas atuações não seriam nada sem um texto afiado, ácido e sagaz, mas isso Tina Fey, Robert Carlock e o time de roteiristas entregam com os pés nas costas. Todos os diálogos são inspiradíssimos, assim como menções políticas, culturais e até mesmo a polêmicas recentes, que são sempre inseridas em um contexto em vez de simplesmente jogadas para “constar”. Eu senti apenas falta, pelo menos nos primeiros episódios, de uma melhor contextualização do período em que Kimmy passou sob a tutela da seita apocalíptica, o que certamente ajudaria a explicar a “maluquice” da protagonista. Felizmente eles corrigiram isso mais pra frente na temporada, que ainda traz ótimas surpresas: Jon Hamm (Mad Men) é o maluco líder religioso que manteve as mulheres presas, mas que tem um charme irresistível (guardaram bem esse segredo) e a própria Tina Fey como a advogada mais incompetente da história. Divertida, leve e deliciosa, essa nova comédia da Netflix tem todos os elementos para tornar-se a nova queridinha da vez, contendo ainda um toque da genialidade Community, a essência marcante de 30 Rock e a graça da saudosa Parks and Recreation.

Produzida pela Universal Television, a primeira temporada tem 13 episódios e já foi renovada para a segunda antes da estreia.

5star

Bônus: a abertura de Unbreakable Kimmy Schmidt é um espetáculo à parte, com aquela entrevista “songfied” e música de Jeff Richmond (marido de Fey e colaborador musical habitual).

Aqui a entrevista original (que não é mostrada na íntegra na série):

E aqui a versão remixada dos Gregory Brothers que virou a abertura:

16 comentários

  1. Alan

    O texto é muito bom, lembra muito 30 Rock, mas achei que podiam ter trabalhado mais nos personagens da Ellie e da Jane, muito iguais ao que já fizeram anteriormente.

  2. Acredito que pelo modelo de negócios da Netflix (a série já está renovada), eles terão mais tempo para fazer isso. Eu também percebi isso nos primeiros episódios, mas depois vi que avançaram bem nestas personagens.

  3. Jaren

    (talvez seja spoiler o que eu vou falar aqui embaixo, garela, entããão…)

    as melhores surpresas foram o treinamento do Titus, o reverendo hehehe e Tina Fey linda

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