Crítica | Community 6×04: Queer Studies and Advanced Waxing

community 6x04

[com spoilers do episódio 6×04] Community vem muito bem para quem recentemente saiu de um relacionamento sério com a NBC – os dois primeiros episódios apertaram o botão do acelerador entre a segunda e a terceira luzes (ref.: Mario Kart 64) e o terceiro trouxe de volta a série que consegue emular gêneros fílmicos dentro de salas de estudo. Queer Studies and Advanced Waxing, entretanto, é como um risoles em uma padaria cara: há um bom recheio ali, sem dúvidas, mas claramente usaram massa demais para ocupar espaço.

O principal problema diz respeito à trama envolvendo o Dean Pelton. É, sim, uma personagem engraçada, mas quando surge em aparições tão curtas quanto insanas, e aqui a série enrola o tubo da pasta de dente e espreme a história até onde puder, basicamente repetindo variações da piada de que ele não é gay, ele é meio que mais do que gay e fica se sentindo culpado por se assumir como “apenas gay” – uma ideia interessante, mas mal executada e que acaba levando duas personagens divertidas (Jeff e Frankie, esta última perdendo o semi-protagonismo dos episódios anteriores) junto parao brejo. Ok, existem momentos inspirados – a revelação como político, o jingle -, mas são poucos e não justificam o resto da balbúrdia.

Chang e Annie, por outro lado, se envolvem em uma imprevisível história whiplasheana que é a maior fonte de ofensas criativas e divertidas desde que a terceira temporada de Veep chegou ao fim (“seus ancestrais estão se enterrando ainda mais fundo na terra para ficar longe de você“). Claramente emulando J. K. Simmons, Jason Mantzoukas constrói uma dinâmica divertida com os dois, e sempre que eles estão em cena o episódio ganha força (a atuação surpreendentemente contida de Ken Jeong ajuda a criar a situação absurda). Através dessa trama, Queer Studies and Advanced Waxing leva o espectador por uma narrativa que vai ganhando força até o clímax, quando o grupo de estudos se encontra completamente em chamas frente à adaptação de The Karate Kid e toda aquela descarga de braços erguidos para o céu e torcida ensandecida por Daniel Larusso é justificada pelo que havia sido mostrado.

Já Abed e Elroy aparecem em um desenrolar de situações bobinhas, mas que eventualmente tomam caminhos divertidos (“você acabou de fazer um monólogo sobre assassinar filhotes de pássaros“, “dois seguranças brancos contra um negro desarmado e dois passarinhos“) e rende momentos sensacionais na piadinha final, embora não chegue a ser nada memorável. Importante perceber também que, após dois episódios de apresentação, as novas personagens já sentam na mesa de estudos e soa muito natural; todo mundo já tem a sua função e características estabelecidas dentro daquele universo, sem precisar de mais apresentações. Ou seja, a temporada está de banho tomado e pronta para engatar – pena que Queer Studies and Advanced Waxing ainda ficou devendo um pouco.

3star

Leave a comment