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Por: Allan Verissimo

Crítica | Game of Thrones 5×04: Sons of the Harpy

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Se o episódio da semana passada, High Sparrow, já tinha deixando claro que a introdução dos núcleos e personagens tinha chegado ao fim, esse Sons of the Harpy pisa o pé no acelerador. O episódio 5×04 é bastante eficiente ao avançar ainda mais a trama, mas é impossível não constatar que certos núcleos apareceram no episódio apenas por obrigação, já que não estiveram presentes no episódio anterior.

Em Porto Real, o triunfo da Margaery durou pouco, já que Cersei utilizou o seu novo “aliado”, o Alto Pardal, para conseguir seus objetivos. Há de se admitir que a Fé Militar não foi tão bem introduzida na série como deveria, já que nos livros, os Pardais podem até serem fanáticos religiosos cumpridores da lei, mas todo o seu contexto é bastante complexo (os Pardais surgiram como consequência de todas as injustiças e monstruosidades que o povo sofreu na Guerra dos Cinco Reis). Apesar disso, os roteiristas merecem aplausos pela maneira como estão desenvolvendo o tema da religião nessa temporada: as cenas dos Pardais invadindo bordeis, destruindo ídolos e prendendo Loras Tyrell por causa de sua orientação sexual, remetem ao fanatismo religioso do nosso mundo atual. Além disso, a cena também ressalta como o inseguro Tommen é totalmente inadequado para a função de governante.

Já na Muralha, não houve nenhum avanço significativo para a trama. Era inevitável uma tentativa de Melisandre seduzir Jon, mas não consegui encontrar objetivo algum na cena: por que Melisandre está tão interessada por ele? Seria por ele ser irmão de um “rei” (Robb) ou tudo não passa mesmo de um mero interesse carnal? Além disso, mais uma vez, achei que nudez da Melisandre foi gratuita: Carice van Houten já demonstrou ser uma ótima atriz, e merecia mais do que isso.

Felizmente, a inesperada e belíssima cena de Stannis com Shireen compensou tudo. Ele nunca foi um personagem popular entre os fãs da série, mas não por culpa do ator, e sim dos roteiristas, que preferiam mostra-lo como um antagonista. Aqui, Stephen Dillane tem a grande chance de mostrar o lado humano do personagem, e não faz feio. Toda a sequência de Stannis contando para Shireen sobre as circunstâncias de sua doença, e sobre como ele não desistiu dela, é perfeitamente adequado com a personalidade do rei. A jovem Kerry Ingram também contribui para o sucesso da cena, que desde já é um dos momentos mais tocantes da série. Mas aí surge o medo: seria o último momento de afeto entre pai e filha antes da tragédia cair sobre eles?

E enquanto em Winterfell tivemos uma reveladora cena entre Mindinho e Sansa, na qual eles relembram a história do Torneio de Harrenhal (que pode confirmar a famosa teoria dos fãs dos livros: R + L = J), é o núcleo de Dorne que acaba se tornando o elo fraco do episódio. Chega a ser hilário ver Bronn questionando Jaime a incoerência de seu plano, como se os próprios roteiristas estivessem admitindo os problemas dessa subtrama: dois cavaleiros, sendo que um deles não tem mão, invadirem o palácio do Príncipe Dorne, para raptarem Myrcella, sem serem vistos (e como Jaime espera que Doran irá reagir quando descobrir que a garota que estava prometida ao seu filho não só desapareceu apenas para reaparecer alguns meses depois em Porto Real? Mas divago). Sim, a dinâmica da dupla é ótima, e o visual de Dorne é lindo, mas isso não é o suficiente para fechar aos olhos à logica da trama. Mesmo a breve sequência de ação foi mais um elemento gratuito e cujo único objetivo foi movimentar o ritmo do episódio (mas confesso que gostei da inspirada gag envolvendo a mão de ouro de Jaime).

Ainda sobre Dorne, a introdução das Serpentes de Areia foi decepcionante e genérica, para dizer o mínimo. Na quarta temporada, Oberyn foi introduzido em uma longa sequência que já estabelecia as suas motivações, a sua personalidade e o seu passado. Aqui, o que tivemos? Uma sequência de DOIS minutos (sim, eu contei) na qual Ellaria assume o papel de líder, e não sabemos quase nada sobre as três filhas bastardas de Oberyn. Obara (Keisha Castle-Hughes) é a única que tem a chance de se destacar, num monologo bacana sobre como conheceu o pai (e bem fiel aos livros), mas as outras duas irmãs? Os fãs que não leram os livros provavelmente sequer devem ter lembrado os nomes das personagens. O visual das roupas e armas das atrizes, à lá Xena: The Warrior Princess, também não colabora. Esperamos que as Serpentes tenham as suas chances de brilharem nos próximos episódios…

Encerramos o episódio no outro lado do Mar Estreito. Enquanto a dinâmica de Tyrion com Jorah já começa a render bons momentos (Peter Dinklage afiado como sempre, enquanto Iain Glen mostra facetas mais sombrias do seu personagem), é em Meereen que a situação se descontrola de vez. Aqui, temos um curioso paralelo com Porto Real: lá, a Fé Militar surgiu como consequência dos planos de Cersei contra os Tyrells, ao passo que em Meereen, os Filhos da Harpia surgem em resposta ao reinado de Dany (o que mostra as diferenças entre as duas rainhas). E por mais tensa que tenha sido a batalha final, não tem como sentir um gosto amargo na boca ao ver a despedida de Barristan Selmy (Ian McElhinney). Sempre achei que tanto o personagem quanto o ator foram mal aproveitados na série, e eu tinha ficado feliz ao ver o personagem se destacando no episódio: primeiro na conversa com a Dany sobre Rhaegar, e logo depois, ao socorrer os Imaculados (que por sinal, considerando que são soldados tão formidáveis, foram facilmente derrotados por um grupo de civis, não?), com direito a mais uma bela trilha heroica composta por Ramin Djawadi. Não lamentarei muito a perda de Verme Cinzento: eu gostava do personagem, mas odiava a sua subtrama romântica com Missandei. Mas Barristan poderia ter rendido ótimos momentos para a série, se os roteiristas tivessem se dedicado mais ao personagem.

Pelo menos, as mortes de ambos os personagens deverá ser o golpe final para Dany. Sem os seus principais aliados, Dany agora terá apenas Missandei, e os duvidosos Daario Naharis e Hizdahr zo Loraq, nenhum deles apropriado para aconselhá-la. Há dois lugares vagos em seu conselho, e agora, mais do que nunca, Dany precisa de alguém confiável e inteligente que possa ajuda-la em seus momentos mais difíceis…

… e a julgar pelo promo do próximo episódio, o homem que salvará o reinado de Daenerys Targaryen está cada vez mais próximo do seu destino.

4star

Uma resposta para “Crítica | Game of Thrones 5×04: Sons of the Harpy”

  1. Diogo Andrade disse:

    Como a Lissandra está sempre a procura da “essência de reis”, então a cena pode ter sido uma pista da verdadeira origem do Jon. Vamos ter que esperar para ver se isso se isso se concretiza ou era realmente uma pequena perda de tempo.

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