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Por: André Costa

Crítica | Veep 4×05: Convention

veep 4x05

[com spoilers do episódio 4×05] Parece que desligaram o gás hilariante na sala dos roteiristas de Veep: assim como seu antecessor Tehran, este Convention rasteja preguiçosamente por uma trama sem graça, enquanto tira uma nota amassada de dez dólares e aposta em conflitos que não condizem muito com a atmosfera da série – e sim, as patadas verbais continuam afiadas, mas aqui elas surgem em porções menores e muito espaçadas.

Ao longo de 27 minutos de duração, Convention se contenta em repetir a indecisão de Karen, a não-pertinência de Catharine, a espécie quase extinta que é um VP querer concorrer com a Selina e a briga de foice no escuro que é  setor privado – o que não seria exatamente um problema se houvesse gargalhadas polvilhadas por aí, mas todos esses cenários parecem construir uma risada que nunca vem; a impressão é a de que a situação foi construída, a punchline definitiva nunca deu as caras e resolveram simplesmente desistir e deixar como estava, atirando brincadeiras a todo momento sem conseguir que elas voasse magnanimamente pela sala e atingisse o alvo.

O choque anafilático de Amy frente à completa falta de opinião de Karen (que funciona bem como tapão na cara de políticos que nunca tomam partido para não se prejudicarem, mas é simplesmente murrinha) também incomoda, pois surge de forma tão repentina quanto aquela barra de busca do Ask.com que você não sabe como foi parar no seu computador. Convention trabalha em cima da motivação da moça, claro, só que o conflito jamais soa crível e também não gera momentos lá muito engraçados – e a atuação over da normalmente competente Anna Chlumsky, que tipo se limita a gritar e a pender para a frente, não ajuda muito -. Tudo indica que a presença do faniquito em cena é claramente para sacudir um pouco a história, abrir o leque e ter mais situações com as quais trabalhar. Só que poderia ter sido feito com um pouco mais de cuidado (e lembremos que a saída de Dan não acrescentou grande coisa à narrativa).

Paralelo a isso, é claro que Veep dispara coquetéis molotov de ofensas (“você acha que é o Papa?“), subverte com eficiência as expectativas (“você foi ótimo usando o assédio sexual!“), brinca com as características das personagens (“consigo ver que essa é sua expressão de empolgada“) e até sugere uma certa atração sexual de Gary por Selina, além de colocar Hugh Laurie em cena, o que é sempre algo positivo (embora ele não apareça muito). Ainda assim, não surgem em número suficiente para tornar Convention mais dinâmico ou divertido, soando mais como pequenos shots de humor espalhados por uma festa onde o DJ só toca A Voz do Brasil. Resta esperar para ver se Selina e cia. vão melhorar ao longo da campanha.

2star

2 respostas para “Crítica | Veep 4×05: Convention”

  1. Vini disse:

    Nossa, achei o melhor episódio da temporada até agora! Ri demais, especialmente com a Amy, que nunca me faz rir muito. O discurso dela pra Selina é genial!

  2. Heloísa Gomes disse:

    Concordo completamente, não foi um episódio engraçado e me surpreendi com a quantidade de pessoas elogiando esse 4×05, acho que foi só por causa da aparição do House mesmo

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