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Por: Redação Ligado em Série

Crítica | True Detective 2×07: Black Maps and Motel Rooms

true detective 2x07

[com spoilers do episódio 2×07] A um episódio de bater o ponto, a segunda temporada de True Detective conseguiu dar ainda mais fermento para a qualidade – Church in Ruins, o episódio anterior, já havia mostrado que a galera não quer fazer feio como o legado de Rusty -, desenrolando a trama ao mesmo tempo em que dispara tensão, ação e traumas de infância ao longo de uma hora. E, como se não bastasse, deixa tudo arrumado e o jantar pronto para quando o season finale chegar em casa, e o faz com a eficiência que se espera de uma equipe corajosa o suficiente para raspar o bigode de Colin Farrell.

Na condição de pré-season finale, Black Maps and Motel Rooms precisa deixar muita coisa preparada, e o episódio aproveita o tempo para resolver algumas coisas e girar a chave da ignição em outras: os mistérios sobre o sangue na cabana, por exemplo, e a identidade de quem enganou Frank (que depois enganou Velcoro) são explicados, bem como as respectivas motivações; por outro lado, determinados elementos surgem como o fósforo que vai fazer o circo pegar fogo, principalmente a morte de Davis e as limitações do trio de investigadores (procurados ou chantageados). Tudo isso entra de forma bem orgânica na narrativa, sem soar pontual ou episódico, e o que temos ao final de uma hora são tramas a) bem desenvolvidas, com b) situações (finalmente) bem claras e determinadas e c) novas possibilidades de eventos que deem as caras para injetar caos e confusão na história.

Aqui a ambientação também se torna cada vez mais poderosa, representando o fatalismo que acompanha a série desde a primeira temporada. Dos tons pastéis no quarto de motel, que criam uma atmosfera carregada, sufocante, até a roeção de unhas graças à fotografia e iluminação do tiroteio no subsolo, Black Maps and Motel Rooms se mostra um suco concentrado de atmosfera pesada. Diálogos tipo “vão pintar uma cabana com você” e “você está aí sujando meu carpete” aplicam uma segunda demão de noir à brincadeira, que ganha intensidade também ao colocar todo mundo tomando precauções para que seus familiares não partilhem do pão que o diabo amassou quando tudo vier abaixo.

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Há espaço também para conhecermos um pouco mais de Bezzerides, que revelou não só um pouco do trauma de infância envolvendo árvores e algum amigo do seu pai como também sua forma de lidar com uma possível intimidade – no caso, a tentativa de levar Velcoro ao ato físico do amor após ele ter captado algo relacionado ao tal trauma de infância (além disso, diz muito sobre você quando um amigo fala “ganhou três abraços hoje, deve ser um recorde“). Curioso também perceber como Black Maps and Motel Rooms coloca as personagens em uma posição onde precisam arriscar tudo – Frank entrando no grupo dos piromaníacos, Woodrugh caminhando em direção a uma possível emboscada – e que, no que diz respeito a Bezzerides e Velcoro, o “arriscar tudo” acaba sendo o envolvimento entre ambos (ao menos cronologicamente), em uma cena que ilustra a intimidade ao aproximar as duas figuras gradualmente através dos enquadramentos (de primeiro plano a primeiríssimo plano) e que usa o detalhe da fogueira acesa (tornando parte do rosto da detetive vermelho e conferindo um aspecto quase onírico à coisa toda) para marcar aquilo como um acontecimento incomum. Além disso, Rachel McAdams e Colin Farrell aparentemente fizeram um pacto para usar a cena para concorrer a todos os prêmios possíveis.

Aprumando tudo com uma sequência de tiroteio incrivelmente tensa e com um resultado tão forte que dá até para relevar a absurda presença de alguém atrás da porta esperando Woodrugh sair, o episódio mantém a temporada carregada de possibilidades e expectativas para o desfecho. E a morte do sujeito (e a de Davis também) consegue aumentar ainda mais o clima de perigo descontrolado diante do que vem pela frente.

5star

29 respostas para “Crítica | True Detective 2×07: Black Maps and Motel Rooms”

  1. Magnosama disse:

    sei que muita gente não vem gostando,
    mas eu aprovo essa segunda temporada,
    todas as mudanças em relação as primeira não me incomodam,
    e não comparo as duas, enfim…
    um ótimo episódio que caminha pra um final de temporada tremendo.
    ansioso…

  2. richard disse:

    Alguém está conseguindo acompanhar o roteiro. Está muito complicado!! Pelo que entendi:

    – O Caspere desde o princípio queria ferrar o Frank e embolsar o seu dinheiro. Não ficou claro se a Catalyst e o Osip estavam envolvidos nesta traição.

    – Os Policiais Dixon, Burris, Holloway e Caspere estariam envolvidos no roubo de diamantes e execução dos donos de uma joalheria em 1992. As pedras estariam com Caspere quando foi morto e pode ser o motivo do seu assassinato.

    – Suspeita-se que a secretária de Caspere seria a orfã do casal morto que entrou para o programa de adoção após o incidente.

    – O Osip assumiu Cassino e o Bar do Frank e comprará da Catalyst as terras para a construção da rodovia. Comprou Blake e muitos outros da organização do Frank. Está em conluio com o filho do prefeito que quer destronar o pai.

    – O Blake matou o Stan após o último ter descoberto o negócio do Blake em conluio com o Osip de agenciar prostitutas russas e usá-las nas festas para comprar contatos políticos. Blake matou Stan com o mesmo modus operandi do Caspere após ser alvo de chantagem.

    – O amante do Paul, coincidentemente, era segurança da Catalyst. Não ficou claro se desde o princípio sua reaproximação com Paul tinha a intenção de monitoramento e chantagem.

    – Dixon estava monitorando os passos de Paul e tirou fotos do encontro romântico deste.

    – A Vera não estava nas festas contra a vontade. Ela gostava desse emprego que descolou com o Caspere, que conheceu no instituto do pai da Ani. Era amiga da Tasha, favorita do Caspere, até tentar chantagear os figurões da festa e ser morta na cabana da floresta.

  3. Marcelo Coumantaros disse:

    Uma coisa não entendi pamonhas nenhuma. Por que Valcoro e Bezzerides estão foragidos agora? E o que de fato aconteceu na infância dela para pegar esse trauma? O roteiro de nic pizzolatto é impecável, mas ao mesmo tempo muito confuso, você precisa estar ligado o tempo todo para entender às coisas. Enfim, essa é a minha dúvida.

  4. Lucão disse:

    A ani tá foragida por ter matado o segurança no ep. anterior. Já o Ray tá foragido pois colocaram ele como culpado pela morte da Davis.

  5. Guilherme Moraes disse:

    Ótima a série!!!,
    -Sobre os comentários de mudanças de uma temporada para a outra, se dá por conta de não entenderem a antologia, sendo este o espirito da série.
    Tinha ficado com dúvidas nos episódios anteriores, pois muitas coisas não tinham sido esclarecidas, mas este episódio (S02E07) foi para explicar e apimentar o então “gran finale”.
    Ansioso para o fim dessa jornada!!!

  6. Marcelo Marcolino disse:

    A série finalmente pegou…

  7. Marcelo Oliveira disse:

    só os leigos que não aprovam

    temporada de uma absurda qualidade desde o primeiro episódio. Mais uma vez Pizzolato e/ou Fukunaga estão de parabéns

  8. Marcelo Oliveira disse:

    Ani matou o segurança da festa, Burris utilizou a arma do Velcoro confiscada em sua casa após abandonar o Departamento, pra matar a Promotora Davis com a mesa

  9. leigo disse:

    leigos? tá bom…e o fukunaga não dirige nenhum episódio da 2ª temporada, então o dos dois nomes que você citou só o pizzolatto trabalhou na parte criativa da série.

  10. Bruna S. Neutshing disse:

    “(…) levar Velcoro ao ATO FÍSICO DO AMOR (…)”
    Gente… =/
    Wando, vc tá vivo? É vc aqui escrevendo sobre True Detective?
    o_O
    Bezzerides, quando tão louca, diz para Velcoro: me beija na boca, faz o ATO FÍSICO DO AMOR comigo no chão!

  11. Bruna S. Neutshing disse:

    Nossa, mas tá tão absurdamente evidente que o que aconteceu com a Bezzerides é que ela foi estuprada na infância por um amigo do pai dela que a levou para o meio da mata. É sério que vc não entendeu isso? Aliás, isso tb tá escrito expressamente na análise do site. Vc não leu?

  12. Allison Noronha disse:

    A frase dita foi “vão pintar uma cabana com seu sangue” !

  13. SuzukaDriver90 disse:

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  14. Magnosama disse:

    hehehehehe
    boa

  15. gabriel vefago disse:

    Ótima review, parabéns, melhor episódio disparado da temporada, o terreno pra season finale está montado.

  16. Amanda Ribeiro disse:

    Acredito que aquela balconista do bar onde o Velcoro e Frank sempre se encontram tem alguma coisa a ver com a história toda. Primeiro, por ela ter uma cicatriz estranha no rosto, segundo pelos “closes” nela desde o primeiro episódio e terceiro por eu a conhecê-la da série Jane the Virgin.
    Enfim, estou achando a história da série bem interessante, talvez um pouco densa para se desenvolver em apenas oito episódios, mas bem legal de ser assistida.

  17. Junito Hartley disse:

    Pow, aquele cena final tava na cara que o policial enrustido ia morrer, agora, alguém ai me fala como que o assassino sabia que o Paul ia sair por aquela porta? achei forçado de mais pqp! aquele lugar era enorme e o cara sabia exatamente que alguém ia sair dali!?

  18. Michel Fernandes disse:

    Tive a mesma conclusão que você Bruna. Pode parecer confuso um pouco, pois no episódio ela disse que não se lembrava de nada o que tinha acontecido, mais o abuso sexual é a explicação mais plausível para esse trauma dela. Talvez ela se lembre de algo no último capítulo.

  19. Thiago Chaves disse:

    Quando eles estavam na rua, o rapaz falou que “eles estavam sendo vigiados”. Entendo que, quem estava vigiando eles era justamente o assassino em questão, que não estava só ainda. E aquela era a saída mais próxima do túnel. Ou seja, tudo normal.

  20. Thiago Chaves disse:

    Acho que a questão do abuso sexual é a coisa mais evidente em toda série, até então, inclusive.

  21. Ismael disse:

    Bela review, não conhecia esse site!

  22. Marcos Mika disse:

    a melhor parte que seria a cena de sexo o diretor cagou de novo!!!!

  23. Delencanto disse:

    comigo também não colou, inúmeras saídas e o cara esperando. O local estava vigiado pelos capangas do black e não pelo tenente. Como ele ia saber que sairiam por aquela porta?. Fica a lição na vida: saia sempre por onde você entrou.

  24. José Roberto Caivano disse:

    É… Dessa vez eu não acho que foram balas de borracha… Paul parecia bem morto =/

  25. Lucas de Menezes disse:

    Aprovo a segunda temporada, aprovo as tramas, aprovo o desenrolar das coisas no finalzinho agora da season. Só não dá pra aguentar uma review tão fraca como essa de um site especializado em séries. Pelo amor de Deus, capriche da próxima vez.. pareceu resenha de estagiário.

  26. Jesse Coronado disse:

    As mudanças da serie nao me incomodaram nenhum um pouco, afinal e uma serie com formato de antologia, se eu quisesse ver a mesma coisa, veria a 1 temporada de novo. As pessoas deveriam parar de serem saudosistas, e nao ficarem comparando uma temporada com a outra, sao historias diferentes, personagens diferentes. Deixem a 1 temporada no passado, e curtam a nova temporada que esta excelente, com atores excelentes, com fotografia excelente. Essa temporada pode nao estar agradando a todos, mas com certeza, esta sendo muito melhor do que a maioria das series que passam na tv hj em dia.

  27. Jesse Coronado disse:

    O problema e que essa galera precisa parar de ser saudosista, ou ele nao entendem o significado da palavra antologia. A temporada esta excelente, e a escolha dos atores foi tao boa como para a 1 temporada

  28. Daniel Miranda disse:

    Comparar é um erro.

  29. Irineia Araujo disse:

    Bruna, ela não consegue lembrar,,, é uma coisa que ela acha que aconteceu. Mas são quatro dias em branco. Enquanto ela não desbloquear não dá pra ter certeza.

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