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Por: Allan Verissimo

Crítica | Luke Cage é um grande acerto da parceria Marvel e Netflix!

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[Texto livre de spoilers] Em minha crítica de Jessica Jones ano passado fiz o seguinte comentário: “Mike Colter já demonstra ter sido uma escolha perfeita para o papel de Luke Cage, tanto nas cenas de ação quanto nas dramáticas, estabelecendo uma ótima química com Ritter e nos deixando com vontade de conhecer mais sobre o seu personagem“.

Assim, eu estava particularmente ansioso pela serie do power man, e fico feliz em constatar que mais uma vez a parceria entre a Marvel e Netflix não decepcionou. Com produção executiva de Cheo Hodari Coker (Ray DonovanSouthland) e situada alguns meses após os eventos de Jessica JonesLuke Cage apresenta o personagem-título no Harlem, tentando manter os seus poderes em segredo. De dia ele trabalha na barbearia Pops (Frankie Farson, de The Wire) e à noite no clube noturno do criminoso Cornell “Cottonmouth” Stokes (Mahershala Ali, de House of Cards). Também somos apresentados a Mariah Dillard (Alfre Woodard), uma política corrupta e prima de Cottonmouth; a policial Misty Knight (Simone Missick) e seu parceiro Rafael Scarfe (Frank Whaley); e finalmente, Shades Álvarez (Theo Rossi, de Sons of Anarchy), um antigo “conhecido” do passado de Luke. Não demora muito para as ações de cada um desses personagens forçarem Luke a se transformar no novo vigilante do bairro, tal qual seus semelhantes Matt Murdock e Jessica Jones.

Continuando a jornada rumo ao lado mais sombrio do Universo Marvel (e que ja tínhamos presenciado em Demolidor e Jessica Jones), Luke Cage retrata uma Nova York com uma fotografia escura e granulada, habitada por pessoas angustiadas que parecem carregar o mundo nas costas. Na trama, Cage se vê próximo a figuras responsáveis por lucrar com brigas de gangues, tráfico de armas e drogas para o Harlem, tudo encobertado por muita corrupção em escala municipal.

E assim como as séries citadas, esta não hesita em mostrar cenas de extrema violência gráfica e que certamente jamais veremos nos pasteurizados filmes do estúdio. Alem disso, Luke Cage também tem um elemento em comum com a segunda temporada de Demolidor, ao propor uma discussão sobre os vigilantes: eles são um mal necessário numa sociedade cada vez mais perdida ou apenas mais uma solução errada para o problema? Afinal de contas, uma determinada personagem deixa claro que as ações de Luke só pioram ainda mais a situação, num efeito dominó de violência ininterrupta (e é uma pena que essa discussão seja deixada de lado em alguns episódios).

Apesar dessas semelhanças com o universo televisivo Marvel/Netflix, Luke Cage também tem vida própria: enquanto Jessica Jones focava em fortes personagens femininas e discutia temas como o estupro e abuso, em Luke Cage a questão racial se torna o principal aspecto da história. O racismo é um dos temas abordado pelo roteiro e a serie faz um retrato eficaz da cultura afro-americana (com destaque para o design de produção e para a ótima e sempre presente trilha sonora).

Beneficiado por já ter estabelecido o seu personagem na série anterior, Mike Colter (o Lemond Bishop de The Good Wife) está claramente mais solto e seguro no papel, esbanjando o enorme carisma e senso de humor do protagonista (que ainda assim, é acertadamente retratado como um herói falho e que tenta fazer o certo sem saber exatamente como). Enquanto isso, Simone Missick se sibressai com a sua Misty Knight, que é sem duvida alguma uma das personagens femininas mais fortes e independentes do MCU (e méritos devem ser dados para o roteiro, que jamais tenta prendê-la ao papel de interesse amoroso). Já Ali e Woodard também se saem muito bem, ao criarem um par de vilões humanos e mundanos, mas não menos perigosos (apesar de alguns problemas do roteiro que discutirei a seguir), ao passo que Rossi apela para uma divertida composição overacting que se encaixa como uma luva no seu personagem. Finalmente, até mesmo papeis menores como o parceiro policial de Misty, Pops e Claire Temple (Rosario Dawson, recorrente nas series da Marvel) tem os seus momentos de destaque e uma razão de existir, ao contrario de alguns secundários de Jessica Jones. A excelente Sonia Braga, no papel da mãe de Claire, é a única que merecia ser melhor aproveitada.

Infelizmente, Luke Cage tem uma parcela de problemas que não podem ser ignorados. A série conta com a sua cota de diálogos expositivos (um problema evidente em outras produções da Marvel), com personagens discutindo assuntos dos quais eles claramente já estão cientes. Além disso, a própria natureza do herói e dos vilões acaba sendo um problema, pois Luke é indestrutível demais e isso, consequentemente, prejudica a tensão nos confrontos. Sim, Jessica Jones também era poderosa, mas ao menos enfrentava um vilão que também tinha poderes e convencia como uma ameaça séria. Felizmente, os antagonistas de Luke Cage (e os roteiristas) estão cientes disso, o que acaba resultando numa interessante subtrama que é melhor explorada na metade final da temporada.

Contando com as inevitáveis referencias e aparições de personagens das series e filmes da Marvel (algumas ja esperadas e outras nem tanto), Luke Cage acaba apresentando uma ótima e corajosa reviravolta em seu sétimo episódio – embora eu acredite que nem todos irão aprová-la. Trazendo vigor à parceria Marvel e Netflix, Luke Cage é uma bela parada rumo a Os Defensores no ano que vem.

4stars


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