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Por: Bruno Carvalho

Crítica | #Westworld 1×02: Chestnut

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A sensação do segundo episódio de Westworld é a de que a série ainda está sendo apresentada, muito devido à complexidade de seu excelente piloto. Sabiamente, os realizadores incluíram aqui a entrada do personagem William, de Jimmi Simpson, que carrega em si a função de introduzir o público a esse mundo já que, diferente dos demais vistos, ele está vivenciando tudo aquilo pela primeira vez.

A maior surpresa, pra mim, foi ver como a série já é capaz de expandir a sua escala neste segundo capítulo com uma sequência aparente simples, mas que mostra a grandiosidade do parque Westworld: tão logo William escolhe seu chapeu (evidenciando a alegoria do bem x mal com a escolha do branco), ele entra no parque e a “sala” onde ele se encontra se “transforma” no vagão de trem que leva os visitantes. Simples, mas elegante e dispensa qualquer tipo de explicação adicional sobre como isso é possível.

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Chestnut, contudo, está claramente nos escondendo algo. Há um motivo porque até agora não revelaram as reais motivações do Homem de Preto vivido por Ed Harris e seu “rampage” de violência, que está ligado ao seu passado como visitante recorrente daquele lugar e a busca pelo tal labirinto, que pode ser o “administrativo” do parque. Ele perdeu alguém? Descobriu algo? Cedo pra conjecturar. Mas existe uma jogada narrativa aí muito mais complexa e que certamente não temos todas as peças para desvendar. Como sei disso? Porque falta muita informação que está sendo propositalmente retida e o roteiro é cuidadoso para entregar somente aquilo que a série pode contar por ora, inclusive com sua dose de frases lacônicas.

Não por isso Westworld está menos interessante ou complexa que seu capítulo de estreia. Pelo contrário. As novas interações da equipe do parque buscando entender o que está acontecendo com os anfitriões vão ficando cada vez mais interessantes, em especial aquelas entre o personagem de Jeffrey Wright, Bernard, e a magnífica (e mais antiga anfitriã) Dolores, que já aprendeu a ignorar os comandos de seus mestres: ela não está apagando mais nenhum registro. Isso não é mostrado, mas é o que acontece e a série é segura de si o suficiente para saber que uma hora até mesmo o espectador de ocasião vai perceber isso. De toda forma, está lá: assim que Bernard pede que ela apague os registros da conversa, seu lábio mexe (um devaneio) e ela meio que sorri ao “confirmar” o registro do comando.

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A Maeve de Thandie Newton também aprendeu a “acordar” durante um procedimento, já que despretensiosamente ensinou à androide colega a “sair” do sonho, que em Westworld é justamente o momento para manutenção. Aliás, a noite no parque revelam as cenas mais grotescas quando os robôs precisam ser limpados e recosturados de volta à “vida” para o bel prazer dos pagantes.

A série precisa, contudo, acertar o tom das sequências envolvendo o Dr. Ford e o excesso de “enigmatismo” da sua persona – e as teorias são muitas, até que ele hoje é um androide -, o que contribui para uma quebra de ritmo do capítulo. Além disso, se minhas suspeitas estiverem certas (envolve a nossa percepção sobre a passagem de tempo), a série precisa deixar claro sua estrutura logo ou tentar despistar melhor o fato de que até agora não tivemos nenhuma interação entre os hóspedes que já conhecemos.

De toda forma, Chestnut é um episódio que enaltece a grandiosidade dessa produção e coloca mais elementos para ficarmos martelando até a próxima semana. Como é bom ter essa sensação de volta!

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16 respostas para “Crítica | #Westworld 1×02: Chestnut”

  1. Tatiana Rocha de Souza disse:

    Não percebi essas sutilezas na conversa da Dolores com o Bernard, preciso ver de novo. E como ela “acordou” Maeve? Com aquela frase???

  2. Ricardo Igreja disse:

    isso do tempo ja tem gente especulando sobre a dupla de willian e logan que estariam em outro tempo daquele do primeiro episodio – o trem nao tem teddy….alguns estao ate numa viagem de teddy ser o homem de preto no futuro…eu acho que ele eh um host que descobriu os codigos, etc e quer achar o ford e a administracao….e tem mais android por ai, tipo na amdinistracao…bernard por exempo, nao?

  3. Adolfo Brás Sunderhus Filho disse:

    Eu achei curioso o fato de que Teddy não foi mostrado no trem, nem foi mostrado saindo dele. Pode ter sido alguma mudança na narrativa?

    Não sei se Dolores não está apagando propositadamente a memória ou se a mesma está com algum problema que resquícios da memória permanecem. Ficou nítido que temos androids atuando fora de Westworld também, naquela cena entre William e a “assistente”. A questão é saber quais as implicações disso. Sobre Ford ou Bernard serem androids, aí eu já acho que há um certo exagero, mas não duvido de nada nessa serie.

  4. Leonardo Damaso disse:

    kd Brazuca afff

  5. Daniel Fratini disse:

    A série fala de um unico acidente grave no parque a 30 anos atrás, mesmo epoca da primeira visita do homem de preto, acredito que a real motivação dele está neste acidente sobre o qual ainda não temos nenhuma informação.

  6. Gleysson Paulo Oliveira disse:

    Fiquei na dúvida sobre esta parte, terei que assistir novamente, mas, me lembrava era da Maeve ensinando outra androide como “hackear” o sonho. A interação quem me lembro entre Dolores e Maeve foi a frase mencionada pela Tatiana Rocha de Souza acima.

  7. Paula Santos disse:

    O homem de preto matou o Teddy numa das cenas do tempo atual.Fiquei desconfiada que o william é que pode ser o homem de preto no futuro, mesmo tipo físico, poderia ter acontecido algo 30 anos antes que o transformou.

  8. Juli Lago disse:

    Me pareceu tambem que quando a Dolores acorda no meio da madrugada e encontra a arma, ela esta seguindo orientações de alguem. Ela pergunta: é aqui? E so entao se abaixa para pegar a arma.
    Minha teoria é de que no primeiro episodio, quando vimos o homem de preto atacar a fazenda e leva la para o estabulo, ele acessa o hardware dela ou implanta algum tipo de chip…. O que parecia ser um estupro, pode na verdade ser algo com muito mais implicacoes na historia.

  9. Tatiana Rocha de Souza disse:

    Exatamente, que deve ser a mesma frase que a Dolores ouviu murmurada em seu ouvido pelo pai. Revi a cena e é a Maeve que ensina sobre o sonho pra Clementine.

  10. Jota Mendes disse:

    Gente, sobre o Bernard ser um dos robôs: aquela cena com a Dolores e ele naquele lugar super fora de contexto (parecia mais um porão, algum lugar escondido, tipo “não oficial”) pareceu que o próprio Bernard está raqueando os anfitriões e escondendo isso dos outros programadores. Eu entendi isso quando ele pede segredo a ela. Sem contar que ele pede pra ela dizer quantas vezes eles já tiveram interações desse tipo, ela fala que foram 138 vezes, incluindo aquela. Mas aí, antes dessa interação, teve a conversa entre ele e o dr. Ford, onde ele fala pro dr. da suspeita dele sobre alguém estar provocando as “falhas” nos anfitriões. Pareceu uma preocupação genuína. Talvez o Bernard esteja raqueando os anfitriões, mas, assim como eles quando há interação com os programadores, não lembra/sabe disso. O dr. Ford pode ser o cara por trás desses lampejos de humanidade dos robôs. E ele pode estar por trás do Bernard.

    Tanto na conversa com o Bernard, quanto na com o garotinho robô, o dr. Ford fala sobre magia, palavras mágicas que, quando ditas, trazem a vida. Quando o garotinho questiona como ele fez pra parar a cobra e pergunta se foi uma mágica, ele fala: “Tudo no mundo é mágica, excerto para o mágico”. Ele é o mágico! Não há mágica pro dr. naquilo que ele fez (ou em qualquer parte daquele “mundo”) porque, como os mágicos, ele sabe como funciona o truque. Pra mim, dá pra fazer um paralelo entre o Bernard e o menino robô. Sem contar que o episódio acaba com o dr. Ford indo, junto com o Bernard, pro lugar que ele mostrou ao menino robô, antes de dispensar ele com um comando de programação. O Bernard então fala que a diretoria espera uma nova narrativa (já que o dr. rejeitou a aventura criada pelo roteirista e ainda deu aquele esporro nele) e ele responde que vai dar. Algo que já vem trabalhando há muito tempo. E muito original! Ou seja…? Vamu esperar pra ver! rs!

  11. Correto, me confundi. É Maeve que ensina à outra. Editado acima, mas a ideia é a mesma: os androides estão aprendendo a “hackear” Westworld.

  12. klaus disse:

    o fato do Teddy não ter saído do trem pode ser que isso tenha ocorrido no passado. O Teddy não tinha sido criado.

  13. Leonora Rilke disse:

    Ford no primeiro episódio disse que iria criar um herói, que não sabe que será um herói. Um robô que acredita realmente ser humano. Com certeza é a personagem de Jimmy. O pai de Dolores tem a consciência do sócio de Ford e há linha temporal diferente. – a história daquela mala sobre índios, canibais e tal na verdade foi aceita porque é assim que a cafetina é quase morta. Creio q ninguém reparou nisso.

  14. Adolfo Brás Sunderhus Filho disse:

    Não creio que tenha sido no passado. Dolores tem as lembranças do massacre.

  15. Adolfo Brás Sunderhus Filho disse:

    Tem duas linhas temporais nesse episódio?

  16. Junior disse:

    Pessoal estou no episódio 02 e só queria entender uma coisa. Se os Androides (anfitriões) não podem machucar os convidados, como que explica eles irem para cima do homem de preto que até então me parece ser um convidado (humano). Se eles não podem machucar humanos como se explica a cena onde ele depois acaba matando todos?

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