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Por: André Costa

Homeland: Big Man in Tehran

Série prepara suas peças para o season finale

Big Man in Tehran, décimo e penúltimo episódio desta trôpega temporada de Homeland, é uma produção eficiente e até mesmo inteligente na maior parte do tempo, buscando dar as deixas certas para o último e (teoricamente) mais intenso episódio, o season finale. Mas existe algum vírus do qual Homeland ainda não se livrou, e Big Man in Tehran dá uma guinada inexplicável na tentativa de criar uma catarse dramática que simplesmente não existe.

Competente ao já deixar bem claro os elementos básicos da equação (Brody precisa matar Danesh Akbari, Javadi precisa criar o cenário, Carrie precisa descobrir como tirar Brody de lá sem que ambos sejam atacados por um enxame de balas), o episódio bota as peças em movimento de forma cadenciada, saboreando o suspense do inevitável encontro Brody-Akbari. O desenrolar da trama é natural, utilizando o tempo para tornar a situação suficientemente crível – por exemplo, há uma cena específica para explicar como Carrie conseguiu um telefone. Ainda que a saída para conseguir os agentes do Mossad exija, além da suspensão da descrença, uma determinada quantidade de líquido etílico no cérebro, no geral a coisa se desenvolve de forma eficiente (e é legal o cuidado para que personagens de passagem como Sherazi e os agentes da Mossad tenham opiniões e iniciativas, fazendo com que não soem apenas como recursos da CIA – embora, claro, a CIA se refira aos agentes da Mossad como “recursos”. Mas divago).

Conforme a festa vai sendo organizada, Big Man in Tehran nos proporciona um olhar mais apurado de algumas personagens: Javadi vai pavimentando sua eleição a novo Darth Sidious ao ser implacável mesmo com um aliado (“devemos fazer uma pausa?” “não”) e inteligente o suficiente para manipular o Akbari (a sutileza com que ele cria a dúvida necessária sobre Brody, fazendo o ditador realmente acreditar que precisa conhecer e avaliar o ex-marine/terrorista/senador/marine, é tão bem construída que Inception duraria dez minutos se fosse estrelado por Javadi); enquanto isso, Brody se mantém esperto e focado e vivo, mas baixa a guarda em uma cena comovente com a viúva de Abu Nazir, onde mostra, através de questionamentos (“e você encontrou paz?”) e declarações (“agora sou um soldado que voltou da guerra”), que a sua fé está abalada e o quanto deseja fugir desses jogos de espionagem (e cabe aqui aplausos para Damian Lewis, que foge do exagero e consegue uma atuação extremamente minimalista, sensível e cativante).

homeland

Já Saul aparece pouco, normalmente comandando a situação na CIA ou dando ordens a alguém ou, sabe, sendo barbudo, e Carrie continua cegamente naquela estrada chamada “decisões que vão emputecer a CIA”. Aliás, é justamente aí que Big Man in Tehran escorrega e cai em câmera lenta no chão: após a ótima decisão de fazer Akbari escapar, mostrando que a agência efrenta um inimigo que manja das coisas, o episódio abre caminho para as já batidas situações onde Carrie desafia a CIA, ninguém no governo acredita na Miss Bipolar embora ela estivesse certa sobre tudo o tempo todo, Carrie estraga uma operação (aconteceu EXATAMENTE a mesma coisa há três episódios!), ela e Brody precisam fugir juntos no melhor estilo “Romeu e Julieta encontra a Al Qaeda” e por aí vai. Pior do que isso, em nenhum momento a mudança de Brody soa remotamente genuína. A única sensação é a de que ele manteve o disfarce para matar Akbari (que é o que acontece. Exatamente como Carrie argumentou para a turma da CIA. Que não acreditou nela. Que estava certa. DE NOVO), até porque as tentativas de indicar o contrário são extremamente fracas (episódio passado, Saul e Cia. tentaram tirar ele antes da operação continuar e ele quis seguir na missão; a ideia de finalmente ficar em paz é falada, mas jamais sustentada por alguma cena). Assim, a tentativa de surpresa no final já nasce destinada ao fracasso, tirando muito da carga dramática do momento (o que é uma pena, pois, isolada, é uma ótima cena).

No final das contas, Big Man in Tehran tem um saldo bem mais positivo do que negativo. Mas é imperativo que, no último episódio da temporada, Homeland deixe de lado as tentativas de surpreender e etc e foque mais em simplesmente contar uma boa história.

4star

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