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Por: André Costa

Brooklyn Nine-Nine: The Ebony Falcon

Brooklyn-Nine-Nine

Finalmente Brooklyn Nine-Nine resolveu tirar o pijama e realmente começar 2014: após dois episódios extremamente repartição pública (Pontiac Bandid e The Bet), que são até eficientes mas totalmente órfãos de criatividade, a série retorna com este divertido The Ebony Falcon, voltando a desenvolver bem as situações e usar as personagens com parcimônia. Ok, a trama envolvendo a Gina não é lá muito interessante ou engraçada (e como ela escapou da sala de edição é um mistério que caberia aos policiais de Brooklyn Nine-Nine investigar), mas no geral o episódio corre de forma fluida e disparando piadas certeiras no espectador.

Para começar, The Ebony Falcon toma a acertada decisão de reunir Jake, Boyle e Terry na mesma trama, três das personagens com personalidades e dinâmicas mais divertidas da série – e, seguindo o que falei na crítica do episódio passado, o retorno de Boyle ao seu estado natural trouxe ótimas piadas (as de gerente da academia) e facilitou interações divertidas (o high-five com Jake ou os comentários acerca da doçura de Terry). Além disso, a ótima ideia de subverter a expectativa do medo de Terry criou uma história concisa, que cresce naturalmente e jamais soa repetitiva. Reparem como os três atos estão bem definidos: a apresentação (introdução ao caso e o faniquito de Jake ao perceber que o sargento poderia se machucar), o desenvolvimento (Terry desconfia que está sendo deixado de lado, Jake e Boyle tocam o caso em paralelo) e o clímax (Terry e Jake se confrontam e resolvem a situação) – sempre com os já tradicionais diálogos épicos (“ele é como uma enorme e musculosa Ellen DeGeneres“) e usando os flashbacks de forma brilhante (o momento seguinte à fala “o sargento não tentou ir além do que podia” é digno do, sei lá, Oscar de Flashback).

Pena que a trama paralela não acompanhe o ritmo. Até existem alguns bons momentos (“eu ainda teria o meu machado?“) e o elenco envolvido é bastante carismático, mas no geral ele se apega à ideia de que a Gina é estranha e ela faz estranhices e estranhices são engraçadas – sem se dar conta que, justamente pelo público saber que a Gina é meio que uma versão policial da Deep Web, a surpresa “estranha” já é esperada e, quando vem, a graça já fez as malas e pegou um voo para a Austrália. Assim, a história se torna chatinha e repetitiva, não ganhando força nem com a eventual fragilidade da moça porque não há realmente um envolvimento entre o conflito dela e o espectador.

Ganhando força graças às ótimas atuações de Andy Samberg, Terry Crews e Joe lo Truglio, The Ebony Falcon se beneficia ainda da montagem rápida (o timing dos flashbacks só pode ser definido como suiço) e de uma direção que consegue realçar sutilmente certos momentos (como um pequeno zoom antes da punchline propositalmente ruim “gymfiltrated“, dando dramaticidade à ela e tornando a piada engraçada). Aliás só a brilhante e elaborada piada inicial, pegando um tópico e realmente desenvolvendo ele até soar quase absurdo, ao invés de partir para frases previsíveis, já mostra do que Brooklyn Nine-Nine é capaz. E é uma ótima hora para se recuperar, pois o próximo episódio vem na sequência do Super Bowl – e um touchdown nessa data com audiência de proporções bíblicas seria uma grande vitória para a série.

4star

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