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Por: André Costa

Crítica | The Leftovers 1×07: Solace for Tired Feet

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[com spoilers do episódio 1×07] Após o brilhante Guest, uma pérola de sensibilidade sobre o sofrimento de Nora Durst que deve ter deixado muita gente abraçando a TV ao final do episódio, este Solace for Tired Feet volta a se concentrar na Família Grunhido – mas, ao contrário do fraco Gladys, aqui há espaço para a trama se desenvolver, permitindo que o público descubra um pouco mais sobre o andamento da coisa toda. E até mesmo comece a simpatizar com algumas personagens.

Porque Jill e Tom, embora mantenham aquele espírito de adolescentes birrentos, ganham um pouco mais de vulnerabilidade no episódio (a primeira na conversa com o avô e o segundo na decepção com Wayne/preocupação com Christine). Eles deixam de ser apenas um sistema de suporte para palavrões e passam a fazer parte da trama, não só realizando uma ação quando o roteiro precisa, mas fazendo parte daquele universo, reagindo a ele: a frustração de Tom com o sujeito anti-FREE HUGS é justificada, assim como a empatia de Jill com o vovô esquizofrênico (que a salvou de uma fria). Em Solace for Tired Feet, eles ganham em importância na história, ao invés de apenas ficarem grunhindo pelos cantos.

E a história avança. E avança com algumas surpresas bacanas, podemos dizer: o surgimento de um outro casal Waynezado sugere que os planos do sujeito vão além de “caiam fora e esperem até que algo mágico aconteça“; os avisos do Garvey caduco ganham força quando percebemos que ele parece realmente saber de algo, revelação sugerida pelo diálogo com Jill (“não espera que eu acredite nisso, né?“) e na boa associação entre um cachorro e um urso (sim) no final; e até mesmo a gangue dos versículos de Matt parece ter entrado mais no jogo, fazendo campanha para salvar o Culpa Inc., o que pode desencadear um quebra pau a qualquer momento. Assim, The Leftovers consegue expandir suas tramas e aumentar o mistério em torno dos acontecimentos – e, no caminho, vai construindo de forma eficiente aquela percepção de que a casa está para cair de vez (a fuga de Kevin Garvey Sr., o parto e o cachorro preso são eventos atípicos; alguma coisa desencadeou isso).

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O grande problema continua sendo o protagonista, Kevin, que se mantém irritantemente irritante o tempo todo. Praticamente todas as suas cenas tentam uma intensidade jamais alcançada, metralhando palavrões e frases cuspidas sem que haja necessidade disso (a cena do telefone chega a ser engraçada). Além disso, a química entre ele e Nora é pouco natural, e a decisão de simplesmente jogar o casal ali no quinto encontro impede que o espectador se envolva e torça por eles – tanto que a sequência de sexo parece quase gratuita, e, se eu tivesse que apontar o principal motivo que os levou à lascívia, diria que foi para provocar a turma do Culpa Inc. na rua. E acredito que todos poderíamos passar sem aquele embaraçosa cena em câmera lenta no restaurante.

Uma outra questão que surge é a seguinte: enquanto Two Boats and a Helicopter e Guest foram claramente estudos de personagens, os outros episódios foram bem mais funcionais, mais preocupados em fazer a bola rolar e não em examinar as pessoas de Mapleton. É uma abordagem diferente e que destoa muito. Talvez isso se justifique conforme a história for avançando, é verdade. Talvez seja parte de um planejamento maior, é verdade. Mas, se for apenas fruto da falta de planejamento e de não ter uma visão bem definida da história, The Leftovers vai ter grandes preocupações pela frente.

3star

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