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Por: Bruno Carvalho

Crítica | The Leftovers 1×06: Guest

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A trajetória de The Leftovers até aqui tem se mostrado um tanto quando irregular. Se no ótimo piloto fomos apresentados a um mundo que vive à sobra da perda ocorrida no Dia da Partida Repentina, os demais capítulos enveredaram-se em tramas desconexas e que, ainda que aqui e ali traziam significados e arquétipos fortes, acabavam sem explorar todo o potencial da proeminente premissa. Exceção à regra, claro, foi o capítulo três, sobre o padre Matt.

O mesmo, porém, aconteceu com este excelente e poderoso Guest, totalmente focado na intrigante Nora Durst (Carrie Coon, que desde já merece indicações a todos os prêmios de TV), e que abre o episódio de forma totalmente inusitada. A assistente social que trabalha para o Departamento da Partida Repentina e é responsável por liberar (leia-se: reter) a pensão que os sobreviventes têm direito de receber pelo seguro, através de um questionário devastador. Ironicamente, Nora é a única residente de Mapleton que perdeu toda a sua família no 14 de outubro.

Curiosamente, apenas quando ela deixa a cidadezinha e vai para um congresso sobre o tema em Nova York é que nos aprofundamos mais na mitologia da série e começamos a compreender melhor como esse problema afetou o mundo de várias formas. Veja: se apenas dois por cento da população desapareceu, aqueles que perderam mais de uma pessoa na Partida são tratados como herois e Nora – que perdeu três entes queridos imediatos – está no mais alto escalão.

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É assim, então, que acompanhamos aqui o seu drama pessoal e a sua comovente história de perda, que a tornou uma pessoa dura, fria e que vive a todo tempo em busca de uma conexão com os que se foram – seja através daquele “fetiche” do início ou ao continuar fazendo compras para toda a família. A dificuldade de “largar”, claro, é universal, e é interessante como o roteiro de Damon Lindelof e Kath Lingenfelter (baseada na obra de Tom Perrota) encontra formas singulares de demonstrar desdobramentos totalmente factíveis desta tragédia, como a da empresa que fabrica bonecos caríssimos que simulam corpos dos Partidos e que aqui descobrimos que servem para ser enterrados e dar uma sensação de “encerramento” para os que ficaram.

Mas é voltando à jornada pessoal de Nora, incrivelmente retratada neste episódio dirigido por Carl Frnaklin (House of Cards), que The Leftovers esboça seu primeiro grande momento quando acaba encontrando o “Santo” Wayne, que – como sabemos – tem o poder de remover a dor das pessoas com um abraço. Acompanhado da precisa e comovente trilha, Guest surge como o melhor episódio da série até aqui, seja por trazer o tema central à tona sem ter que necessariamente escancará-lo ou por trazer uma personagem tão complexa como esta. Que a série siga assim pelos próximos.

5star

Leia as críticas dos episódios anteriores de The Leftovers:

1×05: Gladys
1×04: B.J. and the A.C.
1×03: Two Boats and a Helicopter
1×02: Penguin One, Us Zero
1×01: Pilot

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