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Por: André Costa

Crítica | Veep 4×07: Mommy Meyer

veep 4x07FOTO: HBO

[com spoilers do episódio 4×07] Parece que Veep tomou uma dipirona e um pouco de suco de uva artificial e está se recuperando da ressaca: Mommy Meyer ainda não faz jus aos primeiros episódios da temporada, mas é uma clara evolução com relação a Storms and Pancakes e Convention, dois momentos em que a série parecia precisar de um GPS para se achar. Aqui, temos o retorno de alguns dos tradicionais jabs em forma de diálogo, além da presença carismática de Hugh Laurie, embora toda a trama das amigas da Selina seja um grande pote de plástico com comida acidentalmente requentado no fogão.

É interessante perceber que em Mommy Meyer temos o retorno de toda a patotinha a um só local, o que permite a composição daquela dinâmica montanharussística onde cada momento serve de alavanca para um ataque ou uma piada (frequentemente são sinônimos em Veep). Destarte, o episódio é um campo aberto para one-liners planarem livres e felizes sob raios de sol – e, mesmo que as tiradas percorram um caminho irregular (muitas erram o alvo), algumas delas reverberam ecos daquela série que sabia ofender como ninguém: “talvez ele estivesse se referindo ao Kent“, “sua cara parece um ovo triste“, “acho que fiquei com gota na boca“, “vai mostrar a ele que está atrasado?“. E a maioria consegue realmente surgir de forma inesperada, dando aquele elemento surpresa que funciona tão bem em prol do humor.

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A entrada de Tom James é outro elemento que confere mais dinâmica à série, e não só pelo carisma de Hugh Laurie, já que a presença do sujeito joga no meio da bagunça aquela que talvez seja a única personagem “gostável”e íntegra. Um elemento assim no mundo de Veep parece estranho, mas essa vida louca é cheia de surpresas sem sentido e Tom acaba oferecendo uma persona diferente que se destaque – reparem que mesmo as tiradas ofensivas (a do ovo, “eram jogadores de lacrosse“) surgem de uma forma despojada, bonachona, como se ele tivesse se entupido de maconha antes de encontrar o esquadrão do estresse. E o carisma faz com que a presença dele em cena seja agradável.

Por outro lado, as tramas envolvendo as amiga de Selina e a eterna loserzice de Jonah descambam pra repetição desenfreada, apostando em uma única piada – no caso, Selina passando vergonha por não saber nada da vida das amigas e Jonah tentando pagar de The Dark Knight e soando apenas como Gotham. Talvez a desintoxicação dos roteiros anteriores ainda não esteja completa, mas é inexplicável que uma série tão competente se conforme no equivalente humorístico a ficar apertando o botão “soneca” do despertador. Enquanto isso, Amy consegue tirar uma ou outra tirada boa da cartola, mas Dan segue dando com os burros na água e sua presença já é quase descartável.

Curioso perceber também que Mommy Meyer parece juntar pecinhas de Lego e construir uma possível saída de Mike do Esquadrão Classe Branca mais para a frente. Seria o terceiro, seguindo Dan e Amy. Pode ser que eu esteja engando e tenha sido só uma trama do episódio, mas pode ser também que Veep tenha um arco narrativo mais ambicioso na manga e esteja movendo suas peças. Talvez a campanha de Selina para presidente ganhe um pouco mais de contundência e alguns obstáculos mais complexos. E como isso tudo gera motivos para colocar pessoas se xingando, o resultado pode ser um final de temporada ainda mais insano.

3star

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