sexta-feira, maio 24 2024

internet

As teles declararam mesmo guerra contra a Netflix, serviço OTT que consome largas quantidades de dados. Mesmo espalhando boxes de dados pelo país para aliviar a carga de tráfego, as companhias querem utilizar de uma prerrogativa nunca antes exercida para freiar o avanço da gigante do streaming e, de quebra, prejudicar milhões de usuários: a limitação de banda.

Em entrevista ao site Tecnoblog, o executivo da Vivo Christian Gebara disse:

“Quem faz uso de plataformas de streaming como YouTube e Netflix, terá de pagar planos mais caros”.

Para ele, uma porcentagem muito baixa de usuários vai ser afetado, pois que usa a Internet apenas para “e-mails e navegação” será beneficiado com planos menores.

O problema todo dessa lógica é que, em 2016: QUEM USA A INTERNET SÓ PRA E-MAILS E NAVEGAÇÃO, AMIGO?

Esse é o problema destas empresas de telecomunicação. Querem viver na era da Internet 1.0 onde baixar um “anexo de e-mail de 2MB” era o maior tráfego do dia para a maioria dos usuários. O advento de provedores de streaming demanda mais investimentos e, quem sabe, até mesmo um acordo comercial entre esses gigantes. Isso deveria e deve ser resolvido entre eles. Dinheiro eles tem, nós não.

Mas eles empurraram o problema para o assinante porque pelo princípio da neutralidade de rede eles não podem “discriminar” o dado pela fonte. Em outras palavras, eles não podem filtrar o fluxo que vem da Netflix, por exemplo, reduzindo a banda deles e preferindo a de parceiros. É por isso que eles entubam no público geral.

Gebara chega ao cúmulo de comparar a Internet à eletricidade:

A ideia é que o consumo seja como uma conta de luz, onde o cliente pagará somente o que precisar”.

Seguindo essa lógica, um usuário teria então que “economizar” Internet em casa: “Vou deixar pra terminar aquela série só no dia de corte pra não estourar a franquia”. Isso sem contar que hoje o uso da Internet é algo muito mais abrangente do que baixar um filme ou um jogo no console. As pessoas usam para trabalhar, sobreviver. É um bem essencial e já pagamos CARO por dele do jeito que é.

Essa é uma frase absurda que vai virar realidade para a maioria dos casos. Um simples cálculo feito pelo site Olhar Digital mostra que hoje a maioria dos usuários que usa a Internet para lazer e trabalho serão prejudicados, já que o consumo mensal dessa grande parcela de assinantes já estaria acima das maiores franquias das operadoras Oi, Net e Vivo:

Captura de Tela 2016-04-12 às 11.59.13

Resta saber se as teles montarão uma espécie de “cartel” para praticar o mesmo. Ah, e nem adianta dizer que isso é “coisa de Brasil”. Esse limite existe em várias partes do mundo. É legal e contratualmente permitido. Resta saber se vai ser pacificamente aceito pelo mercado. De todas as teles, apenas a TIM disse que não planeja uma mudança na cobrança.

O que fazer? Por enquanto existem várias petições. No Avaaz – a maior delas – tem mais de 300.000 assinaturas. Não está claro também, ainda, quais operadoras começaram a fazer ou se é só ameaça. Algumas planejam a mudança no fim do ano. É hora de começarmos a gritar.

21 comments

  1. Você falou apenas do streaming (mas deixou claro o “quem usa internet só pra navegar e e-mail”). Mas o buraco é muito, mas muito mais embaixo.
    O uso de nuvem hoje é praticamente padrão. Muitos abandonaram o uso do Office pro Google Docs. E aqueles que ainda usam o Office muitas vezes usam uma pasta na nuvem. E isso pegando por baixo. O Google Photos exigiria uma bela quantidade de banda para apenas visualizar as próprias fotos.
    Não tem como pensar neste limite ridículo. O problema central é esse: o limite é muito baixo. Se fosse um limite justo, ok. Mas não é.

  2. Eu não vejo a hora da Netflix vir com sua “própria” internet. Uma vez que a Netflix,seja como for, através de parcerias ou não, prover internet assim como TIM, VIVO etc outros obstáculos serão postos.
    Nós vamos vencer, se a história nos ensina algo é que ela se repete bem como não para. Tentem nos impedir, a cada tombo levantamos mais fortes. A nova era traz novos conflitos, que são lutados por nós, usuários. Não vamos pagar sem brigar, vamos brigar pra pagar (pouco de preferencia, não é?)!

  3. vcs deveria publicar os contatos como telefone e emial desse FPD desse Christian Gebara

  4. Vcs deveriam publicar o email e telefone desse … Christian Gebara

  5. Primeiro ele teria que quebrar esse monopólio, já que o brasil é um dos países mais fechados do mundo em se tratando de negocio.
    Empresas estrangeira aqui não tem vez.

  6. Realmente essa conta foi feita para iludir leigos no assunto… Fi!@# da PUT@#$

  7. O que as empresas deveriam fazer é melhorar a PORCARIA de serviço que prestam, muitas das vezes entregando 10% do que é ofertado. Dar desconto por isso não querem né?

  8. Quem em 2016 ainda fala/escreve AMIGO? é migo, migo”

  9. A Vivo é subsidiária da Telefónica. a Tim é da Telecom Itália… espaço pra empresas de fora tem, sim.

  10. Talvez aja um método para saber quem usa estes serviços
    então assim tomar as medidas
    uma coisa e certa
    o fluxo de internet aumento gerando perda de qualidade (Não entrando em detalhe de melhoria)
    Eu que não uso pagando o pato FROID
    não e só gasto vendo filme e serie. E os pais que deixa o filho vendo desenho por horas

  11. não entendi mas, quem fala/escreve em português faz o correto. Amigo. a outra palavra não existe. se foi ironia, não entendi e peço desculpas

  12. Ta bom migo. E migo, eu sempre vou escrever palavras que “não existem” e nem por isso vou deixar de falar portugays. Brigado de nada migo

  13. Precisamos de livre mercado e mais concorrência, quero ver essas empresas babacas falirem!

  14. Finalmente um motivo para realizar uma manifestação maciça e que unirá todos os lados. Não é por 0,20 centavos, nem por 0,20 megas.

  15. Não me parece que alguém que gaste 80 GB por mês seja um usuário leve. É, no mínimo, médio.
    Também discordo do comentário que diz que a nuvem é padrão. Entre as pessoas comuns , que têm pouco conhecimento de informática (ou seja, a maioria), a nuvem ainda é um mistério.

  16. Não consigo vislumbrar ilegalidade na intenção das teles pelo argumento da isonomia. Creio que a intensidade do consumo de banda é um discrimen válido para justificar uma diferenciação do valor cobrado dos assinantes. O problema que eu vejo é que a implantação da limitação do consumo mensal trará um súbito e significativo aumento de preço do serviço para grande parte dos usuários (medindo-se em Gb/R$), o que seria ilícito de acordo com o CDC. Sei que ,nos contratos, estava previsto o limite de dados. Porém, tenho que pelo princípio da proibição do comportamento contraditório (venire contra factum proprium) , houve renúncia tácita à observância dos limites de tráfego pelas operadoras, uma vez que a faculdade de reduzir a velocidade nunca foi exercida.

  17. Se realmente aprovarem essa palhaçada… vou cancelar os planos de TV e de Telefone e ficar só com internet…. se todos se unirem e começarem a fazer isso… o prejuízo deles vai ser maior, pq hoje os planos de TV ainda são mais caros que os de Internet….

  18. O problema do tal “livre mercado” é que…ele não funciona. É uma lenda já derrubada no início do século XX. E não funciona pq para ninguém sair prejudicado, as empresas não vão concorrer fortemente, vão se cartelizar. Isso já acontece hoje em dia, imagina se deixar a “mão invisível” agir livremente.

  19. Olha, talvez a melhor (e única) solução seja o boicote. Não podemos sequer considerar essa imposição, temos que brigar e estarmos preparados pra alguns sacrifícios, como cancelar o serviço mesmo se for pra ficar meses sem net fixa. Convencer o máximo de pessoas a deixar de consumir todo e qualquer serviço dessas operadoras. Eles só vão recuar quando perceberem que tem mais a perder do que que a ganhar.

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