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Por: Redação Ligado em Série

Crítica | The Leftovers 1×10: The Prodigal Son Returns

Episode 110

[com spoilers do episódio 1×10] Ainda que tirando a cartinha “revés” em alguns episódios, The Leftovers plantou sementes suficiente durante a temporada para construir um final de temporada tenso e envolvente para a série, trabalhando em cima das bases já construídas para martelar intensidade no episódio. Pena que a velha mania da série de estragar tudo de última hora apareça, impedindo-a de atingir um nível realmente apoteótico no seu clímax.

The Prodigal Son Returns começa imediatamente de onde Cairo e a veia jugular de Patti pararam, mas desde o início remete a momentos de capítulos anteriores – e é curioso ver Tommy e Gina assumindo o mesmo papel de seus pais (ele com um bebê que não é seu, ela se juntando à seita), o que dá um pouco mais de força para os laços da família Garvey. Aliás, eles se tornam aqui o centro do episódio, que conta com Kevin chorando as pitangas a respeito da traição e tudo mais, buscando claramente alguma absolvição do ocorrido (não à toa a conversa é com um padre), enquanto Matt parece cada vez mais obcecado pela missão de salvar as pessoas e restaurar os valores pré-sumiço.

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Assim, e auxiliado pelo pontual The Garveys at Their Best, o protagonista finalmente consegue ter um objetivo e um arco dramático a ser percorrido (um pouco tarde, mas OK). Então, The Prodigal Son Returns usa o delegado como ponto de referência, tentando entender ações a partir dele (quando Matt insiste que ele diga as últimas palavras de Patti, por exemplo), criando situações a partir dele (o sonho) ou até mesmo o tornando o principal agente de outras personagens (Patti e Wayne). De certa forma, Kevin está conectado a todas as subtramas – Laurie e Jill no movimento pró-tabaco, Matt na busca pela compreensão e consequente salvação da galera, Tommy no triângulo amoroso com Wayne, Nora na dor pela perda -, e o episódio busca amarrar tais desventuras para costurar um clímax eficiente, algo que ofereça um tipo de fechamento a essas histórias que acompanhamos.

E graças às situações já estabelecidas (de forma meio atrapalhada, é verdade) em episódios anteriores, o desfecho constrói momentos simples que são repletos de significado, como Jill escrevendo “Talk”, Kevin acordando assustado, o comportamento pacífico do cachorro ou a emocionante cena onde Laurie finalmente abre mão de seus valores ao gritar o nome da filha (e que teria ainda mais força se o episódio passado tivesse ocorrido antes ou se diluído entre vários episódios, porque o som da voz de Laurie seria uma surpresa ainda maior). The Prodigal Son Returns não investe em elementos novos, acertadamente colocando fermento no que já tinha colocado no forno para ver a coisa crescer.

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Mas o grande catalisador aqui é a culpa, que leva às últimas consequências aquele objetivo de “lembrar” as pesssoas do desaparecimento coletivo – algo tão desumano, tão assustador, tão ofensivo que é impossível não se encolher no cantinho em posição fetal ao ver a reação de Nora (Carrie Coon, mais uma vez em chamas) diante do ocorrido e não à toa a reunião delas é adornada com uma versão instrumental de Nothing Else Matters, do Metallica. Quando Kevin chega a Mapleton e vê todo mundo embriagado em caos e destruição, entendemos a reação dos habitantes, sua raiva dirigida aos membros e, por mais apocalíptico que o cenário pareça, o espectador percebe ele como o resultado dos que The Leftovers havia apresentado até ali.

Infelizmente é também na ação da culpa que reside uma das grandes pisadas na bola deste episódio, já que aparentemente Mapleton é a única cidade do mundo onde as pessoas deixam as portas de casa abertas caso algum culto obscuro queira entrar e fazer algo extremamente ofensivo. Se esforcem um pouco pelo menos, né? Parando para pensar, até que os habitantes devem se sentir sortudos por não ter ocorrido nenhum homicídio, latrocínio, estupro ou animal descontrolado invadindo casas.  Enquanto isso, a força dramática da cena de Nora (e do episódio, vá lá) é minada por uma narração extremamente explicativa e artificial, que oferece uma abordagem didática para o episódio mais intenso da temporada como se tudo precisasse de uma conclusão ao final. Aliás, o sofrimento de Nora é deixado para trás por uma daquelas coincidências incríveis graças ao bebê que “milagrosamente” aparece na porta dos Garvey (teria sido esse o desejo de Kevin?).

Sendo penalizada ainda por ter colocado um protagonista irritado e irritante durante a maior parte da temporada, fazendo com que sua catarse final acabe não causando o impacto necessário (e a limitação de Justin Theroux também não ajuda muito), The Leftovers termina essa primeira leva de episódios de forma bastante eficiente, mas aquém do que poderia. De qualquer jeito, é dramaticamente gratificante e envolvente o suficiente para criar expectativa para a já confirmada segunda temporada – e, considerando que Two Boats and a Helicopter e Guest foram as duas pérolas apresentadas por este deama, resta torcer para que episódios desse nível sejam o tal filho pródigo que retorna à casa.

4star

3 respostas para “Crítica | The Leftovers 1×10: The Prodigal Son Returns”

  1. Roberto disse:

    Excelente análise, apenas não concordo com a crítica ao Theroux que, além de excelente roteirista, tem sido a revelação da série como ator!!!

  2. Paulo disse:

    Ótima crítica, mas discordo de alguns trechos :

    1° Os moradores não deixam as portas das casas abertas, em um episódio anterior dá pra ver claramente os remanescentes com chaves de fenda e coisas do tipo, tudo leva a crer que eles abrem as portas usando tais ferramentas, do mesmo modo que fizeram pra roubar as fotos.

    2° Aquele bebê que aparece na porta, me parece ser o filho abandonado da Christine(deixado no banheiro), é tanto, que quando o Tommy encontra a sua mãe na frente do rio, ele está sem o bebê, pode ter deixado lá na porta para o Kevin ou a Jill pegar, já que ele não sabia o caos que estava acontecendo .

    3° O desejo de Kevin foi recuperar sua família, coisa que no fim, acabou acontecendo de forma muito estranha, Jill foi salva e voltou de mãos dadas com ele, Lorie se encontrou com Tommy e pareceu bastante emocionada, aliando isso ao fim dos remanescentes, pode-se dizer que ela voltou ao normal, e Tommy desconfiando que Wayne poderia ser um mentiroso, voltou pra casa.

  3. Lucas disse:

    Quem é Gina, cara? Crítica muito mal escrita, parece que nem assiste a série na verdade, erra nome de personagem (ou inventa?) com opiniões muito mal colocadas e nada claras. Próximo.

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