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Por: Allan Verissimo

Crítica | Demolidor é mais um triunfo da Marvel e Netflix

daredevilnetflix

Desde 2008, a Marvel está realizando a ambiciosa tarefa de adaptar o seu universo compartilhado para os cinemas. Com sucessos como Iron Man, The Avengers e Guardians of the Galaxy, era questão de tempo até o estúdio decidir trazer seu universo para a televisão. Se a primeira temporada de Agents of SHIELD foi terrivelmente irregular (só tendo ficado realmente boa a partir do episódio 15, quando fez crossover com os eventos de Captain America: The Winter Soldier), isso foi mais do que compensado na excelente segunda temporada, que está introduzindo os Inumanos (o filme deles estreará em 2019) e até mesmo pistas sutis que podem levar aos eventos de Captain America: Civil War. Já Agent Carter foi excelente do início ao fim, em parte graças à sua ótima protagonista e ao formato de minissérie, com a sua história sendo contada de uma maneira eficiente e econômica.

O que nos leva à Daredevil, a nova empreitada audiovisual do estúdio em parceria com a Netflix. Voltando no tempo: em 2003, o personagem já tinha sido adaptado nos cinemas em um filme mediano (para dizer o mínimo) estrelado por Ben Affleck, e que foi merecidamente um fracasso de público e crítica. Agora Daredevil será o primeiro de uma série de projetos da Marvel/Disney com a Netflix, focados em heróis urbanos e mais sombrios: Jessica Jones, Luke Cage, Iron Fist e The Defenders.

MARVEL'S DAREDEVIL

Situado algum tempo após os eventos de The Avengers (a batalha de Nova York é constantemente citada como “o incidente”), a série retrata o dia a dia do advogado Matt Murdock (o carismático Charlie Cox, de Boardwalk Empire), que está iniciando o seu trabalho ao lado de seu melhor amigo Foggy Nelson (Elden Henson). Porém, o mesmo acidente que causou a sua cegueira na infância também ampliou todos os seus demais sentidos. Assim sendo, Murdock passa as suas noites como um vigilante nas ruas do bairro de Hell’s Kitchen.

Mesmo sendo situado no mesmo universo colorido de The Avengers e Agents of SHIELD, Daredevil deixa claro desde o seu primeiro episódio que não há espaço para piadas bobas ou referências fan service. Beneficiando-se pelo fato de focar num herói mais urbano e não tão poderoso como um Thor da vida (e contando calmamente a origem do seu herói no decorrer dos episódios), Daredevil retrata uma Nova York suja, barulhenta e constantemente rodeada por sombras, cujos habitantes estão tentando reconstruir suas vidas após a batalha alienígena. É nesse contexto que surge Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio, excelente) o futuro Rei do Crime, que decide aproveitar para lucrar com a situação. O Demolidor, em vez de enfrentar aliens, luta contra assassinos, ladrões, estupradores, traficantes e policiais corruptos. A crítica é clara: do que adiante ser um playboy milionário num traje de ferro, ou um deus com um martelo poderoso, se você não pode sequer resolver os crimes e problemas do cotidiano comum das pessoas?

Contando com um belo elenco, Daredevil já acerta na escalação de seu personagem-título: ao mesmo tempo em que é carismático e atrai a simpatia do espectador, Charlie Cox não teme em mostrar as facetas mais desagradáveis de Matt Murdock. Ele aborda com perfeição o desgaste físico e psicológico do personagem (poucas vezes um super-herói apanhou tanto quando o Murdock dessa série). Enquanto isso, Henson e Deborah Ann Woll (mais conhecida por True Blood, e que aqui vive Karen Page) trazem não só o alivio cômico da série (em doses pequenas e acertadas, sem prejudicar o clima de suspense) como também o calor humano (através de uma sugestão de triângulo amoroso, que deve ser mais desenvolvida na segunda metade da temporada). E se Rosario Dawson, Ayelet Zurer, Toby Leonard Moore e Vondie Curtis-Hall realizam bem as suas respectivas funções, é Vincent D’Onofrio quem rouba a cena de uma maneira surpreendenteWilson Fisk, mesmo com a sua aparência, consegue parecer tão inocente, tímido e romântico em suas cenas com a personagem de Zurer, apenas para revelar o seu lado monstruoso com intensidade nos momentos em que interage com seus capangas ou com o protagonista. Mesmo assim, D’Onofrio também consegue retratar bem o estranhamento e um pouco de desconforto do personagem nas cenas em que está interagindo com Zurer em lugares como restaurantes ou galerias de arte, dando a impressão de que o personagem não pertence de verdade a esses lugares, por mais que se esforce.

Daredevil também conta com uma violência surpreendentemente gráfica para os padrões da Marvel (com diretos a olhos perfurados e cabeças esmagadas) e lutas cruas e pesadas, sem qualquer vestígio daquele sincronismo perfeito da Viúva Negra. Esse elemento também é beneficiado pelo ótimo trabalho de direção, principalmente no belo plano-sequência que encerra o segundo episódio.

O tenso sexto episódio traz um belo gancho para a segunda metade da temporada, com o início da cruzada do protagonista contra o Rei do Crime. E enquanto Avengers: Age of Ultron ainda não estreia, recomendamos com louvor a angustiante jornada do trágico Demolidor.

5star

Daredevil estreia na Netflix nesta sexta, 10 de abril, para todos os assinantes.

25 respostas para “Crítica | Demolidor é mais um triunfo da Marvel e Netflix”

  1. Fabiano disse:

    Tô babando aqui…

  2. Diego Alves Lima disse:

    Ótimo texto.
    E aguardando minha madrugada de sexta para sábado chegar

  3. Dalva disse:

    Não sou fã das histórias em quadrinhos e também não acompanho a saga de nenhum personagem de nenhuma franquia. Depois de ver a sinopse e todo o trabalho de divulgação que a Netflix vem fazendo com Daradevil fica difícil não ficar animada. Essa será a primeira série do gênero heroi que irei conferir.

  4. Caique Apolinário disse:

    Eu estava esperando muito por isso! Heróis urbanos em séries com liberdade de roteiro e etc como a Netflix oferece… Quero muito ver Luke Cage, curioso com Punhos de Ferro e Jessica Jones e querendo muito ver eles todos juntos. E… Quero muito ver Justiceiro neste panorama!

  5. Anderson Lima disse:

    Ah na boa, eu bem que queria ser um playboy milionário num traje de ferro… kkk

  6. Daredevil disse:

    O primeiro episódio é INCRÍVEL AMAZING ESPETACULAR!!!!! Um pouco rápido demais no início e um final meio estranho mas dá pra deixar ansioso pelo segundo episódio. Nota: 9,5

  7. Daredevil disse:

    Verdade mas é estranho impedir um assalto com um tiro laser das mãos de uma armadura ou tacar um martelo no cara. O Demolidor é melhor nesse tipo de coisa.

  8. Guthemberg Pereira Santos disse:

    Mas…
    Tpa COMPLETO? JÁ?
    Não lançou ONTEM?

  9. Leonardo Motta disse:

    Sim, mas a Netflix costuma lançar toda a temporada de uma vez, pra quem gosta de assistir direto todos os episódios

  10. Amanda Gabriela disse:

    Estou surpresa com essa série.
    Vicio total. <3

  11. Anderson Botelho disse:

    Média. A escolha por flashbacks mostra pobreza criativa, mas peko menos não tem as piadinhas probtas da Marvel. O segundo ep se encerra com plano longo, não plano sequência

  12. Alustriel disse:

    Pobreza criativa? Claro, vamos partir da premissa de que todos conhecem as origens do herói… essa é boa.

  13. Alustriel disse:

    A série é ótima e faz jus às expectativas. Bom roteiro e ótimas atuações, além de cenas de luta incríveis (acho que a do segundo episódio vai ser considerada clássica entre adaptações do gênero). Recomendadíssima!

  14. Nathalia Nobrega disse:

    Ótimo texto, comecei a acompanhar a série e estou gostando bastante.

  15. Donner disse:

    Anderson Botelho querendo mostrar que sabe das coisas. Continue tentando.

  16. Diogo Góes Zanetti disse:

    Nunca um seriado foi tão fiel ao que lemos nas revistas. Parabéns à marvel, se bem que tem lá seus momentos Arrow, o problema é que o arqueiro que não é sombrio e tá em terreno errado, não é mesmo?

  17. Diogo Góes Zanetti disse:

    Agora, veja se não arrepia qualquer um quando pensarem no futuro seriado de Luke Cage?

  18. Anderson Botelho disse:

    Eu vi o episódio e comentei, normal. Você não me conhece e comenta, o pretensioso aqui é você. Não tente, senão vai falar mais merda.

  19. Giancarlo disse:

    Quando volta ? Ja assisti os 13 eps. E agora?

  20. Todas as séries da Netflix retornam para temporadas subsequentes anualmente, geralmente no mesmo mês que estreou no ano anterior. Daredevil, contudo, ainda não foi renovada.

  21. Roberto disse:

    Achei o seriado beeeem mais ou menos, fará sucesso apenas porque é a “bola da vez”.

  22. Claus by the Wind disse:

    falou merda. tá longe de ‘ser a bola da vez’ ser o motivo pro sucesso. A série é bem feita, tem um pacing excelente pra quem quer assistir de uma vez ou deixando pra ver 1 episódio por semana e tudo, desde a coreografia, até roteiro e fotografia das cenas, posso dizer que é a MELHOR adaptação de uma hq que eu já vi na vida. Melhor que qualquer filme e tudo mais. Sério!

  23. A melhor série de heróis lançada até hoje. Sobre o lance dos sangues, como é uma produção voltada para um serviço, eles ñ se preocuparam com a censura dos estúdios.

  24. Eduardo disse:

    Disse tudo, mandaram bem demais com o Demolidor, o que nos faz pensar em um dia ver os X-Men(os melhores da marvel pra mim) em um nível diferente, pq cara os filmes são lixo, eu cresci lendo HQ’s, e ser obrigado a ver essas adaptações é foda, quero ver os mutantes com o respeito que merecem!

  25. João Victor disse:

    Gostei da primeira temporada da série, mas achei algumas coisas meio inverossímeis. Coisas que se acontecessem em um programa brasileiro não seriam perdoadas pelos críticos.

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