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Por: Bruno Carvalho

Crítica | Black Mirror, 4ª temporada: USS Callister

Nesta temporada não há episódio que seja mais Black Mirror do que este fascinante USS Callister, que ultrapassa a fronteira da ciência como nenhum outro. Já imaginou estar dentro de sua série favorita – e mais – poder escrever o roteiro da maneira que quiser? Robert Daley (Jesse Plemons, de Breaking Bad) não apenas imaginou, como criou um jogo de realidade virtual que funciona através de um dispositivo mental que te coloca dentro de um universo realista.

Enquanto milhares jogam no servidor e esperam a nova atualização de Natal, ele criou uma versão completamente privada e desconectada deste ambiente, e a usa no conforto de seu lar para reencenar cenas de USS Callister, série de ficção na qual ele é completamente vidrado (ele tem todos os boxes em DVD, apesar dela estar disponível na Netflix, rs).

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Mas mesmo sendo o criador e CTO da bem-sucedida empresa dona do jogo, Daley é um sujeito sem o menor traquejo social e é constantemente hostilizado e rebaixado por seu sócio e CEO Walton (Jimmi Simpson, de Westworld), além dos próprios funcionários que ali trabalham. Incapaz de se impor, ele decidiu se refugiar em seu servidor caseiro – e lá é ele quem dita as regras.

Como toda tecnologia vista em Black Mirror, parece legal… Até que fica perturbador.

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USS Callister é o meu episódio favorito desta temporada, justamente porque ele dá um passo “além” e combina possibilidades técnicas e científicas com algo que jamais imaginaríamos ser possível, de tão absurdo, bizarro e aterrorizante. Sem dar spoilers, apenas digo que há algo profundamente estarrecedor na forma com que Daley “constroi” seu próprio universo e na forma com que ele “adiciona” novos personagens (fora o que faz com eles uma vez lá dentro).

É brilhante, inclusive, a maneira com que o diretor Toby Haynes (Sherlock) utiliza até mesmo a metalinguagem televisiva (a série dentro da série é uma paródia clara de Star Trek) e chega a reverter o protagonismo do episódio – transformando seu “mocinho” em vilão à medida em que a personagem interpretada por Cristin Millioti (How I Met Your Mother), Nanette, começa a ter ciência do que realmente está acontecendo e assume o protagonismo da narrativa…

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Sombrio, angustiante, repleto de efeitos visuais impecáveis e com ótimas reviravoltas, USS Callister personifica o melhor de Black Mirror: não apenas mostra a tecnologia dando errado, como também nos assusta só de cogitarmos que tal coisa é possível. Não há nada que cause mais terror do que ver o que a mente humana é capaz de fazer.

A 4ª temporada de Black Mirror estreia sexta, 29/12 às 06h00, na Netflix. Leia as críticas dos demais episódios: ArkAngel, USS Callister, Crocodile, Hang the DJ, Metalhead e Black Museum.

Uma resposta para “Crítica | Black Mirror, 4ª temporada: USS Callister”

  1. Adriel Mattos disse:

    Só uma correção: o nome da série fictícia nesse episódio é Star Fleet. USS Callister é o nome da nave.

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