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Por: Bruno Carvalho

Retrospectiva 2013: o ano da Netflix

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Ligado em Série inicia hoje uma série de especiais sobre o ano que passou e, para começar, vamos falar da Netflix. Dentre os principais destaques em televisão de 2013, o nome “Netflix” estava presente em grande parte dos casos, trazendo feitos inéditos e que já transformaram a indústria. De forma rápida e eficiente, o serviço de streaming de conteúdo que começou nos EUA como uma locadora de DVDs por malote, hoje é um dos maiores cases de sucesso e responsável por reformular a forma como assistimos nossas produções favoritas.

“Ah, este é um artigo encomendado”, podem exclamar. Não. Este site nunca recebeu qualquer investimento em publicidade ou pedido de publieditorial neste sentido. Os banners e anúncios que esporadicamente veiculamos vêm de centrais de publishers e não temos nenhum vínculo institucional ou direto com a empresa. Mas da mesma forma que o Ligado em Série já prestou diversos serviços para o assinante e fãs de séries, como na campanha #DubladoSemOpçãoNão, denúncia de abusos de canais e outros, é impossível negar o significativo avanço do serviço Netflix no ano de 2013.

Eis os motivos.

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Tirando a veiculação de produções de terceiros, normalmente limitadas por contratos de licenciamento com estúdios, sempre que possível a Netflix prima pela distribuição global e instantânea do conteúdo disponível. Enquanto canais da TV paga levam – nos tempos de transmissão simultânea -, até um ano inteiro para trazer, por exemplo, uma nova temporada de série para o Brasil, a Netflix o faz de forma igualitária em todos os territórios onde atua.

Séries originais e conteúdo exclusivo, como o show stand-up de Aziz Ansari, documentários e até mesmo alguns filmes, são lançados com legendas em português no mesmo dia em que saem lá fora. Este certamente é um diferencial do serviço, que estabelece um importante paradigma, assim como a HBO fez com a transmissão de Game of Thrones, True Blood e fará com Girls e outras produções em 2014.

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Outra novidade que os assinantes provavelmente não sabem sobre a Netflix é a distribuição de informações para a imprensa. Normalmente, sites não baseados nos EUA acabam sendo meros replicadores de conteúdo de publicações norte-americanas, já que os releases oficiais de canais e estúdios costumam ser disparados primeiro por lá para depois chegarem traduzidos (ou nem isso) para a imprensa internacional.

Mas aparentemente a empresa também inovou neste aspecto. Através de sua eficiente assessoria de imprensa, releases e informações sobre as produções originais chegam de forma sincronizada em todo o mundo. Foi assim com Hemlock Grove, Arrested Development, a renovação de House of Cards e, mais recentemente, com a divulgação da distribuição internacional de Better Call Saul, spin-off de Breaking Bad, entre outros.

Isso permitiu que publicações nacionais, inclusive o Ligado em Série, divulgassem informações junto ou até mesmo antes que portais como TV Line, EW e The Hollywood Reporter, tradicionais em furos e exclusivas. Aparentemente eles entendem que a coordenação da informação é essencial para o sucesso da plataforma e, com isso, até mesmo o material de divulgação – cartazes, vídeos e promos – chegam já traduzidos e nacionalizados para o nosso mercado. Isso sem contar nas oportunidades de entrevistas com talentos como Mitch Hurwitz e o já mencionado Aziz Ansari, que atenderam diretamente esta e outras publicações digitais e não só a imprensa “tradicional”.

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Em 2013 o improvável aconteceu. A tão aguardada volta de Arrested Development ocorreu de forma inédita. A Netflix viabilizou o que Mitch Hurwitz, Ron Howard, Brian Grazer, Jason Bateman vinham tentando desde que o – até então – último episódio da série fora exibido em fevereiro de 2006 com a promessa de retorno na cena final.

Os contratos atípicos saíram, os atores voltaram e o resultado vimos em tela este ano, num formato diferente por necessidade e inovador por interesse de seus realizadores graças à sistemática de distribuição já estabelecida pela empresa. E provavelmente 2013 não será a última vez que veremos os Bluth na telinha.

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Lillyhammer, a excelente House of Cards, a interessante (porém mediana) Hemlock Grove e a grande surpresa Orange is the New Black foram novidades que a Netflix trouxe este ano e que já garantiram espaço no calendário de fãs de séries. Também tivemos as ótimas The Fall (com Gillian Anderson) e Derek (com Ricky Gervais), que ganharam o mundo graças a acordos de co-produção e/ou de distribuição através do serviço de streaming.

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Toda essa originalidade resultou em reconhecimento de público e crítica, consubstanciada nas várias indicações que as séries originais da Netflix receberam no Emmy, premiações sindicais e, mais recentemente, no Globo de Ouro. Votantes destas tradicionais cerimônias prestigiaram as “séries feitas para Internet” (um estigma bobo e rapidamente superado), com o devido reconhecimento.

A Associação da Imprensa Estrangeira deu, ao todo, mais indicações para as séries da Netflix do que a qualquer outra rede de TV aberta dos EUA, provando que o modelo de negócios adotado está mudando o até então estagnado show business de forma radical e sem volta.

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Acompanhamos este ano também um case de atendimento aos consumidores. Cientes das exigências de seu público, a empresa estabeleceu um canal de comunicação direto através de uma bem-humorada e sagaz conta no Twitter, além de identificar problemas – que podem ser reportados pelo site – e apresentar soluções e explicações de forma transparente.

Além disso, basta ter uma assinatura da Netflix para acessar o conteúdo em qualquer país. Assim, se você estiver viajando para os EUA ou para os países nórdicos, você terá acesso à sua conta e ao conteúdo local (que às vezes é diferente). Recursos demandados como o Minha Lista e o Perfis também foram implementados aqui (pena que, por enquanto o serviço de recomendações Max ainda não chegou).

Há limitações no serviço da Netflix? Sim, muitas. Há problemas com legendas, dublagem, sincronização e disponibilidade limitada de títulos. Mas todas as vezes que reportamos algum problema, seja à assessoria ou ao atendimento, a resposta veio. Chegaram a tirar, inclusive, os episódios antigos de Arrested Development do ar para consertar problemas sérios na tradução das legendas, que apresentavam erros básicos de tradução.

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2013 pelo visto foi só o começo. A empresa promete investir pesado em conteúdo original para o próximo ano. Isso e refletido no anúncio do acordo com a Marvel/Disney para a produção de séries originais, além dos contratos de distribuição com a Sony, que trouxeram a terceira temporada de The Killing com exclusividade para territórios internacionais (Brasil incluso) com pouquíssimo atraso, além de ter resgatado a série para uma quarta e última temporada e, finalmente, Turbo Fast, série original para crianças que chega no Natal.

Vale lembrar também que a primeira parte da última temporada de Breaking Bad estreou no Brasil antes mesmo do AXN, que até então era o único que veiculava a série “legalmente” no país. Espera-se que os episódio finais cheguem em breve ao serviço, pois também dependem de acordo de distribuição e agora que a série estourou está todo mundo de “olho”, até mesmo a TV aberta.

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Há espaço para melhorar o serviço da Netflix? Indubitavelmente, principalmente no que tange ao catálogo e às janelas de exibição de conteúdos de terceiros, embora haja constante expansão e adição de títulos (exemplos 1, 2, 3, 4, 5). Mas pelo menos para 2013, a empresa estabeleceu novos e importantes paradigmas que viraram objeto de discussão pela indústria tradicional. Nos eventos de fim de ano de canais, o avanço da Netflix é recebido como um “alerta” para o modelo que hoje predomina.

O espectador quer ver o conteúdo na hora dele e, salvo por serviços premiums (e caros) como o Now, HBO Go e Sky On Demand, a Netflix é hoje a única alternativa economicamente viável para o público. Que venham mais mudanças em 2013!

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